“O Metallica pra mim é como um Black Sabbath”, diz Andreas Kisser ao relembrar experiência marcante

Participações recentes e a mudança de tom no Flow
Nos últimos meses, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, vinha acumulando participações em podcasts — porém, muitas delas acabaram seguindo um roteiro previsível. Frequentemente, ele revisitava os mesmos temas, relembrava polêmicas antigas e pouco acrescentava de novidade ao público. Como resultado, parte dos fãs e admiradores começou a demonstrar certo cansaço com esse formato repetitivo.
No entanto, a participação no Flow Podcast marcou uma virada nesse cenário. Sob a condução de Igor, o papo ganhou leveza, dinamismo e, acima de tudo, novos caminhos. Diferentemente de entrevistas anteriores, o apresentador explorou assuntos pouco abordados recentemente, o que permitiu que o músico se mostrasse mais espontâneo e reflexivo.
Foi justamente nesse clima descontraído que surgiu uma provocação envolvendo duas gigantes do Thrash Metal: Megadeth e Metallica.

A provocação: Megadeth melhor que Metallica?
Durante a conversa, Igor afirmou preferir o Megadeth, o que abriu espaço para uma resposta bem-humorada de Andreas Kisser. Entrando na brincadeira, ele comentou:
“Ah não, eu não acho (risos). Você quer falar sobre isso, né?
Bom, eu conheço os caras, pra mim é um privilégio ser amigo dos caras. Pô, quando a gente se encontra trocamos um abraço, dou um pega junto, enfim, troco uma ideia. Isso pra mim não tem preço.”
Andreas Kisser entre obras-primas e influências
Na sequência, o guitarrista fez questão de reconhecer a importância do Megadeth, destacando um de seus álbuns mais icônicos:
“Cara, o ‘Rust In Peace’, por exemplo, é uma obra prima, é um disco perfeito. Aquilo pra mim é o Megadeth. O ‘Peace Sells’ eu gosto muito, porque é a época de BH, quando eu tava lá com o Sepultura ouvindo. Eu ouvi muito o ‘Peace Sells’, com o Chris Poland na guitarra, um puta músico espetacular.”
Ainda assim, ao falar do Metallica, o tom se tornou ainda mais enfático — principalmente ao abordar o impacto histórico da banda:
“Mas o Metallica pra mim é como um Black Sabbath. O Metallica com o ‘Ride The Lightning’, principalmente, mudou a história da música. ‘Fade To Black’, Cliff Burton, ‘Fight Fire With Fire’, ‘For Whom The Bell Tolls’, ‘Call Of Ktulu’… o Sepultura seguiu muito essa estrutura de montar um álbum. Tem a música porrada, a música tema que é uma música mais groovada que dá todo sentido ao disco, digo tematicamente, que é a ‘Ride The Lightning’, aí você tem uma ‘For Whom The Bell Tolls’ e uma ‘The Call Of Ktulu’.
‘Master Of Puppets’ também é assim. E o ‘Arise’ é assim. O ‘Arise’ a gente montou assim, tipo, ‘Arise’, ‘Dead Embryonic Cells’, ‘Desperate Cry’ com aquela coisa instrumental. Então você a influência que vai muito mas além do que o riff e a música em si. É sobre como o Metallica se apresenta. O Metallica é uma aula. Eu trabalhei com o Metallica, eu toquei com eles, eu fiz o teste quando o James queimou o braço. Foi uma experiência maravilhosa poder observar o Metallica tocando é uma aula em todos os aspectos.”

Profissionalismo e a experiência ao lado do Metallica
Além das influências musicais, Andreas Kisser também destacou o profissionalismo da banda norte-americana e relembrou um episódio marcante de sua carreira. A fala de Andreas Kisser deixa claro que, apesar de admirar profundamente tanto Megadeth quanto Metallica, sua conexão com o quarteto liderado por James Hetfield vai além da música.
“O Sphere agora agora, lá em Las Vegas, como eles estão anunciando… a desculpa que eles pediram sobre a confusão na venda de ingresso. A preocupação em melhorar o processo pra próxima fase. E quando eu toquei com eles, quando o James queimou o braço, eles deram chance pra guitarrista que tocava em banda cover do Metallica no Canadá. Olha onde os caras vão. E o Metallica tava no Black Album fazendo turnê com o Guns N’ Roses em estádios pelos EUA. Eles estavam no momento mais alto e mesmo assim eles deram a chance pra eles mesmos de ouvir uma interpretação, eu vim do Brasil, cara…
O Phil Rind do Sacred Reich, que é muito amigo do Jason Newsted, baixista do Metallica na época, ele falou: ‘dá uma chance pro Andreas, ele curte muito o Metallica, ele toca as músicas’. Eles falaram: ‘pô vem aí, a gente vai estar em Denver, no Colorado, em tal data’. Eu tava no Brasil. Em poucos dias eu comprei uma passagem e fui pra lá, fui recebido com uma limosine no aeroporto, de lá fui direto pra arena onde eles estavam ensaiando e toquei dois dias com os caras. Fui pra final com outro guitarrista, acabei ficando em segundo lugar, mas a experiência… fiz uma amizade com o Jason Newsted que gerou várias bandas e sons.
Até hoje eu tenho o contato do Lars, coverso com ele e, assim, o respeito que eles tem pelo Sepultura, pela música do Brasil que eles conheceram mais através do Sepultura, é uma relação de muito respeito e admiração. Eu ainda sou muito fã de Metallica, pra mim é sempre muito esquisito estar do lado dos caras, sabe? Apesar de conhecer e trocar uma ideia, eu sempre fui muito fã. É uma banda espetacular, então Metallica é melhor que Megadeth pra mim (risos).”
