Randy Blythe quer usar mais vocais limpos no Lamb Of God: “Mas apenas onde fizer sentido”

Photo: Travis Shinn

Randy Blythe admitiu que gostaria de explorar mais os vocais limpos no Lamb Of God, mas deixou claro que isso não significa uma mudança deliberada na identidade da banda. Para o vocalista, esse tipo de recurso só deve aparecer quando realmente servir à composição.

A declaração aconteceu durante uma entrevista concedida a Jai Setright, do australiano Metal On Tap, nos bastidores de um show do Lamb Of God em Sydney. Além da evolução de sua voz, Blythe falou sobre críticas de fãs, longevidade, sobriedade e a maneira como enxerga seu próprio papel dentro do grupo.

Vocais limpos precisam surgir naturalmente

Questionado sobre a possibilidade de utilizar cada vez mais vocais limpos, Randy respondeu que gostaria de fazer isso, mas somente quando a própria música abrir espaço.

Ele citou “El Vacío”, faixa presente em “Into Oblivion”, lançado em março deste ano. A ideia inicial da composição partiu do próprio vocalista, que apresentou alguns conceitos a Mark Morton para que o guitarrista desenvolvesse musicalmente.

Morton não seguiu exatamente aquilo que Blythe imaginava, mas retornou com uma composição que acabou oferecendo naturalmente espaço para outro tipo de abordagem vocal.

“Se encaixar, eu faço. Se não encaixar, não faço.”

O vocalista também brincou que não tem nenhuma ilusão de transformar o Lamb Of God em uma banda na qual poderia agir como Frank Sinatra. Para ele, porém, ocasionalmente ampliar o espectro sonoro pode tornar a música mais interessante.

Photo: Medios y Media, Getty Images

“El Vacío” não foi escrita para justificar vocais limpos

Um detalhe importante é que Blythe não pediu que Morton criasse uma música especificamente para que pudesse cantar de forma limpa.

Isso aconteceu posteriormente. Quando recebeu a composição, percebeu que aquele tipo de interpretação simplesmente funcionava naquele contexto.

Essa maneira de trabalhar ajuda a explicar por que os vocais limpos sempre apareceram de maneira bastante pontual na discografia do Lamb Of God. Faixas como “Overlord” e “The Duke” já mostraram anteriormente que Blythe consegue explorar registros diferentes, mas sem transformar isso em uma obrigação dentro dos discos.

“Into Oblivion” aparentemente amplia esse território, mas continua colocando os vocais agressivos no centro da identidade da banda.

Randy Blythe não se preocupa com fãs reclamando

Naturalmente, qualquer mudança na sonoridade de uma banda estabelecida acaba encontrando resistência. Blythe, entretanto, afirmou não se preocupar com fãs que consideram que vocais limpos não deveriam existir na música do Lamb Of God.

A explicação é bastante simples: ele praticamente não acompanha esse tipo de discussão online. Segundo Randy, se alguém odeia uma música nova e publica uma crítica que ele nunca lê, aquela opinião simplesmente não existe em sua realidade.

A postura também aparece quando ele fala sobre bandas mais jovens. Para o vocalista, grupos em início de carreira podem acabar colocando pressão excessiva sobre si mesmos ao tentar satisfazer constantemente comentários, redes sociais e expectativas externas.

“Não sou o melhor músico do mundo”

Outro momento interessante da entrevista aconteceu quando Randy falou sobre sua longevidade como um dos vocalistas fisicamente mais intensos do Metal.

Mesmo depois de mais de três décadas de atividade, ele continua conhecido por correr, saltar e atravessar o palco durante praticamente toda a apresentação.

Ao explicar como consegue manter esse nível de energia, Blythe fez uma avaliação curiosamente modesta sobre si mesmo.

Ele afirmou que não se considera necessariamente um grande músico, mas acredita ser muito bom em fazer parte do Lamb Of God.

Além disso, destacou duas outras áreas às quais dedica bastante tempo: fotografia e literatura. Blythe já publicou livros e mantém paralelamente uma carreira como fotógrafo.

A distinção é interessante porque mostra como ele enxerga sua função: talvez não como um vocalista preocupado em demonstrar técnica isoladamente, mas como alguém que entende exatamente o papel que precisa desempenhar dentro daquela banda.

Photo: Reprodução

Sobriedade começou justamente na Austrália

A entrevista também trouxe uma lembrança importante da relação de Randy com a Austrália. O vocalista revelou que ficou sóbrio justamente durante uma passagem pelo país e se aproximava de 16 anos sem consumir álcool, marca que completará em 18 de outubro.

Blythe resumiu a transformação de forma bastante direta: a vida ficou muito mais fácil sem bebida.

Curiosamente, ele passou períodos consideráveis no país ao longo dos anos. Durante uma pausa de uma turnê australiana do Lamb Of God com o Metallica, em 2010, enquanto outros integrantes retornaram para casa, Randy permaneceu por lá viajando, acampando e conhecendo diferentes regiões.

“Into Oblivion” ampliou alguns limites do Lamb Of God

Lançado em março, “Into Oblivion” trouxe dez faixas e foi novamente produzido e mixado por Josh Wilbur, colaborador de longa data da banda.

As baterias foram registradas em Richmond, Virgínia, enquanto guitarras e baixo foram gravados no estúdio doméstico de Mark Morton. Randy registrou os vocais no histórico Total Access, em Redondo Beach, local ligado a gravações de nomes como Black Flag, Hüsker Dü e Descendents.

O disco também mostrou uma banda disposta a testar algumas variações sem abandonar aquilo que construiu ao longo de décadas.

E talvez seja justamente essa a lógica de Blythe para os próximos trabalhos. Ele não parece interessado em colocar vocais limpos nas músicas apenas para demonstrar que consegue cantar dessa maneira — nem em evitá-los simplesmente porque parte dos fãs pode reclamar.

Photo: Stephanie Lemus
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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