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Nos bastidores da música: a patrulha do Metal segue tentando cancelar…

Escrever conteúdo opinativo para o público do Rock e Heavy Metal é uma via de mão dupla quando é necessário abordar determinados assuntos. Ao mesmo tempo em que muitas pessoas conseguem captar as principais mensagens e entendem determinados pontos sensíveis que precisam ser debatidos mais à fundo, outras não são minimamente capazes de interpretar frases simples e objetivas. Apesar desse retrospecto um tanto desanimador, alguns temas são necessários e nós seguiremos colocando o dedo na ferida até que o público do Rock entenda que certos comportamentos são destrutivos para o próprio Rock.

É impressionante como algumas pessoas não conseguem avaliar situações e acontecimentos sem enfiar suas malditas ideologias políticas no meio de tudo. Recentemente, publicamos um artigo que expunha algumas atitudes caricatas de alguns headbangers e, obviamente, quem se sentiu atingido não foi capaz de fazer uma auto avaliação (patrulhar a casa do vizinho é sempre mais fácil e cômodo, não é mesmo?). Como já era esperado, alguns nos acusaram, deturparam nossas falas, fizeram campanhas fracassadas para nos “cancelar” e, claro, passaram muita vergonha na internet (sim, mesmo que não percebam, essas pessoas passam muita vergonha quando resolvem incarnar o militante partidário detentor da verdade absoluta).

   

Um dos assuntos abordados no artigo mencionado era o ato de dividir o seu público estabelecendo posicionamentos extremos sobre temas polarizados. É um fato que essa não é uma boa estratégia para quem deseja viver de música, principalmente, nestes tempos atuais onde a política se tornou uma guerrinha de egos em frangalhos. Talvez, como fã de determinada banda, você ache bacana ver que os músicos possuem uma ideologia política, filosófica ou religiosa igual a sua, mas á partir do momento que esse artista se torna um militante chato, ele automaticamente vai falar para um público menor (mais especificamente, aqueles que concordam com ele). Dependendo do teor das declarações e, aqui devo registrar que muitos artistas cometem exageros e ultrapassam o limite aceitável partindo para declarações ofensivas, esses caras vão perder fãs, vão perder dinheiro e, claro, vão perder relevância.

Se você pensar em nomes como Roger Waters, Ted Nugent, Paul Stanley, James Hetfield, Dee Snider, Tom Araya ou qualquer outro desse núcleo mais badalado, é claro que não estarão nem aí para nada e falarão o que pensam sem pestanejar. Estão ricos, alguns milionários, suas vidas já estão ganhas e, independente das suas declarações e opiniões serem polêmicas, isso não vai impactar seus negócios e nem seu conforto. Todos eles serão capazes de falar o que bem entenderem em uma entrevista e depois, independente da repercussão, voltar para suas enormes casas e suas contas bancárias abundantes.

A mesma realidade não se aplica a esmagadora maioria dos músicos do Rock e Metal, e aqui me refiro a aqueles músicos que precisam matar um leão por dia e, mesmo assim, tem sofrido com um patrulhamento nonsense. É sobre esta classe que vamos falar.

Me deparei com uma entrevista muito interessante e reveladora concedida pelo vocalista Jeff Scott Soto e, peço que reparem bem, não estamos falando de um músico iniciante, mas de um cara com história. Soto tem em seu currículo bandas como Sons Of Apollo, Talisman, Journey e Yngwie Malmsteen, além disso, conta com uma carreira solo sólida e bastante frutífera. Na entrevista concedida ao “The Ron Keel Podcast”, o cantor foi questionado sobre como era ter que se equilibrar entre a linha tênue entre entreter seu público com sua arte e falar o que pensa sobre questões políticas. Ao contrário de muitos, Jeff Scott Soto evitou as respostas óbvias e fez uma análise contundente, mais aprofundada e, deveras, interessante. A resposta foi a seguinte:

“É meio que no mesmo contexto de ‘conheça o negócio, mantenha o negócio’. Percebi que há muita divisão de pensamentos, sentimentos e emoções. E não sou de deixar de ser um amigo ou de falar com um membro da família porque seus pontos de vista são diferentes dos meus, a menos que você esteja falando sobre pedofilia, a menos que você esteja falando sobre algo tão extremo como, ‘bem, eu acredito que Charlie Manson foi um profeta’. É aí que eu traço um limite. Mas quando se trata de religião, gênero ou pontos de vista políticos, se você é meu amigo, você é meu amigo. E você é meu amigo porque gosto de você como pessoa, não porque você torce para o mesmo time, por assim dizer. E isso é o que considero um grande problema hoje.

Eu odeio o fato de que não podemos falar abertamente o que pensamos, não podemos fazer nossas vozes serem ouvidas, porque as pessoas querem apenas que nós nos calemos e cantemos. Eles dizem ‘não nos importamos com seus pontos de vista’. Mas espere, o que faz você pensar que eu me importo com os seus pontos de vista? Você é um fã, você é alguém que compra minha música, você é alguém que me ouve cantando. Eu também não quero saber suas opiniões políticas, mas eu sou obrigado a saber porque você parece jogá-las e atirá-las em mim toda vez que tento fazer uma declaração que nem tem nada a ver com algum político. Eu postei outro dia sobre meu amor pelos Lakers e estou muito feliz que os Lakers trouxeram o campeonato para casa este ano, e eu fui detonado. Os Lakers e a NBA decidiram apoiar o ‘Black Lives Matter’ em toda a temporada, então o fato de eu torcer para o Lakers para muitos significou que eu automaticamente sou um extremista de esquerda, porque estou seguindo a plataforma deles e aceito isso, e se eu estivesse na ala da direita, eu teria que ter dito para o meu time tirar umas férias. Veja bem, você está entrando na minha cabeça sem nem mesmo saber quem e o que sou!

Estou empolgado e comemorando um momento do esporte e você está falando mal disso porque acha que estou tentando fazer uma declaração política. É por isso que, pessoalmente, acabei por recuar. Percebo, especialmente no meu nível, e eu não estou no nível de um Bono ou um Brian May, onde se eu perder 50% da minha base de fãs, eu vou ficar bem Se eu perder 50% da minha base de fãs, eu posso muito bem começar a trabalhar em um posto de gasolina.

Digo aos meus amigos: ‘Escute, contanto que você não tenha problema com isso, eu não tenho’. Mesmo quando divirjo de meus amigos, nós meio que brincamos e rimos, falamos coisas como ‘você é um idiota. Não há como você acreditar nisso.’ E isso sem dizer nada sobre de quem estou falando ou do que estou falando. Esqueça a política. Estou dizendo no geral, você pode concordar ou discordar e ainda assim amar um ao outro, e isso é uma coisa que eu realmente sinto que está faltando neste momento no mundo todo.”

Estas declarações de Jeff Scott Soto levantam muitos pontos que nós aqui já ressaltamos há tempos e precisam ser debatidos com seriedade. Quando nós falamos que dividir o público é algo extremamente nocivo e os que embarcarem nesta onda, correm o risco de perder dinheiro, entre outras coisas, precisamos enxergar que outros problemas seríssimos estão enraizados nesta questão. O correto seria Jeff Scott Soto e qualquer outro artista poder falar sobre o que bem entender e os fãs simplesmente tratarem isso como algo normal. Porém, com a polarização, isso nem sequer é mais possível. Um músico entrega arte para o seu fã, um músico não precisa ser o espelho ideológico do fã. Um músico jamais deveria se sentir coagido a replicar um discurso só por que parte da sua base de fãs embasa esse discurso, um fã não deveria exigir que um músico exponha suas posições se ele assim não desejar. Mais do que isso, as pessoas precisam aprender que ninguém perde seu talento ou importância na música por que deu uma declaração pessoal sobre o que pensa à respeito de um tema extra-música.

O Rock e o Heavy Metal vem se tornando um ambiente hostil à todos por que meia dúzia de idiotas resolveram bradar que dentro do ambiente musical, a política é mais importante que a própria música. Isso não existe! Em um gênero que sempre foi, desde os seus primórdios, um grito de liberdade, estamos vendo uma galera restringir a liberdade dos próprios artistas e dos fãs por que “é um absurdo ser roqueiro conservador”, “é um absurdo ser um roqueiro socialista”, “é um absurdo ser do Metal e cristão”, “é um absurdo não passar pano para determinado corrupto de estimação”. Galera, sabe o que é um absurdo? É um absurdo pregar tanta tolerância, amor, ser todo politicamente correto e engajado, mas ao mesmo tempo, não saber respeitar as individualidades, opiniões divergentes e, pior que isso, covardemente atacar quem não faz parte do seu clube do bolinha particular. Um absurdo, é você no alto da sua arrogância, se achar mais headbanger que o outro por que você segue uma ideologia político partidária diferente.

Tom Araya e Mille Petrozza, ambos “preocupadíssimos” com a posição política um do outro

Por mais que seja indigesto, o direcionamento desta conclusão precisa ser ao roqueiro militante. E você precisa ter plena consciência que, não, o seu amigo militante não se politizou, ele apenas polarizou. E escolher um time para torcer não faz de ninguém um expert em economia, um cientista político, um sociólogo, tão pouco, dá a uma pessoa superpoderes para escolher o que é certo ou errado. Entenda, o que uma pessoa expressa, é apenas a opinião dela. Como uma pessoa se posiciona sobre determinado assunto e as coisas que ela decide seguir ou acreditar, não é da sua, nem da minha e nem da conta de ninguém, simples assim. Está na hora de amadurecer e deixar de ser aquele menininho(a) mimadinho(a) da quarta série que quer que a sua vontade seja imposta sobre a vontade dos demais. Por mais que alguns acreditem que tem esse direito, ninguém tem o direito de patrulhar ou exigir nada dos outros, não existe nenhuma polícia virtual do Metal que precisa ser obedecida.

Diretamente a patrulha agora: quando alguém não fizer o que vocês querem, não pensar como vocês querem e não agir como vocês querem, podem espumar de raiva à vontade, mas não adianta se desfazer, caluniar, detratar, taxar, tentar humilhar ou demonizar. Se vocês não conseguirem argumentar e, no campo das idéias, perderem a discussão, significa que não conhecem seu “time” como deveriam. E aí no caso, o famoso “vai estudar” repetido por muitos talvez sirva para si. Partir para o ad hominem só demonstra ignorância e intolerância.

Por aqui, nós já estamos mais do que acostumados com ataques e, não importa quantas vezes essa galera aparecer para nos taxar ou criticar, nós sempre vamos levantar a única bandeira possível em uma mídia como esta, que é a bandeira do Rock e do Heavy Metal. Nós sempre vamos apontar esse tipo de atitude escrota, doa a quem doer e, não importa se o que falarmos irá magoar as suas convicções políticas, a grande verdade é que seja você de esquerda ou direita ou do raio que o parta, se você for um chato cagador de regras onde em um ambiente feito para se falar de música, coloca as suas baboseiras político partidárias na frente da arte, você na verdade não gosta de Rock e nem de Metal, você gosta de ideologia. Se você vê o coleguinha do lado como um inimigo e um ser abominável só por que ele tem posições diferentes da sua, você é um intolerante preconceituoso incapaz de conviver em sociedade. Se você acha que uma letra política com a opinião pessoal de um mero músico é mais importante do que a própria música feita por ele, esta na hora de você ouvir menos Rock e ler mais livros.

Definitivamente, existe uma galera que não aprendeu nada com o Rock.

Um gênero que sempre se caracterizou pela liberdade, atitude, rebeldia e pelo politicamente incorreto, está infestado de cagadores de regras, mimizentos e passadores de pano de político safado. Certamente, Lemmy se revira no túmulo…

Redigido por Fabio Reis

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