Policial que matou assassino de Dimebag Darrell diz não se arrepender, apesar de tragédia ter encerrado sua carreira

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O ex-policial de Columbus, Ohio, James Niggemeyer, amplamente reconhecido por ter salvado vidas ao enfrentar sozinho o atirador responsável pela morte de quatro pessoas, incluindo o guitarrista Dimebag Darrell Abbott, refletiu sobre o episódio que marcou sua vida para sempre. Em entrevista ao Today’s Boondoggle Podcast, conduzido por Bill Bailey, Niggemeyer afirmou que não se arrepende de ter matado o criminoso durante o ataque ao clube Alrosa Villa, em dezembro de 2004, embora o impacto emocional do episódio tenha posteriormente encerrado sua carreira como policial.

A chegada ao Alrosa Villa

Niggemeyer contou que estava deixando a subestação policial quando recebeu o chamado sobre um atirador ativo no clube. Como trabalhava no turno das 22h às 6h e patrulhava o distrito mais distante da subestação, ele havia saído antes dos demais agentes. Além disso, carregava em sua viatura uma espingarda Remington 870, arma com a qual tinha familiaridade desde a adolescência.

“Quando aquele chamado entrou como um atirador ativo no Alrosa Villa [clube em Columbus], eu por acaso já tinha saído da subestação. O chamado entrou pouco antes das 22h15. Eu trabalhava das 22h às 6h, então sempre fazíamos a reunião às 22h e depois saíamos para preparar nossas viaturas e partir. Bem, meu distrito naquela região era o mais distante da subestação, então eu geralmente tentava sair cedo porque tinha o trajeto mais longo. Então fui o primeiro a sair da subestação naquele dia, quando aquele chamado entrou. Mas eu carregava uma espingarda Remington 870 atravessada na minha viatura. Eu era um dos únicos dois carros que a carregavam porque meu distrito era mais rural, então tínhamos acidentes envolvendo cervos e carros — você precisava sacrificar os cervos e coisas assim — enquanto os distritos que ficavam mais na cidade não precisavam delas. Bem, a Remington 870 era a mesma espingarda que eu usava para caçar desde os meus 12 anos. Eu conhecia aquela arma por dentro e por fora. Então muitas pessoas me perguntam: ‘Por que você usou uma espingarda em vez da sua pistola?’ Bem, primeiro, eu estou mais familiarizado com a espingarda e, segundo, eu atiro melhor com a espingarda. Então essa é uma pergunta que me fazem muito.”

Ao chegar ao local, Niggemeyer encontrou uma situação caótica e entrou sozinho pela porta dos fundos, seguindo as indicações de pessoas que estavam do lado de fora. Lá dentro, percebeu que o atirador mantinha uma pessoa como refém, informação que ainda não havia chegado pelo rádio.

“Quando cheguei ao Alrosa Villa e era o único policial lá, havia fãs me dizendo para onde ir. Eu nunca tinha estado no Alrosa na minha vida, então não estava familiarizado com a disposição do local. Mas quando entrei pela porta dos fundos, para onde eles tinham me indicado, e vi o refém lá dentro, ou o suspeito lá dentro segurando um refém. Nós não sabíamos que ele estava segurando um refém. Isso não havia sido comunicado pelo rádio. E ele ainda estava com a arma e a agitava por aí e coisas assim. Então fui em frente e entrei sorrateiramente naquele momento. Mas, entre ter caçado durante toda a minha vida e o treinamento militar e policial, foi uma culminação de tudo pelo que eu havia passado na minha vida. E você ouve as palavras ‘visão de túnel’, mas era verdade — eu realmente tive uma visão de túnel. Literalmente, tudo estava preto, exceto o suspeito e o refém. Foi uma verdadeira visão de túnel. Eu literalmente não ouvia nem via mais nada. Eu nem consigo dizer o que as pessoas estavam gritando. Então, acho que foi tudo junto. Treinamento — no departamento de polícia, tínhamos acabado de fazer um treinamento sobre atiradores ativos alguns meses antes. É claro que o treinamento que fizemos sobre atiradores ativos foi realizado em grupos de quatro, não sozinhos. Mas não sei se a situação teria sido diferente caso ele não estivesse segurando um refém. Porém, como ele estava segurando um refém e mantinha o refém imobilizado com um golpe de estrangulamento, simplesmente senti que não podia ficar sentado esperando por reforços. Então, sim, foi uma culminação de toda uma vida. E eu conhecia muito bem aquela arma e aquilo de que ela era capaz.”

Dimebag Darrell e o impacto do episódio

O policial só descobriu posteriormente que uma das vítimas era Dimebag Darrell, integrante do Pantera e do Damageplan. Niggemeyer explicou que nunca havia frequentado o Alrosa Villa e sequer sabia qual banda tocaria naquela noite. Embora conhecesse o Pantera, ele não era fã de Metal, tendo crescido ouvindo principalmente música country e Rock clássico.

“Bem, só descobri depois [que eu descobri], porque, como eu disse, tínhamos acabado de sair da reunião e eu nunca tinha estado [no Alrosa Villa]. Eu não sabia quem estava tocando. Quer dizer, temos vários locais diferentes em Columbus, então sempre tem alguém tocando em algum lugar. Então, naquele momento, eu não fazia ideia de quem estava tocando naquele local. É claro que eu já tinha ouvido falar do Pantera. Me perguntam bastante se eu era fã. Eu cresci no interior. Eu era mais fã de música country, mais do que minha família ouvia — meu pai, meus avós — e mais do que eu chamo de rock clássico, que seriam AC/DC, Scorpions e Foreigner, e depois mais aquele tipo de rock dos anos 1980 e 1990. Então eu nunca fui fã de metal, mas já tinha ouvido falar do Pantera, Metallica, coisas desse tipo. Mas quando tudo terminou, um policial pegou minha arma para servir como evidência, e então fui escoltado até uma viatura e, na verdade, levado para longe da cena. Então provavelmente não fiquei no local por mais de dois minutos depois que tudo terminou. E só depois de, provavelmente, eu diria, talvez meia hora após o incidente foi que descobri quem havia sido baleado naquela noite. Foi através da comunicação pelo rádio que ouvi isso. E então, é claro, todos nós tínhamos celulares e coisas assim, e aquilo era notícia de última hora no mundo inteiro. Então, sim, eu não fazia ideia até talvez meia hora depois.”

Na noite de 8 de dezembro de 2004, pouco depois das 22h, diversas ligações chegaram ao serviço de emergência de Columbus relatando um tiroteio no Alrosa Villa durante um show do Damageplan. O criminoso havia invadido o palco e disparado contra a banda, deixando sete pessoas feridas, quatro delas fatalmente. Niggemeyer chegou ao clube menos de três minutos após o primeiro chamado e encontrou o atirador segurando um refém. Armado com sua Remington 870 calibre 12, posicionou-se a aproximadamente seis metros do criminoso e realizou um disparo que o matou instantaneamente.

As consequências que vieram depois

Apesar de ter impedido que o ataque continuasse, Niggemeyer revelou que a experiência provocou consequências psicológicas severas. Ele passou a sofrer ataques de pânico e pesadelos constantes, chegando a ser hospitalizado. Após permanecer três anos trabalhando em patrulhamento, acabou transferido para a divisão de roubos como detetive e, posteriormente, aposentado por motivos médicos.

“Bem, vou te dizer uma coisa, eu tinha visto algumas coisas no serviço militar. Eu tinha, infelizmente, visto, quando estávamos no treinamento do NTC para o Oriente Médio, um tanque passar por cima de um Humvee e, infelizmente, esmagar o motorista. Mas eu não estava diretamente envolvido. Foi à distância. No departamento de polícia, eu havia ido a muitas cenas em que alguém tinha sido baleado ou morto, ou suicídio ou acidente de carro, coisas desse tipo, eu tinha visto tudo isso, mas nunca havia estado diretamente envolvido. Esta foi a primeira vez que — tirar a vida de uma pessoa, você não sabe como isso vai afetá-lo. Qualquer pessoa pode lhe dizer o que quiser, mas existem pouquíssimas pessoas que já estiveram envolvidas em algo assim, seja em combate ou na polícia. Mas fui hospitalizado por ataques de pânico. Essa foi a coisa que mais me atingiu, foram os ataques de pânico e, depois, os pesadelos constantes. Realmente levou muito tempo para o meu cérebro simplesmente parar. E os médicos e todo mundo tentaram muitas coisas diferentes para tentar fazer isso… Eu podia simplesmente estar aqui em um dia normal, como conversando com você, e de repente entrava em um ataque de pânico completo, e não conseguia respirar. Então, isso me afetou mentalmente, mas também me afetou fisicamente, a ponto de o departamento me aposentar por motivos médicos por causa disso. Então, sim, isso encerrou minha carreira, algo que eu fazia, segundo todo mundo me dizia, extremamente bem, acabou encerrando minha carreira. Mas não me arrependo nem por um minuto. Fico feliz por ter conseguido detê-lo antes que muito mais pessoas fossem feridas. Mas certamente não… Isso meio que colocou minha vida em uma espiral. Mas isso faz parte do trabalho. Você se inscreve para isso. Só precisa lidar com isso, eu acho.”

Com essa entrevista concedida por James, fica claro que episódios dessa magnitude não são exclusivamente traumatizantes para as vítimas e familiares. Mas, principalmente, para os oficiais que presenciam e combatem atentados, sejam quaisquer forem os motivos. Só esperamos que James tenha uma boa vida em diante, apesar do triste relato de que isso afetou negativamente sua carreira. E que Dimebag, junto de seu irmão Vinnie, cujo este faleceu em 2018, estejam em um lugar melhor. E torcemos para que, independemente das decisões que forem tomadas por Phil e Rex quanto à continuidade ou não do Pantera, possam ser dignas dos irmãos Abbott.

Relato de 2005 de James à MTV

Em uma entrevista concedida à MTV em 2005, Niggemeyer também havia relatado que chegou ao local praticamente sem informações sobre a presença de um refém. Segundo ele, inicialmente tentou se aproximar e avaliar a situação, esperando que o criminoso libertasse a vítima. Entretanto, quando o atirador colocou a arma contra a cabeça do homem, a situação mudou imediatamente e o policial decidiu agir.

“Lembro que estava saindo da minha subestação, que fica a cerca de três quilômetros do clube, quando chegou um chamado como ’43 no Alrosa’ — que é o código policial para um tiroteio. Então, chegaram chamadas adicionais sobre o que o suspeito estava vestindo e mais tiros disparados. Eu estava a caminho de lá, então fui o primeiro a chegar à cena.”

“Havia um grupo de pessoas parado perto da porta dos fundos e elas me chamaram para ir por aquele caminho enquanto outros policiais estavam chegando à cena.”

“Não há dúvida na minha mente de que [Gale] não sabia que eu estava lá. De onde eu estava, conseguia ver que ele estava concentrado nos outros policiais que entravam pela frente.”

James Niggemeyer; Reprodução

“Eu ainda esperava que talvez ele deixasse o refém ir e recuasse. Eu estava apenas tentando chegar o mais perto possível para avaliar a situação e esperando que ele [libertasse] o refém para que eu não precisasse atirar. Mas então, enquanto ele agitava a arma, pegou-a e a encostou na cabeça do refém… o que mudou toda a situação, caso ele fosse executar o refém. Eles nunca mencionaram um refém nas chamadas de rádio. Eu sabia naquele momento que ele não deixaria aquele homem ir e [poderia] fazer algo com ele.”

“Eu sabia que, daquela distância, poderia atirar no suspeito, desde que mirasse alto o suficiente e não atingisse o refém”, disse ele. “Naquele momento, quase imediatamente, eu atirei.”

Após o episódio, Niggemeyer recebeu diversas mensagens de apoio de fãs do Pantera e até uma carta da mãe de Nathan Gale, o atirador.

“Ela me escreveu algumas semanas depois e me disse que entendia que eu estava apenas fazendo meu trabalho. E ela não guardava nenhum rancor contra mim.”

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