O último adeus: Geezer Butler relembra o legado imortal de Ozzy Osbourne

No momento em que o mundo da música ainda tenta compreender a perda de Ozzy Osbourne, o baixista Geezer Butler voltou a falar sobre o amigo de 57 anos e companheiro de estrada nos primórdios do Black Sabbath. Em declaração recente para a Uncut magazine, Butler descreveu um Ozzy silencioso e emotivo no histórico show Back To The Beginning, realizado em julho — um silêncio que, segundo ele, parecia prenunciar o fim. Para Butler, aquele reencontro representou não apenas um capítulo final, mas uma chance de fechar um ciclo que havia marcado gerações do heavy metal.

Conforme Butler relembra, a oportunidade de subir ao palco novamente com Tony Iommi, Bill Ward e Ozzy teve um peso emocional profundo. Ele sabia que o vocalista enfrentava graves problemas de saúde, mas não imaginava que aquele seria o derradeiro momento juntos. Ainda assim, Ozzy insistiu em seguir adiante, determinado a se despedir dos fãs e reencontrar suas raízes em Birmingham. “Ele segurou firme para fazer aquele show”, reforçou Butler, destacando a força de vontade do cantor mesmo diante da fragilidade evidente.

O evento — que reuniu 40 mil pessoas no Villa Park e milhões na transmissão online — acabou se tornando uma celebração massiva do legado de Ozzy. Para Butler, porém, o que mais marcou foram os instantes íntimos nos ensaios. Foi ali que percebeu o quão debilitado o amigo estava, entrando no estúdio apoiado por assistentes e cantando sentado em uma poltrona. Ainda assim, o velho companheiro não perdeu o humor, arrancando risadas da banda e trazendo à tona a boa e velha camaradagem sabbathiana.

Uma despedida que virou homenagem eterna

Com a repercussão do show e, posteriormente, com a morte de Ozzy, Geezer Butler viu uma avalanche de tributos vindos de todos os cantos. Artistas como Metallica, Slayer, Tool, alice In Chains, Pantera e tantos outros que participaram do espetáculo se uniram aos fãs em mensagens emocionadas. Butler reforçou que Ozzy “era maior que a vida” e afirmou que seu legado “viverá para sempre”, ecoando a importância do vocalista como ícone do heavy metal e como amigo próximo.

O baixista também comentou sobre a distância que manteve de Ozzy durante alguns anos, motivada por desentendimentos entre famílias, e como o reencontro antes do show reacendeu a velha ligação entre os dois. Eles voltaram a trocar mensagens diariamente, compartilhando piadas e lembranças, como faziam nos tempos de juventude em Aston. “Ele era provavelmente meu amigo mais antigo”, disse Butler, ressaltando a conexão que resistiu a décadas, turnês e conflitos.

Agora, ao olhar para trás, Butler encontra conforto no fato de que o último ato da história deles aconteceu de forma grandiosa, diante dos fãs e com a energia que sempre guiou o Black Sabbath. Para ele, foi um final digno para uma parceria que moldou o cenário do metal e inspirou gerações. “Tivemos uma vida incrível juntos”, escreveu em uma das homenagens. E, mesmo diante da dor, ele reafirma: o espírito de Ozzy Osbourne permanecerá vivo em cada riff, em cada lembrança e em cada fã que encontrou no Príncipe das Trevas uma luz inesquecível.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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