Opeth: “Não estou interessado em fazer um ‘disco de Death Metal padrão’. O mundo precisa disso?”

Mikael Åkerfeldt, vocalista/guitarrista do Opeth, revelou que não faz questão de transformar a banda numa dessas instituições intocáveis, com “legado perfeito” e tudo mais. Para ele, é muito mais interessante que o grupo siga um caminho próprio e com originalidade.
O disco mais recente, “The Last Will and Testament”, saiu em outubro de 2024 e marcou de Mikael aos vocais guturais, além da estreia oficial de Waltteri Väyrynen na bateria, assumindo de vez o posto que era de Martin Axenrot desde 2022.
O som do novo álbum não se encaixa fácil em rótulo nenhum. Tem personalidade própria. E, de acordo com Åkerfeldt, é exatamente isso que ele quer: discos que não seguem cartilhas nem repetem fórmulas.
Em uma entrevista recente ao Blabbermouth, Mikael Åkerfeldt refletiu sobre o processo criativo do Opeth e sua forma solitária de compor. Mikael explicou o porquê prefere trabalhar assim, embora admita que seria divertido se todos os membros participassem do processo de criação:
“Com certeza. Eu adoraria isso. Nesse caso, acho que a música teria que ser mais livre, porque eu componho tudo, tipo todos os detalhes, até o mínimo detalhe, para as demos. Se formos fazer uma jam, acho que isso vai mudar toda a natureza do nosso som.
Nós nunca trabalhamos assim. Poderíamos nos transformar numa porra de uma banda de Kraut rock, insistindo em uma única nota por minutos. Claro, seria legal e divertido de fazer, mas não tenho certeza se é divertido de ouvir. Estou definitivamente aberto a todos os tipos de desenvolvimento quando se trata do lado criativo desta banda.
Eu também sou uma pessoa de hábitos. Quando começo a compor, sei que não posso deixar as coisas em aberto. Tenho que finalizar todas as ideias até o menor detalhe, porque esse é o meu jeito.”
Åkerfeldt também contou que não curte mais algumas músicas compôs. Ele esclareceu que prefere muito mais ser original a ter um legado “irretocável”:
“Estou ciente da nossa ‘herança’, sem trocadilhos. Sou responsável por esta banda, e pelo nosso ‘legado’, e também por mim mesmo, é claro. Fiz algumas coisas de merda das quais não gosto hoje, mas na época, era tipo, ‘Isso funciona!’. Nos últimos anos e nos álbuns, tenho sido mais meticuloso.
Em algum momento, vamos morrer e não poderemos mais fazer música, se é que você me entende. Nesse ponto, quero deixar não um legado impecável, mas algo que seja único para nós. Não estou interessado em fazer um ‘disco de death metal padrão’. É divertido e tudo mais, mas o mundo precisa disso?”
Acho que nós criamos nosso próprio nicho na cena do metal. Nós temos algo, e dentro desse nicho, nos permitimos crescer e fazer algo diferente. Entre alguns dos nossos álbuns, você quase não consegue dizer que é a mesma banda.”