Mundo Metal Entrevista: Trovão

A apresentação do Trovão em Curitiba marcou a estreia da banda na capital paranaense e integrou a programação comemorativa dos 32 anos da Let’s Rock, reunindo o grupo paulista ao lado do Riot V em uma noite principalmente dedicada ao Heavy Metal tradicional. O show ocorreu no último dia 11 de julho no Opera de Arame e, antes da apresentação, aproveitamos para bater um papo com os integrantes da banda.
Entre os assuntos abordados na entrevista estiveram o lançamento de Meu Caminho, a preparação do terceiro álbum de estúdio, a valorização do formato físico, a participação no festival Keep It True, na Alemanha, assim como a opção por manter o português como identidade artística.
Além da entrevista principal, os músicos falaram sobre os bastidores do novo lançamento e, em um bate-papo à parte, os guitarristas Igor Senna e Alexandre Gatti detalharam os instrumentos, equipamentos e sobretudo a busca pelo timbre clássico que caracteriza o som do Trovão.

Heavy metal em português, o novo compacto e os próximos passos da banda
Primeira vez em Curitiba. Vocês estão lançando um compacto bem legal, valorizando o Heavy Metal nacional e fazendo até uma versão do Patrulha do Espaço. Como está a divulgação desse material?
Gustavo: A ideia era a gente fazer uma música nova, que é Meu Caminho. Ela trata de luto, tem uma letra que fala de morte e tal. A gente quis fazer esse tributo ao Patrulha, que é uma das nossas principais influências. A gente aproveitou e colocou mais duas faixas ao vivo também no material, para dar uma enriquecida.
A ideia era ter lançado só lá fora, na Europa, mas acabamos decidindo lançar em CD aqui também. Vai vir umas cópias para cá.
Essa proposta de fazer Heavy Metal e Hard Rock em português surgiu desde o começo ou aconteceu naturalmente? Como surgiu essa ideia?
Gustavo: Surgiu naturalmente. Eu já tinha uma banda em que cantava em português antes e acabei pegando gosto pela língua. Acabei me acostumando a fazer o rock dessa forma. E, como eu não sei compor em inglês, acabou encaixando dessa forma. Então foi natural. Não foi uma coisa que eu idealizei.
Fui fazendo uma música, fui fazendo outra e a gente foi juntando material. Transformando em banda. O que era um projeto virou banda. A gente gravou o primeiro disco, Prisioneiro do Rock’n’Roll, e foi muito bem. Até hoje foi um sucesso.
Vocês já estão trabalhando no terceiro disco?
A gente está começando a compor agora. Vamos juntar as faixas e, depois do show do Keep It True, sentar e se aprofundar mais nas composições, para conseguir fazer um disco bacana.
Vocês já gravaram o segundo disco e agora caminham para o terceiro. Como está sendo essa experiência de fazer turnês pelo Brasil? O Trovão vem sendo muito bem recebido pelos sites especializados. Dessa forma, como está a resposta do público?
Lucas: Cara, desde o primeiro show… O Prisioneiro do Rock’n’Roll é mais antigo do que a banda ao vivo. Desde o primeiro show já foi sold out na Legends, em São Paulo. O Gustavo sabe muito bem que a ideia nunca foi pegar para fazer show desse jeito, viajar pra caramba. Como a gente falou, somos seis pessoas. A vida pessoal acaba interferindo e tal.
Mas foi tão boa a recepção da galera que, desde o primeiro show, a gente já falou: “Vamos fazer um álbum, outro, outro…” Até que começaram a chegar convites para tocar fora do estado. Quando chegou o convite para tocar no Keep It True, isso animou ainda mais a gente. A galera está curtindo. A gente só não quer viver só de show.
Igual o Gustavo falou, a gente já está aqui, mas já tem meio álbum nas composições. Então, para a gente, está sendo bom demais ver essa recepção da galera.
Gustavo: A gente procura focar mais em material de estúdio. Porque o artista morre, mas a obra fica. Então a gente dá muito mais valor para o disco do que para os shows.
Vou insistir nessa questão de cantar em português. O Heavy Metal e o Hard Rock brasileiros começaram cantando em português nos anos 70 e 80, mas nos anos 90 praticamente migraram para o inglês. A proposta de vocês é ajudar a amadurecer novamente o Hard Rock em português?
Gustavo: Isso já não é uma coisa nova. Começou a voltar no início dos anos 2000, ali por 2002, 2003. Veio mais forte e continua até hoje. Então não é novidade.
É uma coisa com a qual a gente se identifica mais e que também traz uma identidade para a banda. Fazer um tipo de som que mistura AOR, hard rock e heavy metal, e ainda cantar em português, traz um diferencial para a gente. Dá uma exclusividade ao som. Personaliza mais.
Lucas: É o que o Gustavo falou. Desde o começo dos anos 2000, dá para pegar o Flagelador e o Selvageria, banda da qual o Gustavo fazia parte, que já cantava em português naquela época. Teve bastante coisa. E desde então isso nunca parou.
Como você falou, nos anos 90 a cena era muito mais voltada ao metal extremo e ao metal melódico, praticamente tudo em inglês. Depois essa proposta voltou no começo dos anos 2000. O Selvageria fazia isso também. E até hoje existem outras bandas que seguem esse caminho.
O valor do formato físico e a conquista do público internacional

Vocês estão fazendo esses shows, gravando os discos e, como o Gustavo falou, a proposta principal é deixar os discos gravados. Mas eu vejo que o Trovão tem muito essa preocupação com o álbum. Tem vinil, tem CD, tem compacto, tem tape…
Lucas: Tem bastante tape também. Saiu de fora também. Vieram duas, né? Acho que da Argentina… Não, veio da Bolívia. Bolívia e Peru, se não me engano. E fora os do Prisioneiro também. Saiu o Prisioneiro e o Diamante em tape.
O Diamante não chegou a sair nacional. O Prisioneiro saiu nacional pela Rockets Records e, se não me engano, pela Maniac Force, da Bolívia.
O Diamante saiu em duas versões?
Não. Foi uma só. Foi uma gravadora do Chile.
Hoje em dia a gente sabe que o pessoal está muito nessa questão do streaming, da música na internet. Sendo assim, como vocês observam isso? Vocês investem tanto no formato físico, em CD, vinil… A galera está curtindo? Vocês acham que investir novamente no formato físico é sair na frente?
Lucas e Gustavo: A gente acredita que o formato físico é o que cria mais conexão do fã com o artista. É muito mais do que um streaming. Quando você pega o material físico, abre o encarte, vê todo o trabalho, você meio que estuda. A conexão é muito maior. Muito mais profunda. Porque é todo um carinho. Você tem todo um… Quanto mais tempo você investe numa coisa, mais conexão você tem.
E eu acho outra coisa também. A internet a gente não sabe até onde vai. A gente não sabe onde vão ficar esses sons que estão sendo lançados só na internet. A gente sabe que o material físico, de uma forma ou de outra, vai ser o último a morrer. Agora, a internet, a gente não sabe qual vai ser o futuro.
Por isso eu acho que todo mundo concorda em prezar pelo lançamento físico, seja em CD ou em vinil, que é infinitamente melhor. Mas é isso. Hoje em dia o importante é fazer essa mescla. Você aproveitar o digital, mas não abrir mão do físico.
Igor: Foi o que o Gustavo falou. Você pega um CD. Você vai folhear o encarte. No vinil é a mesma coisa. Tem material que vem com pôster. Tudo isso agrega. Não é só ouvir.
Os detalhes do disco. Você querer ler a letra. Você querer ver quem fez determinada coisa. Você querer ver as fotos. Então eu acho que isso muda. Você realmente cria uma conexão muito maior. Por isso a gente preza pelo material físico. Eu acho que essa é uma das coisas mais legais entre banda e fã.
É todo o conjunto da obra. Você capricha em fazer uma capa bacana. Estuda como tirar uma foto. Pensa no visual. Na ordem das músicas. Tudo isso para ser um bom material.
Lembro que muitas bandas brasileiras de heavy metal, principalmente nos anos 90, apostavam no inglês porque diziam que o objetivo era o mercado europeu. Como vocês enxergam isso hoje? Cantando em português, vocês querem falar principalmente com o público brasileiro ou também existe essa projeção de investir numa carreira fora do Brasil?
Gustavo: Essa questão da língua, antigamente, era uma barreira. Quem era de fora não queria nem saber de banda cantando em português. Hoje em dia isso virou um charme. As bandas procuram outras bandas que cantam na língua natal.
Assim como a gente sempre gostou de bandas que cantam em espanhol, inglês, tcheco, húngaro, francês, russo… A gente sempre gostou. E agora eles estão tendo essa abertura maior. Tanto que chamaram a gente para tocar num festival na Alemanha. E a gente cantando em português. Então isso já é um sinal de que as coisas estão mudando.
Já é uma conquista. Uma banda brasileira cantando em português na Alemanha. Uma língua completamente diferente. No Keep It True.
Igor: É o nosso sonho. Meu sonho era ir lá para assistir às bandas. Desde criança eu via vídeo de várias bandas tocando lá. Agora, no caso, a gente vai estar lá. Fazer parte da história do festival. Isso é incrível para a gente. É muito bom.
O legado do Riot e o bom momento do Heavy Metal brasileiro

Hoje à noite vocês vão tocar com o Riot, uma banda que inegavelmente faz parte da história do Heavy Metal. Fala um pouquinho para nós o que vocês sentem com isso.
Gustavo: O Riot é uma referência para todos nós. Desde os anos 70, passando pelos anos 80. A minha fase favorita é a fase do Fire Down Under. Mas eu gosto de todas as fases da banda. Acho que é uma banda que as pessoas deveriam correr mais atrás. O pessoal fala muito do Thundersteel, que lançou aqui no Brasil na época. Foi o disco mais bombástico deles, mundialmente falando.
Mas é uma banda raiz. Uma referência para a gente, tanto quanto Judas Priest ou Iron Maiden. Então, para a gente, é uma grande satisfação poder dividir o palco e curtir o legado que o Mark Reale deixou. Vai ser demais. Vai ser incrível. A gente está bem ansioso por esse momento.
Voltando à questão de cantar em português. Isso foi uma decisão artística desde o começo da banda?
Gustavo: Na verdade, isso era um projeto meu. Eu fui juntando músicas. Quando juntei três músicas, pensei em gravar um EP ou um disco. A gente começou a ensaiar. Chamei o Alê, que já tocava comigo no Tiger, que era minha outra banda. Chamei também o Allan, que já tocava bateria comigo havia bastante tempo.
A gente se reuniu para fazer esse disco. A ideia não era fazer show nem nada. Mas acabou acontecendo. A gente vai dançando conforme a música. Quando vê que dá para ir um pouco mais, a gente vai. Mas sem dar um passo maior que a perna.
Vocês acham que a banda ganhou um momento no ano passado com o Diamante, com os shows lotados e ingressos esgotados? Isso certamente deve ter criado uma motivação maior para vocês.
Gustavo: Total. Na verdade, o Prisioneiro do Rock’n’Roll já trouxe isso para a gente. Quando a gente lançou o disco e fez o primeiro show, o Lucas ajudou a gente a fechar a formação. Chamou também o Senna. A galera cantava em uníssono.
Lucas: Você não conseguia ouvir a voz do Gustavo no primeiro show. E a ideia era fazer apenas um show. Era o show do Prisioneiro. O pessoal pedia bastante. Eu não ia fazer. Acabamos fazendo.
A gente viu uma oportunidade de fazer mais apresentações. Foi um sucesso. Todos os shows foram muito legais. Depois a gente sentou para fazer o Diamante e pegar firme mesmo para fazer o disco.
Gustavo: Foi um trabalho árduo. Foram dois anos para ele sair. A gente gravou uma demo. Depois gravou outra pré-produção. Só depois foi fazer o disco. Então a gente trabalhou bastante para chegar nesse resultado.
Ao mesmo tempo, dá para perceber que o Heavy Metal tradicional vive um bom momento novamente no Brasil. Vocês sentem isso também?
Estamos fazendo a nossa parte.
Vocês têm percebido bandas de outros estados também? Ou seja, sentem que existem mais bandas aparecendo?
Lucas: Com certeza. Tem bastante. Falando desse momento que você comentou, eu acho que a gente vive uma fase muito boa. Tem muita banda boa. A gente pode falar do Phantom Star, que toca com a gente hoje. Tem o Creatures, aqui de Curitiba, que também tocou no Keep It True.
Hoje eu sempre falo que nada nasce do nada. O Gustavo, o Alê e o Allan já tocam há mais de vinte anos. Passaram muito perrengue. Esse negócio não apareceu agora. Muita gente acha que é novidade. Mas eu e o Senna, que somos os mais novos da banda, também já tocamos há mais de dez anos.
Então, olhando desde lá até hoje, eu acho que este é o melhor momento em questão de bandas. Os músicos estão mais profissionais. Os equipamentos melhoraram. As gravações melhoraram. E gravação sempre foi uma coisa muito difícil e muito cara aqui no Brasil. Ter banda, manter instrumento e investir em gravação nunca foi algo fácil.
Gustavo: E tem também a questão dos organizadores sérios. Antigamente a gente não tinha isso. Hoje tem o pessoal do Caveira Velha, tem o Ailton, do Metal Fest. Tem uma galera muito bacana fazendo eventos de qualidade. Trazem bandas de fora. Também valorizam as bandas nacionais.
Lucas: A cena está fortalecida. Tem gente séria trabalhando. Está ficando cada vez mais profissional. Isso também ajuda muito.

O terceiro disco, o material ao vivo e a estreia em Curitiba
Depois do Diamante, qual é o próximo passo da banda?
Gustavo: É o terceiro disco. Antes, vamos ver se a gente consegue fazer um ao vivo. E depois fazer o terceiro disco. A gente já tem algumas músicas em andamento. Umas quatro músicas. Agora é trabalhar firme nisso e juntar mais músicas para a gente poder fazer o terceiro álbum.
Vocês acham que, de repente, em 2027 já pode pintar esse disco novo?
Gustavo e Lucas: Provavelmente. Não vamos dar uma certeza, senão depois a galera cobra. Mas a nossa ideia é essa. Se tudo der certo, quando a gente voltar da Alemanha, depois do Keep It True, em agosto, o foco vai ser o álbum novo.
Como o Gustavo falou, já tem bastante demo. Agora a gente vai passar pela fase de pré-produção, refinar as composições. Então, quem sabe, até o final de 2027. Mas muita coisa muda.
O próprio Diamante era uma coisa e depois virou outra. As demos que a gente escuta hoje são bem diferentes do resultado final. A gente tem Sociedade Corrompida, por exemplo, que já era uma música da época do Prisioneiro do Rock’n’Roll. Ela foi amadurecendo durante todo esse tempo.
Também teve mudança de tecladista nesse período, né?
Teve. A gente mudou de tecladista. Agora mudou de novo. Tem o Fuzza com a gente. Ele vai participar do terceiro disco. Acredito que cada disco sempre acaba mudando alguma coisa. Mas sem sair do estilo. Sem sair da proposta.
Ele já gravou o single Meu Caminho. Os teclados dessa música já são dele.
E o material ao vivo? Como está esse projeto?
O ao vivo vai sair como bônus. Foi gravado no show de estreia do Diamante, na Burning House.
Esse show já foi todo captado?
Já. Mas não é aquele ao vivo todo trabalhado. É uma coisa simbólica. Bem simbólica. Mas ficou legal. Foi um show que superou as nossas expectativas. Então a gente falou: “Vamos aproveitar esse material.”
Esse material vai sair também em vídeo?
De vídeo já saiu Princesa do Fogo, ao vivo. Está no YouTube. Essas outras duas músicas vão sair no lado B do 12 polegadas de Meu Caminho.
Para quem ainda não conhece o Trovão, qual música vocês indicariam para apresentar a banda?
Eu vou falar uma de cada disco. Tem que ser uma de cada.
Se fosse para escolher uma música para apresentar o Trovão… Eu diria Até o Fim.
Eu escolheria Preso ao Passado. Ela tem uma mudança de andamento. Caracteriza bem uma abertura de disco. Também funciona muito bem ao vivo.
Primeira vez em Curitiba. Como está a expectativa para tocar aqui?
A gente já gosta muito daqui. Eu venho para Curitiba faz anos. Conheço muita gente daqui. Para mim, é sempre muito bom tocar aqui. Já toquei outras vezes com outras bandas.
O Gustavo também já tocou aqui. A gente já tocou junto. Faz bastante tempo. Mas com o Trovão é a primeira vez. É a primeira vez da banda no Sul.
Acho que a galera vai gostar bastante. Vocês pretendem voltar?
Esperamos que sim.

“Meu Caminho”: o lançamento que acompanha a estreia europeia do Trovão
Lucas, faz um resumo para mim do que está acontecendo com Meu Caminho e do que vai acontecer.
Lucas: Beleza. O Meu Caminho é o seguinte. Como a gente vai agora para a Alemanha, nosso selo é a Lost Realms, lá em Portugal, e a gente tem a Classic Metal aqui no Brasil. A gente falou: “Pô, a gente precisa aproveitar esse gancho e ter um material exclusivo para vender lá.”
O correto seria vender o vinil lá. Esse vinil não vai ser um compacto. Ele vai ser um 12 polegadas Picture, 45 RPM. Então vão ser duas músicas de cada lado.
Tem essa música, que é Meu Caminho, que o Gustavo já tinha mandado para a gente. Mandou a demo e a gente correu para gravar. E Olho Animal já era uma música que fazia muito tempo que a gente queria fazer.
Como eu falei, em todo álbum a gente quer gravar um cover de alguma banda que cante em português, mas que não seja dessas bandas super hypadas. Por exemplo, no Diamante, a gente resgatou o Vapor, que praticamente não tinha nada gravado. Era uma banda do Rio de Janeiro. O Beto Bess tocou na banda.
Então a gente fez isso. Pegamos Olho Animal e também esses dois sons do show de estreia do Diamante, na Burning House. Então, cara, foi basicamente isso. Tem mais música no gatilho, mas a gente preferiu não colocar nada agora. Deixamos ali para…
Qual vai ser a tiragem que vocês vão levar para lá?
Na verdade, vai sair lá. Quando a gente desembarcar, vai pegar o material no Keep It True mesmo. A gravadora vai levar para lá. Ela vai relançar os dois primeiros em vinil. O Diamante, o Prisioneiro e esse outro. Então são três títulos.
Só que o vinil não vai sair a tempo. Vai sair no dia 23 de agosto. Os CDs vão sair com 500 cópias de cada. Já vão estar lá.
Então o CD de Meu Caminho já vai estar pronto na Alemanha?
Já.
Papo com a dupla de guitarristas: Igor Senna e Alexandre Gatti

Vocês trouxeram um arsenal aí, né?
Alexandre: Trouxemos sempre duas guitarras cada um. Eu trago duas guitarras e o Alê também traz duas.
Quais são as guitarras de vocês?
Alexandre: A gente é fã de Jackson. Jackson, Charvel… Mas a que acompanha a gente no Trovão já faz um tempo é a DK2M.
E você?
Igor: A minha não é uma DK. A minha é uma Jink, mas é uma Jink japonesa. Na verdade, eu fiz uma Frankenstein nela. Coloquei muitas peças. Coloquei uma Floyd Rose nela. Troquei muitas peças.
Um captador Seymour Duncan, que é o que a gente realmente ama. Esse timbre mais anos 80, que o pessoal utilizava naquela época. É o JB e o ’59.
Alexandre: Bem que eu, particularmente, não gosto do captador do braço. Para mim, guitarra é só o captador da ponte.
Igor: Aliás, ele sempre briga comigo quando eu uso o captador de cima. Ele fala: “Cara, se você usar de novo…”
“…eu vou cortar essas cordas aí.”
Alexandre: Vou desligar o amplificador.
Igor: Tanto que ele é o nosso luthier da banda. É ele que faz tudo. Arruma e fala assim: “Se você usar de novo, sua guitarra não vai voltar inteira, não.”
Você trabalha como luthier também? Faz serviço para outros músicos?
Faço. Faço para fora também. Inclusive customizo instrumentos musicais.
E essa sua Jackson tem uma história, né?
Tem. É uma guitarra que eu comprei quando era muito novo. Paguei muito barato nela. Só que, quando chegou, era uma guitarra que estava bastante judiada. Aí fui pegando peça, pegando peça, comprando peça. Hoje virou uma puta guitarra.
Ela tem apelido?
Ainda não dei. (risdas), mas ela merece!
Alexandre: A gente trouxe também uma outra guitarra. Na verdade ela não é minha. É uma guitarra do Gustavo. Ele toca com ela também. É uma Stratocaster. Uma puta guitarra. Uma guitarra maravilhosa. Uma raridade.
Ela entrega a timbragem que vocês procuram?
Nossa, com certeza. Mas fica como guitarra de backup. A gente deixa ali para o caso de acontecer alguma coisa. Quebrar uma corda… Se a guitarra explodir… Ela fica ali montadinha.
E os pedais? Vocês trouxeram pedal?
Sim. Eu usava pedal. Mas troquei por pedaleira. Estou com um “Kemperzinho” para experimentar.
Igor: Eu pretendo trocar para uma pedaleira futuramente pela praticidade. Mas ainda uso pedais. Uso delay. Uso distorção. Uso um Pro Drive, que é um clone do SansAmp. É um pedal muito legal.
Peguei ele e falei: “Cara, por ser um clone, eu acho um pedaço de um pedal foda.”
Também uso um chorus da HOLD. O pessoal fala que é um chorus antigo. É o mesmo circuito. É o mesmo circuito daquele Boss antigo. Quando vi esse pedal, achei ele lindo. Falei: “É esse mesmo.”
No fim, a gente traz bastante coisa, mas nem usa muita coisa. Usa algumas coisinhas.
O som da banda é bem característico. Timbragem clássica. Afinação clássica.
Afinação clássica. Som Marshall no talo.

Com informações de André Molina/Rádio Cultura.