Nazghor revisita as próprias origens em “A World Ablaze”, álbum inspirado no incêndio que destruiu Uppsala

Photo: Madcap Piktures

O Nazghor lançou em 20 de fevereiro de 2026, pela Solistitium Records, “A World Ablaze”, oitavo full-length de sua discografia. Mas existe uma particularidade importante: o trabalho não é formado por nove composições inéditas. A banda sueca voltou aos primeiros anos de sua história, desmontou músicas antigas e as reconstruiu com a formação, produção e identidade que possui atualmente.

São oito regravações de músicas provenientes dos três primeiros álbuns, lançados entre 2013 e 2014, além disso, há a breve instrumental inédita “Porta Atra”. Em vez de simplesmente remasterizar o material original, o grupo rearranjou as faixas, bem como procurou torná-las mais pesadas, rápidas e ameaçadoras.

Uppsala em chamas

O conceito utilizado para reunir esse passado surgiu de um acontecimento ocorrido muito antes da existência da banda. Em 1702, um enorme incêndio devastou Uppsala, cidade natal do Nazghor. Séculos depois, o grupo decidiu transformar aquele episódio em metáfora para a própria trajetória.

“Velhas músicas se levantam novamente, reforjadas em fogo e escuridão.”

Segundo o Nazghor, “A World Ablaze” funciona simultaneamente como homenagem à cidade que conseguiu se reconstruir depois da tragédia e sobretudo à própria banda, que retorna às suas primeiras composições para lhes dar uma nova vida.

O vocalista Nekhrid explicou que o objetivo não era criar uma continuação direta de “Seventh Secular Crusade”, de 2022.

“Enquanto ‘Seventh Secular Crusade’ era uma marcha mais melódica por uma estrada movimentada, este álbum é uma devastação em grande escala.”

Ele compara justamente essa abordagem à velocidade com que o incêndio de 1702 tomou Uppsala, tornando praticamente impossível combatê-lo.

As músicas antigas foram desmontadas e reconstruídas

A escolha por revisitar o passado não significa que o Nazghor simplesmente reproduziu as gravações originais.

Nekhrid explica que as composições foram rearranjadas e remodeladas especificamente para este disco. As guitarras ganharam maior profundidade, os vocais passaram a ocupar outro espaço na mixagem e a produção ficou significativamente mais pesada.

O vocalista resumiu o processo de maneira bastante direta:

“Desmontamos essas músicas antigas e as reconstruímos em uma corrente massiva que não é apenas ameaçadora e agressiva, mas também bonita.”

A banda diz ainda que essa mudança acompanha sua própria evolução ao vivo. O Nazghor atual seria mais violento e menos cerimonial no palco do que em seus primeiros anos.

Musicalmente, permanece a combinação de Black Metal sueco, melodias sombrias e atmosfera, agora apresentada com uma produção mais clara e encorpada.

“Cursed And Unblessed” abriu o ciclo

O primeiro aperitivo foi “Cursed And Unblessed”, lançado ainda em dezembro de 2025. Depois vieram “Baptized In Blood” e “Bathe In Ashes”, preparando terreno para o álbum completo.

“Baptized In Blood” utiliza como personagem a controversa figura histórica de Elizabeth Báthory, enquanto “Bathe In Ashes” trabalha uma atmosfera mais ritualística e extensa.

Dentro do álbum, faixas como “Within Crimson Kingdom” e “A Once Starless Oath”, esta última ultrapassando sete minutos, mostram o lado mais atmosférico do grupo.

Não é um disco conceitual tradicional

Embora o incêndio de Uppsala dê identidade ao lançamento, Nekhrid ressalta que “A World Ablaze” não funciona como um álbum conceitual no sentido convencional.

As letras não narram necessariamente o desastre de 1702.

A ideia é que todas as músicas formem uma espécie de constelação em torno de algo que já está queimando e saiu completamente de controle.

“Cada faixa existe para manter esse fogo queimando.”

Dessa forma, o incêndio funciona muito mais como uma imagem que conecta o passado da cidade ao passado musical do Nazghor.

Confira a arte de capa e o tracklist de “A World Ablaze”:

  1. Cursed And Unblessed
  2. Bathe In Ashes
  3. Day Of Sepulchral
  4. Baptized In Blood
  5. Porta Atra
  6. Within Crimson Kingdom
  7. The Infallible God
  8. The Black Light Of The Spectral Keeper
  9. A Once Starless Oath

O álbum possui aproximadamente 39 minutos. A formação responsável pelas novas gravações traz Nekhrid nos vocais, Armageddor e Angst nas guitarras, Galthran no baixo e Fáunas na bateria. A mixagem e masterização ficaram a cargo da Pentagram Music, enquanto Pleter assinou a capa.

Além do formato digital, “A World Ablaze” ganhou edições em CD e vinil, incluindo tiragens limitadas a 500 unidades.

Em vez de simplesmente republicar material antigo, o Nazghor decidiu perguntar como aquelas músicas soariam se tivessem sido criadas pela banda que existe hoje. “A World Ablaze” transforma justamente essa resposta em seu conceito: destruir o passado, jogar tudo nas chamas e reconstruí-lo a partir das cinzas.

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Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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