Mike Mangini conta qual é a única atitude que ele não tolera na música

A mágoa é um sentimento terrível e o baterista Mike Mangini sabe disso. Muitas bandas se afundaram nelas e hoje podemos assistir uma enormidade de músicos amargos e ressentidos, dando entrevistas sensacionalistas e, sem qualquer pudor, revelando detalhes sobre bastidores de suas ex-bandas.
Não é algo legal e nem proveitoso, mas gera cliques. É uma maneira daquele ex-integrante tentar dar uma sujada na imagem de seus ex-colegas.
Em uma nova entrevista concedida a Ollie Winiberg, do Drummer’s Review, o ex-baterista do Dream Theater, Mike Mangini, demonstrou ser exatamente o oposto disso.
Questionado sobre ele ter sido protagonista de umas das saídas mais elegantes de uma grande banda, Mike Mangini demonstrou maturidade e aproveitou para dizer o que ele não tolera de um músico profissional. O baterista explicou que não aceita que alguém de qualquer banda revele coisas que sejam internas. Veja o que disse o baterista:
“Ah, que bom que você disse isso. Sim, foi uma reação bem simples da minha parte. É só o jeito como fui criado e coisas assim. E também, o interessante é conseguir sair de si mesmo. E quando digo isso, você precisa entender: quando você estuda o cérebro, a área emocional do cérebro envolve a área do raciocínio, que envolve a área moral. Então, quando você estuda o cérebro, chama-se de centro moral, depois vem a sua capacidade de raciocínio e, então, a emocional. Então, quando você está preso à emoção, você não consegue ser razoável.
Basta olhar para o mundo. E se você não tem um bom conjunto de valores morais, você não sabe raciocinar. Então, se as pessoas conseguem te prender nessa área emocional e você nunca se aprofundou no ato de raciocinar, de pensar criticamente, e nunca refletiu sobre o que é realmente certo e errado — com talvez um conjunto de filósofos por trás de você, sistemas de crenças e tudo isso — se você nunca fez isso, se nunca fez nem mesmo a pergunta — não “quem sou eu”, mas “o que sou eu” — eu não acho que você consiga compreender isso totalmente.
A outra coisa é que, se eu estiver olhando, digamos, uma revista de heavy metal das antigas ou algo assim — hoje em dia, você vai para a internet — eu simplesmente não aceito que alguém de qualquer banda revele coisas que sejam internas da banda — da família. Essas coisas acontecem; são assuntos a portas fechadas. Você não revela coisas sobre seus colegas de trabalho. Eu simplesmente não consigo entender isso. Então tem esse aspecto, que realmente não se aplicava a mim. Mas poderia ter se aplicado. Eu poderia ter falado sobre isso. Só que foi tipo: ‘Ok, próximo.’
Então agora eu tenho bandas passadas. É tudo a mesma coisa. Você poderia estar falando comigo sobre o Extreme e não seria diferente. Você poderia estar falando sobre o tempo que passei no Annihilator. Eu sinto exatamente a mesma coisa em relação a todas elas. É meio que um modelo para mim. E eu estou em grupos de mensagens de texto com o pessoal, e qualquer um pode falar comigo quando quiser. É esse tipo de coisa. Então, no fim, tanto faz. Sério mesmo.”