Opeth: “Acho que os Beatles são a melhor banda de rock que já existiu”, afirma Mikael Åkerfeldt

Opeth: "Acho que os Beatles são a melhor banda de rock que já existiu", afirma Mikael Åkerfeldt
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À frente do Opeth há mais de três décadas, Mikael Åkerfeldt foi o principal responsável por conduzir a banda por uma metamorfose rara no metal: de um nome cultuado no underground do death metal noventista para uma referência incontornável do prog rock contemporâneo. Poucos grupos conseguiram atravessar tantas fases sem perder identidade, e o Opeth fez disso quase uma assinatura. A mistura de peso extremo, passagens acústicas melancólicas e composições longas e intrincadas acabou influenciando gerações de músicos, tanto dentro quanto fora do metal.

Em 2017, o músico sueco abriu um pouco do seu universo pessoal e compartilhou com a Metal Hammer (edição 295 da revista) — quais discos foram decisivos na sua formação; álbuns que ajudaram a construir não só o compositor que ele se tornaria, mas também a identidade sonora de uma das bandas mais respeitadas da música pesada moderna.

O primeiro disco que Åkerfeldt comprou: Iron Maiden – “The Number Of The Beast” (1982).

“Eu tinha oito anos e estava determinado a comprar um disco de metal, e por acaso era do Iron Maiden . Tornou-se um dos discos mais importantes da minha vida. Nem preciso mais ouvi-lo; eu o ouço na minha cabeça. Está no meu DNA.”

O disco que lhe traz memórias dos tempos de escola: Alice Cooper – “Constrictor” (1986).

“Todos os meus amigos da escola compraram esse disco quando foi lançado por causa de ‘He’s Back (The Man Behind the Mask)’, da trilha sonora de Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive. É mais pop do que rock porque não tem muitas guitarras distorcidas. Na escola, tínhamos uma hora às sextas-feiras em que os alunos podiam decidir o que faríamos, e numa semana meu amigo escolheu a música e gravou uma fita cassete de 60 minutos com essa música em loop.”

A melhor capa de disco para Mikael: Black Sabbath – “Black Sabbath” (1970).

“É uma capa lindamente assustadora e eu a contemplo há anos. Quase fiquei obcecado por aquelas fotos em filme infravermelho onde as cores são ligeiramente invertidas. Procuro o artista há 25 anos, mas ele desapareceu da face da Terra. Quero que ele faça uma capa para o Opeth.”

O que disco que define o Metal: Judas Priest – “Defenders of the Faith” (1984).

“Lembro-me de ter visto o vídeo de Freewheel Burning na TV quando era criança – era a coisa mais rápida e pesada que eu já tinha ouvido. Fiquei tão desapontado quando comprei Rocka Rolla depois, porque parecia uma banda diferente e o vocalista era creditado como Bob Halford. Pensei que fosse o irmão do Rob!”

Um álbum que ninguém acreditaria que ele tem: Anton Szandor LaVey – “The Satanic Mass” (1968).

“Não é algo completamente fora deste mundo, porque tenho um certo fascínio por coisas ocultas, mas tenho uma gravação de áudio de uma Missa Negra de São Francisco. Nunca a ouvi até o fim porque me entedia!”

Um disco subestimado: Judas Priest – “Turbo” (1986).

“Lembro-me de ter conseguido esse disco e de ouvir os sintetizadores que eram proibidos no heavy metal. Adoro até as músicas mais bregas, como ‘Parental Guidance’, que os metaleiros criticam, mas eu sempre gostei. Todo mundo estava tentando lançar discos legais nos anos 80.”

O disco que ele gostaria de ter feito: The Beatles – The Beatles (também conhecido como “Álbum Branco“, de 1968.

“Com todas essas bandas britânicas, eu pareço um completo anglófilo, mas adoraria ter produzido o Abbey Road ou o Álbum Branco. Vou ficar com o Álbum Branco porque é o mais longo. Sem nenhuma competição, acho que os Beatles são a melhor banda de rock que já existiu.”

Um disco que não deveria existir: The Offspring – “Conspiracy of One” (2000).

“Toda a discografia do Offspring! Para mim, eles são uma banda de piada, não entendo o porquê. Acho que não conseguiria ser amigo de alguém que os ouve. Tenho certeza de que são caras legais, mas a música deles é uma merda, nem sei para quem é direcionada. Não consigo nem beber uma cerveja se as músicas deles estiverem tocando no ambiente – simplesmente saio!”

O disco para tocar seu funeral: The Beatles – “Abbey Road” (1969).

“Depende se eu quero que as pessoas chorem ou fiquem felizes, mas Golden Slumbers começa muito triste e melancólica, mas se transforma em uma música para se ouvir beber cerveja.”

E qual é disco do Opeth pelo qual gostaria de ser lembrado?: Opeth – “Heritage” (2011).

“Causou o maior alvoroço entre os nossos fãs, mas por acaso é um dos meus discos favoritos e também o favorito de todos os outros membros. Eu realmente adoro e pode se tornar um clássico escondido para muita gente. É um sucesso gradual porque já se passaram seis anos e cada vez mais pessoas nos dizem que odiavam no começo, mas agora adoram.”

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