Nergal rebate críticas ao título The Shit Ov God e diz que o disco “é mais filosófico do que parece”

As críticas viraram rotina para Adam “Nergal” Darski. Desta vez, porém, o alvo não foi a sonoridade do Behemoth, nem a eterna acusação de “mainstream” — e sim o nome do novo álbum, The Shit Ov God. Em entrevista ao veículo australiano Heavy, o vocalista e guitarrista decidiu encarar a polêmica de frente e explicou por que enxerga o título como algo muito mais profundo do que um choque barato.
O desafio de “se reinventar” e a comparação com Metallica e Judas Priest
Ao falar sobre o peso de lançar discos com frequência sem perder relevância, Nergal colocou o Behemoth na mesma conversa de gigantes. Ele citou Metallica e Judas Priest como exemplos de bandas que também lidam com a cobrança por “algo fresco” a cada ciclo — e lembrou que James Hetfield já comentou publicamente como o sucesso do Black Album criou uma régua quase impossível de superar.
Ainda assim, Nergal não usou isso como desculpa. Pelo contrário: ele tratou essas referências como combustível. Se o Judas Priest conseguiu entregar trabalhos fortes recentemente — com destaque para Firepower — então, na visão dele, o Behemoth também pode (e deve) se cobrar.

A declaração completa de Nergal, traduzida para o português
Abaixo, a fala de Nergal na íntegra, em tradução para o português, conforme a transcrição publicada a partir da entrevista ao Heavy:
“Obviamente, é cada vez mais exigente, mais desafiador. Mas quem somos nós para dizer isso? Basta pegar o Judas Priest ou o Metallica: o tamanho da tarefa que é para essas bandas criar algo que vai ser… Quero dizer, o James Hetfield, do Metallica, fala abertamente sobre isso agora. O ‘Black Album’ do Metallica foi aquilo, e desde então é uma luta. E ‘eu nunca estive totalmente’ — foi isso que ele disse — ‘eu nunca estive totalmente feliz com o que a gente faz.’ E ele disse isso. Então, acredite em mim, não é uma tarefa fácil. Longe disso. É por isso que, às vezes, eu preciso me zerar.”
“Fazendo referência ao disco mais recente do Behemoth, o ‘The Shit Ov God’ de 2025, Nergal continuou: ‘Algumas pessoas entenderam, outras não entenderam. Quando eu dei esse título ao nosso disco mais recente, elas ficaram tipo: “Ah, Nergal, você consegue fazer melhor do que isso.” Não, eu não consigo fazer melhor. Isso é o melhor que eu posso te dar. E se você não quiser olhar para isso e só enxergar que não é apenas um slogan primitivo ou simples, é porque você não cavou fundo o suficiente. É algo muito mais do que um título provocativo. Não é um título estúpido. Só pegue o disco, leia as letras. Faz sentido. Você só precisa fazer um esforço, como fã, para digerir isso, processar isso e, eventualmente, entender isso. Eu fiz o meu trabalho. Agora depende de você.’”
“Ele acrescentou: ‘Eu sei que é um título desafiador e um disco desafiador, e não é uma conversinha satânica. Nunca foi. É um álbum exigente, com um título que pode fazer você pensar: “Ah, tem algo errado com esses caras. Eles não conseguiram criar algo complexo e filosófico.” Mas é mais filosófico do que você imagina.’”
“Nergal completou: ‘Com esse título, eu meio que me zerei. Porque antes eu usei Opvs Contra Natvram, que vem do Jung, mas quem conhece Jung? Depois usei I Loved You At Your Darkest, inspirado na Bíblia, e mesmo assim as pessoas reclamavam. Sempre vinha a frase: “Você não supera The Satanist.” E não dá para superar. Esse tipo de título acontece uma vez na vida. Então você precisa ir para o extremo oposto, pegar as pessoas desprevenidas. Tipo: “Que porra é essa?” E isso é The Shit Ov God.’”
“Ele finalizou: ‘Agora que eu me zerei, posso construir algo de novo, mais sofisticado e complexo. Se você olha para os títulos dos discos do Behemoth — The Satanist, I Loved You At Your Darkest, Opvs Contra Natvram e agora The Shit Ov God — são quatro propostas completamente diferentes. Eu não faço isso para você gostar. Eu faço para confundir. Esse é o meu objetivo. E eu consegui.’”

O que Nergal está dizendo, no fundo, sobre o Behemoth hoje
Quando Nergal afirma que não consegue “fazer melhor” do que The Shit Ov God, ele não está se diminuindo. Ele está afirmando uma postura clara: o Behemoth não busca consenso. O disco exige envolvimento, leitura de letras e conexão de referências, tratando o título como parte integral da mensagem — não como provocação vazia.
Ele também reconhece algo que muitas bandas evitam admitir: certos álbuns se tornam monumentos. Assim como fãs insistem que nada supera The Satanist, outras bandas vivem sob a sombra de seus próprios marcos. A resposta de Nergal não foi competir em grandiosidade, mas criar contraste, ruptura e desconforto.
Lançamento, produção e o time por trás do álbum
O Behemoth lançou The Shit Ov God em maio, via Nuclear Blast Records, com produção de Jens Bogren, no Fascination Street Studios, conhecido por trabalhos com Emperor, Enslaved, Kreator e Rotting Christ. A arte de capa ficou a cargo de Bartek Rogalewicz (Black.lodge.is.now) em colaboração com o Dark Sigil Workshop.
No fim, o recado de Nergal é direto: o Behemoth segue em movimento constante. E, se depender dele, continuará incomodando — exatamente como sempre quis.