Paul McCartney comenta boatos antigos e revela como lidou com o fim dos Beatles

Paul McCartney comenta boatos antigos e revela como lidou com o fim dos Beatles
Bruce McBroom © Apple Corps Ltd.

Paul McCartney contou que, quando os Beatles chegaram ao fim, percebeu que precisava recomeçar a vida do zero. Foi um momento de virada, cheio de incertezas, mas também de profundas reflexões sobre tudo o que havia vivido. Nessa fase turbulenta, ele ainda comentou um dos rumores mais estranhos que já circularam sobre ele — aquele que afirmava que Paul havia morrido e que um sósia o havia substituído.

As teorias da conspiração no mundo da música sempre existiram; no entanto, poucas alcançaram o mesmo nível dessa história. De acordo com o boato, os outros Beatles teriam deixado pistas nas músicas e nas capas dos discos para insinuar o que supostamente teria acontecido.

Em 1969, a história ganhou proporções enormes, e o próprio McCartney descobriu o que andavam dizendo sobre ele. Então, ele, os companheiros de banda e o assessor de imprensa, Derek Taylor, decidiram negar tudo publicamente. Apesar disso, o boato continuou circulando por muito tempo e manteve viva uma das teorias mais curiosas da cultura pop.

Ao falar ao The Guardian recentemente, Paul recordou o espanto que sentiu quando ouviu essa teoria pela primeira vez — um momento em que ele apenas queria aproveitar a tranquilidade ao lado da esposa e da filha recém-nascida.

“Em certo momento, virei para minha nova esposa e perguntei: ‘Linda, como eu posso estar morto?’ Ela sorriu enquanto segurava nossa bebê recém-nascida, Mary, tão ciente quanto eu do poder da fofoca e do absurdo daquelas manchetes ridículas de jornal. Mas ela ressaltou que havíamos feito uma retirada apressada de Londres para nossa fazenda remota na Escócia, precisamente para fugir do tipo de conversa maliciosa que estava derrubando os Beatles.”

Naquele período, McCartney ainda tentava assimilar o fim dos Beatles, que acontecia de forma lenta e dolorosa. Mesmo achando o boato completamente absurdo, ele reconheceu mais de cinquenta anos depois, que havia um fundo de verdade naquela história. Segundo suas próprias palavras:

“Mas agora que mais de meio século se passou desde aqueles tempos verdadeiramente loucos, estou começando a pensar que os boatos eram mais precisos do que se poderia ter pensado na época. De muitas formas, eu estava morto. Um jovem de 27 anos prestes a se tornar um ex-Beatle, afogando em um mar de disputas judiciais e pessoais que estavam minando minha energia, precisando de uma reformulação completa na vida.

‘Será que eu conseguiria superar o que tinha sido uma década incrível?’, eu pensei. ‘Será que eu conseguiria superar as crises que pareciam explodir diariamente?'”

O refúgio de McCartney

McCartney acabou encontrando refúgio na rotina simples do campo. Passou a dedicar mais tempo à família e a mergulhar nas tarefas da fazenda. Entre uma coisa e outra, aprendeu a lidar com os animais, cuidar do jardim e até construir os próprios móveis. Essas ocupações, além de preencherem os dias, ajudaram-no a organizar as ideias e a reencontrar o equilíbrio emocional.

“Tive grande satisfação em aprender a fazer todas essas coisas, em fazer um bom trabalho, em ser autossuficiente. Quando penso nisso, o isolamento era exatamente o que precisávamos. Apesar das condições adversas, o cenário escocês me deu tempo para criar.

Estava ficando claro para nosso círculo íntimo que algo empolgante estava acontecendo. O antigo Paul não era mais o novo Paul. Pela primeira vez em anos, me senti livre, de repente liderando e dirigindo minha própria vida.”

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