Nicko McBrain admite erro do Iron Maiden com Blaze Bayley: “Deveríamos ter mudado o tom das músicas”

O ex-baterista do Iron Maiden, Nicko McBrain, reconheceu que a banda poderia ter tomado decisões diferentes para facilitar o trabalho de Blaze Bayley, vocalista que substituiu Bruce Dickinson durante a década de 1990. Em entrevista ao canal Classic Album Review, divulgada neste domingo, 25 de outubro, o músico afirmou que o grupo deveria ter adaptado a tonalidade de determinadas composições ao registro vocal de Blaze.
A declaração surgiu enquanto Nicko comentava sua autobiografia, Hello Boys And Girls!, e relembrava o período compreendido entre 1994 e 1999, quando Bayley esteve à frente do Iron Maiden.
Segundo o baterista, a diferença entre as características vocais dos dois cantores era considerável. Enquanto Dickinson sempre se destacou pela capacidade de alcançar notas agudas, Blaze possuía uma voz naturalmente mais grave. E isso tornava particularmente difícil interpretar determinadas músicas escritas para seu antecessor.
“Para ser justo com Blaze, nós não transpusemos as músicas. Deveríamos ter baixado meio tom ou um tom inteiro.”
Nicko reconheceu que o problema se tornou especialmente evidente durante a turnê de Virtual XI, em 1998. Na ocasião, Bayley enfrentou dificuldades para interpretar determinadas composições do repertório clássico.

Nicko também relembra as dificuldades dentro da banda
O baterista revelou que mantinha uma relação próxima com Blaze, funcionando como uma espécie de conselheiro durante sua passagem pelo grupo. Segundo ele, o vocalista frequentemente procurava sua opinião sobre como lidar com determinadas situações envolvendo Steve Harris e os demais integrantes.
Por isso, o encerramento daquela fase não foi simples. Nicko contou que ficou decepcionado com algumas apresentações, mas reconhece hoje que a própria banda poderia ter oferecido condições melhores ao cantor.
A saída de Blaze Bayley aconteceu em 1999, quando o Iron Maiden decidiu promover o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith. Segundo McBrain, o vocalista recebeu a notícia de maneira respeitosa, apesar da frustração natural de perder seu posto.
Na mesma entrevista, o baterista também relembrou os conflitos provocados pela saída de Dickinson, em 1993. Ele admitiu ter ficado bastante irritado com a decisão do cantor de comunicar antecipadamente que deixaria a banda. No entanto, explicou que os dois resolveram suas diferenças quando Bruce retornou.
Uma fase que merece ser reavaliada?
A passagem de Blaze Bayley pelo Iron Maiden resultou em dois álbuns, The X Factor (1995) e Virtual XI (1998), trabalhos que dividiram opiniões na época e que, com o passar dos anos, passaram a receber uma avaliação diferente de parte dos fãs.
Músicas como “Sign Of The Cross”, “The Clansman”, “Futureal” e “Man On The Edge” permanecem associadas àquela formação. E algumas delas inclusive ganharam espaço nos repertórios posteriores com Bruce Dickinson.
A declaração de Nicko McBrain acrescenta um elemento importante ao debate: até que ponto as dificuldades enfrentadas por Blaze foram consequências de suas características vocais, e quanto se deve às decisões da própria banda?
Mais de duas décadas depois, ouvir um dos integrantes reconhecer que o Iron Maiden poderia ter adaptado seu repertório torna a discussão especialmente interessante.

