Nile: “Se eu tivesse que escolher entre violência e maldade ou perfeição técnica, eu escolheria violência e maldade!”, diz Karl Sanders

Nile: "Se eu tivesse que escolher entre violência e maldade ou perfeição técnica, eu escolheria violência e maldade!”, diz Karl Sanders
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Karl Sanders, único membro remanescente original do Nile, falou sobre o processo de criação de “Black Seeds Of Vengeance”, um dos seus álbuns mais aclamados lançado no outono do ano 2000, e que veio após o icônico disco de estreia “Amongst The Catacombs Of Nephren-Ka”, de 1998. Falando à Metal Hammer, Karl Sanders relembra os desafios e as dificuldades, e o sacríficio e a dedicação empregados no material que os alçou naquele momento a uma espécie de nova liderança na cena do Death Metal:

“Nada saiu como planejado naquele disco. Passamos muitos meses ensaiando as músicas e estávamos em turnês intensas, tocando com toda a nossa alma, porque essa era a nossa chance, finalmente. Depois de uma década presos na Carolina do Sul, estávamos famintos, então estávamos nos dedicando ao máximo.”

Pouco antes da gravação do disco, o baterista Pete Hammoura sofreu uma lesão no ombro da qual nunca se recuperou completamente. Mas Pete estava decidido a dar tudo de si para concluir o álbum, e ele trabalhou obstinadamente por duas semanas, mesmo com dores, mas acabou chegando à conclusão de que a banda precisaria de um novo baterista:

“Foi realmente de partir o coração. Pete e eu éramos melhores amigos, tocamos em várias bandas – até namoramos as mesmas gêmeas! Ele é como da família para mim, e ainda é.

Mas já tínhamos consumido metade do tempo de estúdio que nos foi concedido e, em vez de gravarmos um disco em um mês, agora tínhamos basicamente 11 dias para fazer tudo. O dinheiro estava acabando, estávamos todos sem um tostão, então tivemos que nos concentrar e trabalhar sem parar, ferozmente.”

Derek Roddy, um dos amigos de Karl, era um baterista promissor e trabalhava como músico de estúdio na época. Hoje, Roddy é um dos mais respeitados percussionistas do metal extremo. Karl relembra como foi trabalhar com Roddy:

“Ele não tinha essa reputação naquela época!. [Risos] Ele era apenas nosso amigo excêntrico, um cara que conhecíamos e gostávamos, que fazia parte do nosso pequeno círculo de amizades. Mas ele era o cara certo na hora certa. Por alguma obra do destino ou alinhamento dos planetas, ele não estava ocupado quando ligamos.

Ele dirigiu até a Carolina do Sul, nunca tinha ouvido as músicas – isso soa como uma lenda inventada, mas ele montou a bateria, colocou os fones de ouvido, ouviu [a demo] uma vez, disse: ‘OK, me dá o metrônomo’, e na primeira tomada gravou quase metade da música. E as faixas ficaram totalmente aproveitáveis. Ficamos todos tipo: ‘Caramba!'”

Ele acrescentou:

“E foi assim que trabalhamos – gravávamos cada trecho de cada música na primeira ou segunda tomada. Era impressionante a capacidade dele de perceber o que precisava fazer e executar na hora, porque sabíamos muito bem que não haveria segunda chance se errássemos.

A pressão era grande, e Derek realmente correspondeu às expectativas. Mas todos que trabalharam nesse disco tiveram que estar à altura do desafio. Isso representou um verdadeiro crescimento para nós, provando que podíamos nos superar e alcançar um novo patamar.”

Infelizmente, a banda passou por uma dissolução de sua formação original de três integrantes após a turnê de Black Seeds Of Vengeance, que elevou o Nile a um dos nomes mais importantes da cena Death Metal mundial. O baixista Chief Spires decidiu pular fora ao término da turnê:

“Havia animosidade ali. Ele não estava feliz. Não tivemos tempo suficiente para gravar as partes com o baixo neste disco como queríamos, então tenho certeza de que isso foi um fator.”

Ao se lembrar da última vez em que esteve com Chief na última reunião da banda com o baixista, Karl conta que Chief disse que sua nova banda de nu metal venderia “cinco vezes mais discos” do que os 50.000 que “Black Seeds Of Vengeance” vendeu:

“Não saiu exatamente como ele pensava.”

Black Seeds… também marcou a entrada do guitarrista Dallas Toler-Wade:

“Não havia como parar aquele cara. Ele era extremamente determinado, algo com que me identificava muito. Por muitos anos, Dallas e eu fomos companheiros de equipe muito próximos, trabalhando em perfeita sintonia. Isso só mudou muitos anos depois.”

Tensão no palco e nas relações entre a banda

A agenda do Nile era puxada e, consequentemente, isso acabou por gerar tensão entre os membros. As relações se deterioraram e, além disso, eles tinham que proteger a si mesmos e os seus próprios instrumentos no palco:

“Éramos uma banda jovem, no fim da fila, tentando provar nosso valor em todos os lugares e tendo que ser nossa própria segurança no palco. Houve muitos incidentes violentos naquela turnê do Black Seeds… A gente se defendia de fãs que invadiam o palco, pessoas corriam e esbarravam na gente. Foram tempos violentos.”

Ele continuou:

“Eu entendi a equação: se eu deixar alguém pisotear meus equipamentos de sintetizador frágeis, não terei show no dia seguinte. Se você tem filhos pequenos e um emprego, o valor que você investe só para ir em turnê é muito alto. Ninguém ajuda a pagar as passagens aéreas, você está fazendo tudo do seu próprio bolso.

Nossas famílias estavam todas falidas; o pouco dinheiro que ganhávamos mandávamos para casa, porque se não mandássemos, a esposa não conseguiria pagar o aluguel.

Eu não era mais um garoto bobo naquela época, eu entendia todas as maneiras pelas quais as coisas podiam dar errado.”

Felizmente, “Black Seeds of Vengeance”, caiu nas graças dos fãs e elevou o Egito Antigo à níveis mais altos. Karl adquiriu livros didáticos egípcios e os espalhou pela casa e, à partir daí, ele começou a imprimir as letras em pergaminho amarelo como uma forma de mergulhar fundo naquele mundo para compor as suas músicas com tanta singularidade.

Contudo, Karl tem uma pequena crítica sobre o disco:

“Black Seeds… é uma mixagem péssima. Consigo sentir a pressão, está tudo sob controle. Isso tornou parte da energia sombria ainda mais sombria, porque há um desespero nela; é definitivamente ‘tudo ou nada’.”

O disco hoje é visto como um dos trabalhos mais conceituados já produzidos no Death Metal, e Karl contou como se sente sobre isso:

“Isso tocou as pessoas. Elas conseguiram extrair algo que desejavam, que acredito ser as músicas, a violência, a energia, a obscuridade. É isso que importa. Este disco está longe da perfeição, mas tem uma vibe… há uma violência inegável. Se eu tivesse que escolher entre violência e maldade ou perfeição técnica, eu escolheria violência e maldade!”

Em seguida, aprecie “Black Seeds Of Vengeance” sem moderação!

1 comentário
  • é claro que técnica e importante porem ter personalidade e estilo proprio na minha visão e muito mais importante,e o nile tem isso de sobra adoro a dinamica de varios vocais com estilos diferentes da dinamismo insano para banda.

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