Necrobutcher fala sobre a força criativa do Mayhem: “Este é o trabalho da minha vida. Esta é a essência de tudo que fiz”

Quarenta anos depois de fundar o Mayhem, Jørn “Necrobutcher” Stubberud continua enxergando na banda a mesma centelha que o guiou na juventude. Ao relembrar o início, o músico descreve um sentimento quase físico de certeza quando começou a tocar com os primeiros integrantes, especialmente após cruzar caminhos com Øystein “Euronymous” Aarseth. Segundo ele, a energia compartilhada ao tocar covers de Venom, Motörhead, Judas Priest e Black Sabbath deixou claro que aquele seria o projeto de sua vida — um propósito artístico que o acompanhou sem hesitação através das décadas.
Mesmo com a história turbulenta e o passado obscuro que acompanham o Mayhem, Necrobutcher nunca enxergou a banda como algo frágil ou efêmero. Ele afirma que acreditou profundamente na música desde o começo, convencido de que o grupo carregava algo único e poderoso. Essa confiança, segundo ele, sustentou a banda nos momentos mais difíceis e deu forma à identidade do black metal que o Mayhem ajudaria a redefinir.
A entrevista em questão foi ao Metal Memes Mx e você pode ler a declaração completa abaixo. “Necrobutcher” disse o seguinte quando questionado se quando o Mayhem foi formado em 1984, ele imaginava que a banda ainda estaria na ativa 40 anos depois:
“Sim. E a razão pela qual posso dizer isso tão rapidamente, sem nem pensar, é que eu acho que, como na maioria das coisas, para colocar em perspectiva e fazer as pessoas entenderem, quando você encontra algo em que acredita muito, você pensa: ‘É isso’. E só com isso, você já passa a acreditar que aquilo vai ser tão grandioso que vai durar para sempre. Então, eu acho que você até precisa desse tipo de mentalidade para conseguir ter sucesso. Você diz para si mesmo: ‘Isso é foda. Isso vai direto para o topo. Nós vamos conseguir. Isso é música boa.’”
Ele continuou: “Eu disse em muitas entrevistas ao longo dos anos que eu e o Manheim, o cara com quem comecei a banda, tivemos diferentes grupos antes de conhecer o Øystein [Aarseth, mais conhecido como Euronymous]. E eu acho que o Øystein era nosso quinto guitarrista naquela época, quando apareceu em 1984. E quando ele conectou a guitarra e começou a tocar com a gente, ele conhecia algumas das mesmas músicas que fazíamos cover. Tocamos alguns covers de Venom. Fizemos alguns covers de Motörhead. Acho que fizemos um cover de Judas Priest, e conhecíamos algumas do Black Sabbath. Então meio que conhecíamos as mesmas faixas cover. Quando começamos a tocar isso juntos, senti imediatamente — e nunca esqueci — uma sensação de euforia. Foi como: ‘É isso. É isso que estávamos procurando.’ E eu sempre senti isso, e senti tão profundamente por esse projeto durante toda a minha vida. Este é o trabalho da minha vida. Esta é a essência de tudo que fiz, da minha vida inteira. Então, sempre acreditei nisso.”
A convicção pessoal que moldou uma trajetória extrema
Ao comentar a longevidade do grupo, Necrobutcher reforça que a motivação nunca veio de ambições comerciais. Ele reconhece que o Mayhem permanece no circuito underground — distante de nomes como Metallica — mas afirma que isso nunca importou. A verdadeira realização, diz ele, surge no palco, onde a banda mantém sua essência desde 1984. Para Necrobutcher, tocar ao vivo continua sendo a razão de existir do Mayhem, e esse impulso emocional garante que a chama permaneça acesa.
Por fim, o baixista explica que o futuro da banda depende da presença de seus membros fundamentais, como Hellhammer, Attila Csihar, Teloch e Ghul. Ele reconhece que o tempo impõe limites, mas reforça que seguirá em frente enquanto a música continuar vibrando dentro dele. Afinal, para Necrobutcher, o Mayhem não é apenas uma banda — é a obra de sua vida, construída sobre uma devoção inabalável ao poder transformador do som extremo.
O Mayhem lançará seu novo álbum de estúdio intitulado “Liturgy Of Death” no próximo dia 6 de fevereiro de 2026 através do selo Century Media.