No Deep Purple, Ian Gillan e Blackmore não queriam ficar no mesmo ambiente nos últimos meses da Mark II

No Deep Purple, Ian Gillan e Blackmore não queriam ficar no mesmo ambiente nos últimos meses da Mark II
(Photo by Bob King/Redferns)

A formação clássica do Deep Purple, também conhecida como Mark II, vivia um relacionamento tenso e conturbado em seus últimos meses, quero dizer, Ritchie Blackmore e Ian Gillan não se aturavam mais e também não conversaram uma única vez nesse período final da Mark II.

Uma matéria da Guitar Player resgatou essa história.

Naquela fase, o Deep Purple estava passando para a formação clássica da Mark II: Ritchie Blackmore, Jon Lord, Ian Paice, junto com Roger Glover no baixo e Ian Gillan nos vocais. Foi esse time que deu o peso e a identidade sonora em álbuns como “In Rock”, “Fireball” e “Machine Head”. Só que, apesar do sucesso, a convivência entre Blackmore e Gillan começou a ficar complicada.

“Ele era, como dizem, um cara alfa. Eu também”, lembrou Blackmore no documentário de 2015, The Ritchie Blackmore Story. “Ele queria controlar, eu queria controlar. Então, nós nos desentendemos por causa disso.

Ainda nos respeitávamos, mas nunca nos demos bem. Simplesmente não conseguíamos ficar no mesmo ambiente. Esse era o problema. Não estávamos nos falando, e simplesmente não estava dando em nada. Eu não falava com ele; ele não falava comigo. Não estávamos sendo criativos.”

Os dois já tinham entendido que, se ninguém tomasse a decisão de pular fora, a coisa ia terminar em briga feia. No fim, Gillan topou sair com um ano e meio de antecedência, segundo Ritchie Blackmore.

Foi nesse clima turbulento que começaram a surgir as músicas do último álbum daquela fase, “Who Do We Think We Are”.

“No último ano de vida da banda, acho que Ritchie ou Ian Gillan não trocaram uma palavra sequer”, disse Glover em uma entrevista à BBC. “Eles se tornaram dois polos, porque quanto mais um fazia, mais o outro fazia. E quanto mais um se safava, mais o outro estava determinado a se safar.”

A relação entre os dois ia de mal à pior: tensão no ar, silêncio pesado, e ainda por cima questões de saúde de alguns membros também não ajudavam — cansaço, doenças, tudo jogava contra. Mesmo assim, o álbum saiu, outra vez gravado no Estúdio Móvel dos Rolling Stones. Blackmore queria puxar o som de volta pro blues, porque achava que “Machine Head” tinha ficado “comercial demais”, ele não gostava disso.

No fim, o disco estourou: entrou no top 5 no Reino Unido e ficou no 15º lugar nos EUA. Só que, atrás das cortinas, a harmonia estava cada vez mais em frangalhos. A banda sobreviveu se reorganizando, mas Jon Lord sempre ficou com aquele pensamento: “e se tivesse sido diferente?”.

“Foi a maior vergonha do rock and roll”, disse ele (via Ultimate Classic Rock). Só Deus sabe o que teríamos nos tornado nos próximos três ou quatro anos.”

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