Nicko McBrain relembra era Blaze Bayley e retorno de Bruce Dickinson no Iron Maiden: “Foi tudo plano de Deus”

No auge comercial do Iron Maiden, impulsionado pelo sucesso estrondoso de Fear Of The Dark, o vocalista Bruce Dickinson decidiu deixar a banda em 1993 para investir em sua carreira solo. A saída abriu caminho para a entrada de Blaze Bayley, que assumiu os vocais em um momento delicado da trajetória do grupo.
Durante esse período, o Maiden lançou dois discos: The X Factor e Virtual XI. Na época, ambos enfrentaram forte rejeição por parte do público e da crítica especializada, ficando aquém das expectativas comerciais e artísticas. Ainda assim, com o passar dos anos, esses trabalhos conquistaram uma base fiel de admiradores. Hoje em dia, ambos os discos passaram por uma reavaliação mais positiva entre fãs do Heavy Metal.
Nicko McBrain comenta os desafios da era Blaze
Em entrevista recente à revista Kerrang!, o ex-baterista Nicko McBrain refletiu sobre aquele momento de transição na banda:
“Para Blaze Bayley substituir Bruce Dickinson foi muito difícil”, disse Nicko. “Bruce era mais soprano do que barítono, que é o que eu acho que o Blaze era, então houve uma questão com os fãs aceitarem ele, e estávamos tocando em teatros pequenos, e fizemos alguns shows em clubes na Flórida. Mas aqui está a questão: isso nunca diminuiu o espírito da banda. Em certos shows, Blaze teve dificuldades e os fãs meio que pensaram: ‘Ah, isso não é realmente o Maiden no seu melhor’, mas ainda éramos o Maiden, apenas um Maiden diferente. A essência da banda não tinha mudado nem um pouco.”
Na sequência, o baterista destacou a relação próxima que construiu com o vocalista:
“Com o Blaze, eu adorava aquele cara. Eu era uma figura paterna para ele, eu disse: ‘Vou te colocar debaixo da minha asa quando sairmos em turnê’. Passamos muito tempo juntos, e eu gostava muito dele. No fim, eu tive minhas apreensões, por assim dizer, sobre algumas das performances à medida que avançávamos rumo à turnê de Virtual XI, que está documentada no filme. Mas nunca perdemos a essência do que o Iron Maiden era, especialmente com Steve Harris no comando. Steve nunca vacilou e apoiou Blaze 125.000.000 por cento, como todos nós. Mas então começaram a aparecer rachaduras. Parecia que ‘precisamos mudar isso ou não vamos sobreviver’. E então Bruce, obviamente, voltou, e sabemos o que aconteceu.”
Além dos desafios musicais, Nicko também revelou que guardou ressentimentos pela saída de Bruce nos anos 90. E isso foi algo que ele certamente fez questão de resolver quando o cantor retornou ao grupo:
“Eu sabia que precisava dizer algo a ele, porque era assim que eu me sentia. Eu me senti traído por ele, no meio da turnê de Fear of the Dark, quando anunciou que iria sair. Pensei: ‘Vou ter que resolver isso com ele’. Havia dúvidas sobre os motivos dele para voltar. Mas, depois daquela primeira reunião em Brighton, ficou resolvido. Estávamos no pub, coloquei o braço em volta dele e disse: ‘Olha, cara, é ótimo, fico feliz que você tenha voltado, mas escuta, não posso mudar o que sinto nem o que disse sobre isso. Eu te amo, mas é assim que me sinto’. Ele apenas se virou e disse: ‘Eu não gostaria que fosse de outro jeito, Nicko, eu também te amo’. E foi a última vez — até hoje — que falamos sobre isso.”
Para Nicko, o retorno de Bruce ao Iron Maiden não foi apenas uma decisão estratégica, mas algo maior:
“Acho que foi tudo plano de Deus — não plano do Rod Smallwood, com todo respeito — porque quem mais poderia planejar isso senão Deus dizendo: ‘Certo, vocês vão ter um novo vocalista, depois vão trazer o antigo de volta, e ele vai trazer o Adrian Smith com ele, e então vocês vão fazer aqueles discos’. Lançamos Brave New World, que foi o começo do nosso retorno às turnês em mega estádios, o que nos colocou de volta no mapa. A volta de Bruce e Adrian completou a banda.”
Eddfest e reconhecimento à era Blaze
Curiosamente, anos depois de toda a controvérsia, a própria banda passou a valorizar mais aquele período. Em julho, o Maiden realizará o festival Eddfest, que terá Blaze Bayley como headliner do primeiro dia, apresentando músicas justamente de The X Factor e Virtual XI.
Além disso, Blaze também foi incluído entre os integrantes que serão homenageados com a indução do Rock And Roll Hall Of Fame neste ano — um reconhecimento simbólico que reforça a importância de sua passagem pela história da banda.