Mikkey Dee explica por que diz que não comete erros: “Eu nunca erro. Nunca faço merda”

Poucos bateristas do Heavy Metal construíram uma reputação tão sólida quanto Mikkey Dee. Desde os tempos ao lado de King Diamond, passando pelos anos intensos com o Motörhead e chegando à sua atual fase nos Scorpions, o músico sueco sempre se destacou por uma combinação rara de técnica, potência e consistência. Não por acaso, seu nome costuma aparecer entre os maiores bateristas da história do estilo, especialmente quando o assunto é precisão e capacidade de manter um padrão elevadíssimo de execução durante décadas.

Por isso, uma declaração recente de Dee chamou a atenção dos fãs. Ao afirmar que não comete erros quando se senta atrás da bateria, alguns podem enxergar a frase como arrogância ou excesso de confiança. Entretanto, o contexto mostra algo diferente. O veterano não parece interessado em se promover ou diminuir outros músicos. Pelo contrário, ele fala como alguém que passou a vida aperfeiçoando sua técnica, sua preparação e seu conhecimento do instrumento até atingir um nível de segurança absoluta naquilo que faz.

Afinal, estamos falando de um músico que encarou as exigentes composições de King Diamond, sustentou a máquina sonora do Motörhead por mais de duas décadas e, posteriormente, assumiu uma posição de enorme responsabilidade ao substituir James Kottak nos Scorpions. Quando Mikkey Dee afirma que não erra, a declaração soa menos como uma demonstração de ego e mais como o relato de um profissional que conhece profundamente suas capacidades e a rotina necessária para entregar performances de alto nível.

Experiência e maturidade acima da força física

Durante a entrevista concedida a Matty Roberts do podcast Percussion Discussion, Dee explicou que continua tocando regularmente, embora atualmente também priorize o descanso após as extensas turnês com os Scorpions.

“Eu faço diferentes projetos… Eu toco bateria quando estou de folga, sim. Mas, neste momento, depois de uma longa turnê com os Scorpions, o corpo também precisa descansar — os ombros, os cotovelos, os punhos. Mas estou fazendo alguns shows com o ‘Mikkey Dee With Friends’; estamos por aí tocando algumas coisas. Também faço trabalhos como músico de estúdio… Então tento tocar o máximo que posso, mas também preciso desse descanso.”

Na sequência, o baterista comparou sua evolução musical ao amadurecimento de atletas profissionais, destacando que a experiência adquirida ao longo dos anos permite economizar energia e tomar decisões melhores durante uma apresentação.

“Acho que estou muito mais maduro na bateria. A rotina que eu tenho, a falta de força física você compensa com experiência e conhecimento, por assim dizer. Eu comparo isso também ao hóquei no gelo, porque quando você tinha 20 anos, possuía tanta capacidade física que patinava por todo lado como um completo idiota. E então você encontrava os caras mais velhos, os veteranos e tudo mais, e eles gastavam talvez 40% da energia deles porque estavam sempre no lugar certo, na hora certa.

Enquanto isso, nós estávamos patinando a 100% apenas para conseguir chegar nesses lugares e fazer a coisa certa, mas eles já sabiam disso. Por que faziam isso? Bem, porque tinham a experiência e o conhecimento de onde deveriam estar no gelo. É a mesma coisa para um baterista. Hoje eu sei quando devo aliviar. Sei quando posso acelerar. Eu me sinto muito mais seguro atrás da bateria.”

“Eu não erro”

O momento que mais repercutiu na conversa veio quando Mikkey Dee relembrou uma conversa que teve com seus companheiros de banda logo após entrar nos Scorpions.

“Eu disse aos caras do Scorpions, quando entrei para a banda há uma década, que eu não cometo erros. E eles começaram a rir. Então eu disse: ‘Não, não, estou falando sério. Eu nunca erro. Nunca faço merda.’

Eles responderam: ‘Tudo bem, Mikkey, entendemos. Não tem problema. Todo mundo erra.’

E eu disse: ‘Eu não.’ Porque eu realmente não erro. Eu faço minha lição de casa e, quando sento atrás da bateria, não cometo erros. Isso é resultado da experiência. Você aprende a se preparar. Aprende a fazer sua lição de casa da maneira correta.”

Longe de soar como uma provocação, a declaração reforça exatamente o que o músico tenta transmitir ao longo de toda a entrevista: preparação. Para Dee, o segredo não está em talento bruto ou sorte, mas em décadas de disciplina, estudo e profissionalismo.

A receita para continuar em alto nível

Mesmo aos 61 anos, o baterista acredita que ainda consegue manter um padrão elevado porque adaptou sua forma de tocar e seu estilo de vida.

“Você não precisa mais ter a mesma energia de quando tinha 15, 20 ou 25 anos. Hoje eu bato na bateria com uma abordagem diferente. Você não precisa de tanta força muscular nem de tanta energia. Existe um tipo diferente de explosão nos movimentos. Então isso compensa.

Eu tento me manter em forma, fico bem longe das drogas e só bebo cerveja. Então meu cabelo continua crescendo, e é basicamente isso. Também jogo muito hóquei quando posso, pratico esportes e tento levar uma vida decente. E continuo mantendo minha prática na bateria em dia. No fim das contas, é só isso que preciso fazer para permanecer no nível em que quero estar.”

Lex Legion estreia nesta semana

Além de suas atividades com os Scorpions, Mikkey Dee também está envolvido em um novo projeto chamado Lex Legion. A superbanda reúne praticamente a formação clássica de King Diamond.

Ao lado do baterista estão os guitarristas Andy LaRocque e Pete Blakk, além do baixista Hal Patino, nomes que ajudaram a construir alguns dos álbuns mais reverenciados do Heavy Metal durante os anos 1980. Nos vocais, a banda conta com Nils K. Rue, conhecido por seu trabalho à frente dos noruegueses Pagan’s Mind.

O álbum de estreia do Lex Legion chegará às lojas e plataformas digitais no próximo dia 12 de junho através da MNRK Records. Enquanto a espera não termina, os fãs já podem conferir duas músicas disponibilizadas antecipadamente: “Sleep Eternally” e “Gypsy Tears”. Ambas oferecem uma boa amostra da proposta musical do grupo e da química entre músicos.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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