Morte e Ressurreição do Thrash Metal

O Thrash Metal nasceu antes da metade dos anos 80 e ao longo da década se transformou em um dos gêneros mais prolíficos do Metal. As bandas foram lançando seus álbuns e a cada clássico, iam conquistando mais e mais espaço no concorrido mainstream. Nomes como Metallica, Megadeth, Slayer, Anthrax, Kreator, Sodom e uma infinidade de outros grupos, estabeleceram de 1983 até mais ou menos 1991 o período de auge do gênero.

Como sabemos, nos anos 90 surgiram outras musicalidades que atraíram o interesse das grandes gravadoras. Ao mesmo tempo em que Metallica, Megadeth, Kreator e outras se distanciavam de suas raízes Thrash, o Grunge tomava de assalto a MTV e as FM’s.

A maldição dos anos 90

Muitas bandas encerraram as atividades neste período e pouquíssimos foram os grupos que se mantiveram fieis ao estilo. Em meados dos anos 90 — por volta de 1996/1997 —, a onda Grunge ja tinha sido enfraquecida, mas outras ondas começaram a surgir. Era o início do que viria a ser o Nu Metal.

Os grandes bastiões do gênero estavam irreconhecíveis. Metallica apostava em discos como “Load” e “Re-Load”, Megadeth também estava muito distante do Thrash com “Criptic Writing” e ainda iria piorar bastante com “Risk”. Testament experimentava e parecia perdido, assim como Kreator. O Overkill apostava no Groove e o Anthrax idem. Destruction havia sumido do mapa, assim como Exodus e outros nomes importantes.

O Sodom, quase solitário, seguia como sempre hasteando a bandeira do Thrash, mas para piorar, até o Slayer em 1998 aderiu a uma sonoridade mais moderna que desagradou os fãs. Dessa forma, com as bandas clássicas em baixa, um fenômeno anômalo se instaurou na cena Thrash. Não havia mais renovação. Pouquíssimas foram as bandas novas que surgiram e nenhuma delas conseguiu ser minimamente relevante. Parecia que era o fim da linha.

Como uma fênix!

No apagar das luzes, dois álbuns foram lançados e, mesmo de maneira tímida, as esperanças ainda se mantiveram. Os canadenses do Annihilitor lançaram o bom “Criteria For A Black Widow” (1999) e o Testament apresentou o aclamado “The Gathering” (1999). Nada que fizesse muito barulho em termos de sucesso midiático, mas muito longe das esquisitices que se proliferavam naqueles anos.

Mas foi no ano seguinte que uma das grandes precursoras do Thrash alemão retornou ao front. O vocalista/baixista Marcel Schmier retornou ao Destruction e o grupo lançou o excelente “All Hell Breaks Loose” (2000). Neste mesmo ano, o Tankard apresentou “Kings Of Beer” (2000) e ambos os registros tiveram uma ótima receptividade na mídia especializada.

Em 2001, finalmente, o Kreator resolveu dar adeus aos experimentalismos e retornou em grande estilo ao Thrash que o consagrou. “Violent Revolution” (2001) foi um disco fortíssimo que atingiu em cheio os headbangers sedentos por novos álbuns do gênero. E eles realmente chegaram, com mais dois medalhões da escola alemã — Destruction e Sodom — apresentando registros tão impecáveis quanto violentos. Estou me referindo a “The Antichrist” (2001) e “M-16” (2001).

O Annihilator aproveitou para soltar seu “Carnival Diablos” (2001) e o Testament regravou seus clássicos em “First Strike Still Deadly” (2001). Em 2002, o Holy Moses disparou sua artilharia pesada com “Disorder Of The Order” (2002), e um pouco mais à frente, em 2004, o Exodus despejou sobre nossas cabeças o fantástico “Tempo Of The Damned” (2004). Depois de muitos anos, tínhamos uma cena Thrash Metal em ebulição novamente!

A nova geração

Conforme os grupos do primeiro escalão foram lançando seus novos discos, algo impensado começou a acontecer em paralelo. Se na década de 90, praticamente não vimos novas bandas surgindo, os anos 2000 foram muito diferentes. Uma nova geração começou a dar as caras e promover uma bem vinda renovação.

No Brasil tivemos alguns nomes que despontaram como precursores deste movimento que, mais tarde, ficou conhecido como NWOOSTM (New Wave Of Old School Thrash Metal). Em São Paulo, o Claustrofobia lançou “Claustrofobia” (2000) e “Thrasher” (2002), o Andralls surgiu com “Massacre, Corruption, Destruction…” (2000) e o sensacional “Force Against Mind” (2003), além do Bywar que apresentou “Invincible War” (2002). Em Brasília, o Violator gravou o EP “Violent Mosh” (2004) e, em pouco tempo, começamos a ver cenas Thrash regionais se proliferando.

Logo, algumas bandas como Toxic Holocaust, Municipal Waste e Angelus Apatrida, começaram a fazer barulho e, depois de quase termos assistido o Thrash ser varrido para debaixo do tapete, tínhamos novamente medalhões e bandas novas lançando álbuns relevantes e originando uma nova base de fãs.

Os destaques

Além das já mencionadas, outras bandas muito interessantes surgiram na primeira década de 2000. Grupos como Gama Bomb, Evile, Legion Of The Damned, Hyades, Warbringer, Suicidal Angels, Bonded By Blood, Havok e Vektor, entre uma infinidade de outros nomes, foram os grandes responsáveis em dividir com os veteranos o protagonismo e a concepção de ótimos álbuns lançados desde então.

Algumas outras, apesar de possuir muito potencial e talento, acabaram debandando para gêneros mais moderninhos. Mesmo com álbuns elogiadíssimos pela imprensa especializada mundo afora, bandas como Ultra Violence, Lost Society e Dust Bolt, resolveram virar a casaca e decidiram que o Thrash Metal não era bom o bastante para basear suas carreiras.

É claro que com o crescimento e a boa receptividade do estilo, mais e mais grupos veteranos, percebendo o momento favorável, decidiram retornas às atividades após longos períodos de hiato. Podemos mencionar o Toxik, Sacrifice, Dark Angel, Coroner, Artillery, Onslaught, Flotsam & Jetsam, Forbidden, Evildead, Darkness e Exumer, entre outros.

Diversos gigantes da industria também renovaram sua fé no Thrash Metal e produziram diversos trabalhos interessantes. Até mesmo os intocáveis Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax, conceberam discos que tentavam emular seus melhores momentos do passado.

Do underground para o infinito

E se você pensa que é tudo, está erradíssimo. O Thrash Metal jamais deixou de expandir e nos últimos tempos temos presenciado uma verdadeira explosão de lançamentos. Bandas novas surgindo de todas as partes do mundo tem transformado nossas garimpagens/audições em um trabalho cada vez mais duro, porém prazeroso.

Provavelmente não veremos um outro ápice no mainstream, e me refiro a explosão que ocorreu no surgimento do Metallica com bandas sendo alçadas ao estrelato, mas é possível afirmar que por outro lado jamais passaremos de novo por uma época difícil igual aquela vivida nos anos 90.

O estilo conseguiu se firmar, cativar fãs no mundo todo e o nicho do Thrash é um dos mais bem sucedidos e estabelecidos atualmente. Abaixo estão algumas playlists que podem te ajudar a se aprofundar em tudo que está sendo lançado. Se gosta de descobrir bandas talentosas e ficar antenado nas novidades da música pesada, não deixe de seguir as playlists. Até a próxima!

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Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
2 comentários
  • Excelente materia sobre o surgimento, decadência e renascimento do Thrash Metal, realmente hoje temos um número gigantesco de bandas dentro desse movimento,sem contar com vários álbuns sendo lançados para as nossas alegrias.

  • a minha banda favorita dessa nova onda do thrash (nem tao nova assim porque tem ums 20 anos) e o Gama Bomb que para mim nao tem albums ruims nem a estreia e pouca mais crua mas ainda tem otimas musicas e outra curto muito e Municipal Waste principalmente o “hazardous mutation” ,acho tempos sombrios para thrash foi so nos anos 90 mesmo hoje em dia surge muita coisa otima com frequencia.

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