Nuno Bettencourt sobre Back To The Beginning: “Eu nem sabia que seria transmitido globalmente”

Nuno Bettencourt, guitarrista português conhecido pelo seu trabalho com a banda Extreme, de Boston, participou do mais recente episódio do canal Steve And Rik’s POTcast, apresentado por Steve Whiteman e Rik Parks.
Nesse episódio, o guitarrista relembrou sua preparação e apresentação no concerto Back To The Beginning. O evento ficou marcado como a última performance de Ozzy Osbourne e do Black Sabbath.
Ele comentou o seguinte:
“Quando me ligaram para fazer aquilo, eu fiquei tipo: ‘Meu Deus, vou lá tocar duas músicas.’ E todo mundo ia fazer duas músicas. Aí me mandaram mensagem tipo: ‘Ei, você pode fazer uma música do Randy Rhoads e “Bark At The Moon” também? Porque você consegue tocar essas coisas.’ Eu falei: ‘Beleza. Tô dentro.’
Aí, uns três ou quatro dias depois, me ligam de novo: ‘Podemos te mandar mais três músicas?’ E eu comecei a pensar: ‘Pera aí, o que tá acontecendo?’. E eles: ‘Ah, o Wolfgang Van Halen acabou de desistir.’
Eu disse: ‘Tá, quais são as músicas?’ E é claro que ele desistiu porque ele é esperto. Ninguém quer tocar esses benditos solos do Randy Rhoads ou do Jake E. Lee, seja lá quem for. Ninguém quer fazer isso porque se você erra feio naquele palco, com o Ozzy lá e todos os seus pares te assistindo, sua carreira acabou.
Então eu fiquei com cinco músicas. E eu estava aqui nesse mesmo quarto, pensando: ‘Ok, deixa eu destrinchar essa porra.’ Aí eles: ‘Podemos te mandar mais três?’
Eu acabei tocando 12 músicas! E você me conhece… ao invés de simplesmente aprender, eu pensei: ‘Eu tenho que dominar isso. Tenho que investir tempo de verdade. Tenho que ir com tudo. Tenho que colocar minha cabeça no lugar e fazer direito.’”

Bettencourt concluiu:
“Eu nem sabia que seria transmitido globalmente. Achei que seria só para o público no estádio — o que já era grande o suficiente. Mas, dois dias antes, meu empresário vira e fala: ‘Ah, só pra avisar, isso vai ser transmitido no mundo todo.’
Eu fiquei: ‘O quê?’
‘É, milhões de pessoas vão assistir.’
Maravilha. E eu estava tocando músicas que nunca tinha tocado ao vivo, com uma banda com a qual eu nunca tinha tocado antes.
Quando você chega lá, percebe que em todos os ensaios os artistas estarão lá sentados no chão assistindo, esperando para ver se você realmente consegue tocar aquelas coisas. E com os celulares apontados pra você.
Por isso era tão importante fazer o dever de casa, realmente dominar as músicas e dedicar horas. O [produtor e YouTuber] Rick Beato me ligou e disse: ‘Todo mundo está falando da sua performance. Uma coisa que eu notei é que você não apenas aprendeu as músicas. Você as interpretou.’
E eu disse: ‘Mas eu só fiz o que eu sempre faço.’ Eu só queria respeitar as músicas, conhecê-las bem, chegar lá sabendo o que estava fazendo, dar tudo de mim e ser eu.
Eu fiquei aqui nesse quarto — ao invés de aprender rapidamente, fazer uma hora por música — eu fiquei aqui por semanas, quatro ou cinco horas por dia, em pé, tocando como se fosse ao vivo. Não sentado, porque sentado é fácil. Tocando com a guitarra lá embaixo, perto do joelho, que é 20 vezes mais difícil — mas fica mais legal.
E eu apareci lá e fui com tudo. E, de repente, todo mundo falando. E tudo que eu fiz foi ser eu: fazer meu trabalho, aparecer e entregar. É isso.”
Nuno Bettencourt teve participação importante no show, chegando a atuar como guitarrista em clássicos como “Symptom of the Universe”, “Sweet Leaf” e “Changes” (em homenagem ao Black Sabbath). Além disso, ele também tocou em faixas da carreira solo de Ozzy, como “The Ultimate Sin”, “Believer” e “Bark At The Moon”.
O show ainda contou com diversas outras participações especiais, como Steven Tyler, Tom Morello e K.K. Downing, além do próprio Ozzy Osbourne e do Black Sabbath — sendo, sem dúvidas, um dos maiores eventos da história do Rock e do Metal.