A “polêmica” da capa de metal extremo da banda Gornan. A arte precisa ter limite?

Nos últimos dias, a banda carioca de Black Metal Gornan, acendeu um debate sobre limites no metal extremo com o que poderíamos chamar de “liberdade artística? Ou apenas uma forma de tentar “polemizar” para chamar atenção para sua música? Puro marketing?
Após a megaoperação policial no Rio de Janeiro que deixou dezenas de bandidos mortos e resultou na prisão de vários criminosos do Comando Vermelho, a banda lançou uma arte que gerou discussão até os fãs mais acostumados com os temas extremos: uma “arte” de uma cabeça decepada que represnetava um dos traficantes mortos na ação, com o detalhe de um cabelo tingido de vermelho, um símbolo visual forte demais pra passar despercebido. A banda usou a mesma imagem em estampas de camisetas. Apesar de todo o debate, quem é da comunidade do metal de fato e, principalmente, acompanha o metal extremo muito de perto, não se escandalizou com o ocorrido, já que esse tipo de arte grotesca é para lá de comum na cena. A indignação veio mais da parte de familiares e amigos do bandido, movimentos de direitos humanos e militantes ligados à esquerda (fato).
O debate:
Nas redes, a reação veio em duas frentes: de um lado, quem defende que o metal sempre flertou com o grotesco e o tabu, transformando a violência do mundo real em catarse artística; do outro, quem vê na escolha da banda um passo perigoso rumo à exploração da tragédia, onde o limite entre provocação e desrespeito se apaga completamente. Além disso, a Gornan recebeu as pechas de nazista e comunista.
Vale lembrar que isso não é algo inédito no metal. De imediato, podemos citar Mayhem e Brujeria com capas de discos clássicos muito mais bizarras. A maioria das pessoas que comentou enxergou tal atitude como um grito artístico brutal, mas legítimo, dentro de um gênero que sempre bebeu da realidade mais suja possível.
O dilema é antigo: até onde a arte pode ir? Quando ultrapassamos a barreira a entre liberdade artística/expressão e oportunismo/marketing? Em algum ponto, isso tudo se confunde e, talvez seja nesse caos que o metal encontra seu lugar.
Veja alguns comentários de usuários nos post da banda Gornan:
“Essa sim é a verdadeira essência do old BM. Sem espaço pra frescurentos 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻”
“Vão lançar uma peita com essa arte? já mandem uma pra mim!”
“A banda já ganhou mais um fã 🤘🏻”
“Caralho, vocês vão me fazer escutar black metal 😂😂😂”
“Eu odeio Black Metal, mas se vcs lançarem um álbum com essa capa eu compro 10.”
“Brutal acabou pro beta traficante.”
“Gosto muito de Heavy Metal mas depois que escutei vocês o Black Metal fez sentido pra mim (Tive que excluir o comentário anterior, pois esqueci de mencionar que a capa do álbum tá muito foooddaaaa!!!! Pqp!!! Quero comprar!!! Onde vende??? 😎🤘🏻🤘🏻🤘🏻🤘🏻”
“Imagina se dizer fã de metal extremo e se escandalizar com essa capa. Desde Matando Güeros que eu não via uma capa tão brutal, foda demais kkkkkkkk”
“Qual o sentido disso? Sem hate.”
“Quem gostou da capa “Matando Güeros” não pode reclamar dessa…”
“❌ Fazer música contra o sistema atual
❌Fazer música contra a violência
❌Fazer música que incentive as pessoas da favela a não entrar no crime
✅ Fazer música para ganhar fama com uma desgraça humanitária
✅ Enaltecer uma operação falha contra o tráfico (C.V) no Rio.
PS: Uma operação de verdade, aprende milhões, tira imóveis e bens do crime, igual a operação carbono oculto, que desmantelou muita grana e poder do P.C.C que estava infiltrado na Faria Lima, que é um dos maiores pólos financeiros do Brasil. isso sim foi uma operação bem sucedida, sem nenhuma baixa, sem nenhuma bala e milhões aprendidos, essas operações que enfraquece os criminosos.”
“Método Euronymous de criação de capa haha.”
A Gornan se pronunciou sobre o assunto e explicou suas motivações por trás de tudo isso. Acesse aqui para ler.
Por fim, acesse o post original para ver mais comentários de usuários no Instagram da banda:
