Metal sem fronteiras: Orphaned Land (Israel)

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O universo da música é algo fascinante e de fato um labirinto infinito de informações. Com o advento da internet, ficou muito mais fácil explorar, conhecer um pouco da música regional de um país ou continente e isso acontece em poucos minutos de pesquisas.

Se no passado, lidamos com a ausência de informações rápidas, hoje, em um piscar de olhos, é possível saber se em Marte, Netuno e Saturno existem bandas de Heavy Metal, que tipo de músicas fazem, em qual idioma cantam e numa pesquisa mais detalhada, somos capazes de saber, “O Que Elas Fizeram No Verão Passado.”

Senhoras e senhores sejam bem vindos ao… Metal Sem Fronteiras.

Nossa viagem prossegue e chega até Bat Yam, cidade de Israel, localizada na costa do Mar Mediterrâneo, pertencente à área metropolitana de Gush Dan, no distrito de Tel-Aviv.

Foi lá que nasceu, em 1992, o quinteto ORPHANED LAND, banda que conta com seis álbuns oficiais de estúdios, alguns EP ‘s e singles.

Os primeiros passos aconteceram em 1993, quando na época, eles lançaram “The Beloved ‘s Cry”, demo contendo seis faixas, seguido de “Sahara”, álbum de estreia lançado oficialmente em 25 de novembro de 1994, contendo oito canções inéditas.

Em seus primeiros trabalhos, o Orphaned Land ainda não havia desenvolvido sua sonoridade atual e por isso o grupo transitava entre Doom Metal e Progressive Folk Metal. Esta classificação de estilos permaneceu até 2004, um pouco antes do lançamento do terceiro disco de carreira.

Em julho de 1996, o grupo lança “El Norra Alila”, segundo trabalho que possui 15 faixas e, assim como seu antecessor, flerta com o Doom Metal, lembrando em alguns momentos os primeiros trabalhos dos ingleses do Paradise Lost e do Anathema (fases, Serenades).

As mudanças de sonoridade finalmente começaram a acontecer em “Mabool- The Story of The Three Sons of Seven”, terceiro registro, lançado em fevereiro de 2004.

Contendo 12 faixas, o disco marca a grande mudança na trajetória do grupo e também em sua sonoridade. O Folk/Doom Metal praticado nos três primeiros trabalhos cede espaço para uma sonoridade mais rápida, mais polida e remetida a nomes como Amorphis, Borknagar (fase atual), Vintersorg, Satyricon (fase atual), Darkseed, Alastis, etc.

Apesar dos flertes com outros estilos, é fato que o grupo manteve-se fiel à musicalidade dos primeiros trabalhos e assim como os tunisianos do Myrath, não deixaram suas raízes e seus folclores de lado.

O sucesso comercial de “Mabool” rendeu ao grupo os dois primeiros videoclipes da carreira. As canções “Ocean Land” e “Norra El Norra” foram as escolhidas.

*A citação ao Myrath, é apenas hipotética, uma vez que os tunisianos apareceram anos depois do Orphaned Land.

Após seis longos anos, eles lançam o excelente “The Never Ending Way of ORwarriOR”, quarto álbum da carreira e um dos melhores trabalhos da banda.

Lançado em 25 de janeiro de 2010 e trazendo uma sonoridade mais voltada ao Heavy Metal propriamente dito, o álbum conta com a produção e mixagem de Steven Wilson (Porcupine Tree) e em suas 15 músicas, eles apresentam canções cantadas em inglês, hebraico e árabe.

Seguindo os passos de seu antecessor, “The Never Ending Way Of ORwarriOR” elevou o nome do Orphaned Land, que figurava nas paradas da Billboard (80a posição), graças ao videoclipe da música “Sapari” (belíssimo, diga-se), elevou também as vendagens do novo disco e a banda despontou em vários países, incluindo os Estados Unidos.

No ano seguinte o álbum foi eleito o “Melhor Disco de Progressive Metal” de 2010, segundo os leitores da revista Metal Storm que garantiram à banda a 1a posição.

Após mudanças em seu line up, o grupo lança, em junho de 2013, mais um disco excepcional, “All Is One”. Contendo 11 faixas, o quinto trabalho dos israelenses mais uma vez agradou aos fãs e dele foram extraídos três singles que se transformaram em videoclipes. “All Is One”, “Let The Truce Be Known” e “Brother”.

O novo registro traz uma banda mais amadurecida, soando em alguns momentos, mais melancólica. Talvez esta mudança esteja ligada ao fato de o disco, segundo o vocalista Kobi Farhi, trazer em suas influências nomes como Paradise Lost, Opeth, Porcupine Tree, entre outros.

Um dos fatores predominantes do Orphaned Land sempre foram suas letras. Aqui poderia ser diferente, uma vez que o disco contou com participações especiais de artistas locais. Dentre eles, Kobi Aflalo e Yehuda Poliker.

O disco vendeu muito bem e alcançou números positivos de vendas, principalmente na Alemanha e claro, em sua terra natal.

Em 26 de janeiro de 2018, o grupo brinda seus fãs com “Unsung Prophets & Dead Messiahs”, sexto álbum oficial da carreira e mais um grande dos israelenses.

*É preciso abrir um parêntese e dizer que: O novo trabalho eleva a qualidade musical do Orphaned Land, levandos-os a quase “perfeição” (musicalmente falando), já que o conteúdo lírico do álbum foi segundo a banda, inspirado nas escritas do filósofo e matemático grego, Platão.

Voltando a “Unsung Prophets & Dead Messiahs”. Contendo 13 faixas inéditas o disco traz as participações mais que especiais de Tomas Lindberg (At The Gates/The Lurking Fear), Steve Hackett (ex-Genesis) e Hansi Kursch (Blind Guardian). Tal como uma obra de arte extremamente bem elaborada e bem acabada de um artista, o disco apresenta uma sonoridade absurdamente linda e por que não dizer, “diferenciada” dos demais grupos.

Em um de seus melhores e perfeitos trabalhos, não seria exagero afirmar que no caso do Orphaned Land, eles criaram um estilo característico e próprio em sua forma de tocar e cantar que serviria de influências para outras bandas. Dentre elas, os tunisianos do Myrath.

Prepare-se para ouvir belas orquestrações, corais, uso de instrumentos orientais e europeus como alaúde, cítara, bouzouki, os tradicionais violinos (presentes na sonoridade do grupo desde sua estreia), além dos já tradicionais vocais femininos, que no caso do Orphaned land, conseguem soar majestosos e atraentes.

A beleza e a maturidade musical de “Unsung Prophets & Dead Messiahs” elevaram os números de vendas em países como Áustria (68a posição) e Suíça (55a posição).

Em julho de 2019, o grupo lançou “The Forbidden Tracks”, EP contendo quatro faixas em uma edição limitada de apenas 500 cópias.

O mesmo contém uma faixa nunca antes lançada, além de três outras. Duas delas foram proibidas no Oriente Médio. O disco traz em seu encarte a história sobre as faixas proibidas, escrita por Kobi Farhi (vocalista) , bem como letras, fotos de luxo e um cartão postal que fazem deste material algo único e raro.

*Algumas observações acerca do Quinteto Israelense.

*Originalmente a banda nasceu em 1991 sob o nome Resurrection, porém no ano seguinte mudaram para Orphaned Land, nome retirado da canção “Wind Of War” do cantor israelense Yehuda Poliker.

* Em 1997, a banda silenciou suas atividades, devido os acontecimentos em sua terra natal, porém, seus músicos resolveram quebrar o silêncio através da música, quando decidiram realizar três shows sob o nome ‘The Calm Before the Flood’. O primeiro aconteceu em Istambul, Turquia, em 2001. O segundo em Tel Aviv em 2002, e o último um set acústico que foi gravado e incluído como EP/CD Bônus contendo cinco faixas, integrando a primeira prensagem de “Mabool”.

* O sucesso dos primeiros registros, “The Beloved ‘s Cry” (Demo), “Sahara” e “El Norra Alila”, lançados à época pela gravadora francesa Holy Records, chamaram a atenção de várias gravadoras que lhes ofereceram contratos para as próximas gravações. A escolhida foi a Century Media, em 1997.

* Em 2004, após o lançamento de “Mabool”, o grupo embarcou numa mini turnê onde tocaram em Israel e Turquia. A turnê prosseguiu por quatro continentes, passou por mais de 30 países levando o grupo a participar de importantes festivais como Wacken Open Air, Hellfest, Propower e Summer Breeze.

* Em 2002, “Sahara”, álbum de estreia lançado em 1994, ganhou reedição especial. Em sua versão Digipack, o disco traz faixas bônus que incluem a primeira Demo, “The Beloved ‘s Cry”, lançada em 1993.

* Em setembro de 2005, a banda lançou “Ararat”, EP contendo três faixas demos, além do cover (excelente, diga-se de passagem) para “Mercy”, dos ingleses do Paradise Lost.

* Em agosto de 2016, o grupo em parceria com os também israelenses do Amaseffer lançam “Ka’an”, álbum contendo 13 faixas que fogem um pouco da sonoridade de ambos os grupos. A explicação é simples: O objetivo era escrever uma trilha sonora para uma peça de teatro alemão sobre a viagem de Abraão a Canaã. Embora a iniciativa tenha vindo originalmente de um diretor de teatro alemão, as duas bandas aceitaram o desafio, pois o tema desempenha um papel essencial no cristianismo, no islamismo e no judaísmo. A promoção da coexistência pacífica dessas três religiões sempre foi um objetivo essencial para ambas as bandas.

* O grupo ganhou um documentário intitulado “All Is One”, dirigido pelos cineastas alemães Ingo Schmoll e Conny Schiffbauer que visitaram Israel, acompanhando a fim de mostrar aos fãs uma visão pessoal da vida dos músicos, visitando os membros da banda em casa, conhecendo suas famílias e aprendendo sobre sua rotina diária. “No documentário, tentamos levar ao público algo além das intermináveis discussões sobre os conflitos no Oriente Médio, dando uma abordagem muito mais humana para tudo”, explicam os cineastas.

* Em 2012, os fãs do Orphaned Land começaram uma petição on-line para nomear o grupo para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz.

*No Brasil, o quinteto se apresentou em São Paulo, Rio de Janeiro, São Luiz e em Varginha (MG) no Festival Roça´n Roll.

*Sobre as composições e visões da banda relacionadas aos acontecimentos em Israel e no Mundo, o vocalista Kobi Farhi, expõe em palavras suas visões e convicções.

“Quando estou compondo com a banda, sempre tento descobrir o porquê que a humanidade é incapaz de romper com o ciclo de guerras, derramamento de sangue e ego”, reflete Kobi. “Não é por falta de soluções. Existem muitas soluções. O problema principal é que as pessoas não querem enfrentar esses problemas. Nosso sistema de ensino nos ensina trigonometria, mas não sobre comportamento humano, aprendemos sobre uma história sangrenta sem fim, mas não sobre como dialogar, como escutar um ao outro, se você olhar a história da humanidade, existe um padrão. Toda vez que uma figura revolucionária surgiu ao longo da história, seja Sócrates, Jesus Cristo, Martin Luther King, Mahatma Gandhi e muitos outros, todos eles foram assassinados. É um padrão que Platão reconheceu 2500 anos atrás e você pode ver que ainda estamos presos nisso.”

“Sim, estamos zangados com os governos, a mídia e qualquer outra lavagem cerebral que você possa imaginar”, afirma Kobi. “Estamos presos em um sistema que simplesmente se tornou mais esperto. Ele apenas parece como se fosse liberdade. Os imperadores ainda são imperadores e não importa o quanto a humanidade avançou na tecnologia, ciência ou qualquer outra coisa, quando se trata de como um ser humano trata outro ser humano, ainda estamos no mesmo lugar. Estamos sendo anestesiados pela mídia e pelas fofocas que nos mantêm longe daquelas coisas que são realmente importantes. Nós lemos e sabemos mais sobre a bunda de Kim Kardashian do que sobre as crianças que estão morrendo na África só porque elas não têm água potável. Einstein disse uma vez, ‘0 mundo não será destruído por aqueles que praticam o mal, mas por aqueles que assistem sem fazer nada’. Somos aqueles que têm medo da luz, como os homens da caverna de Platão, como os filhos de Israel que não queriam abandonar sua vida de escravidão no Egito.”

“Eu diria que os membros do Orphaned Land são os israelenses mais famosos do mundo árabe”, afirma Kobi Farhi. “As nossas conquistas, os prêmios da paz que recebemos e o fato de estarmos fazendo um trabalho melhor do que o nosso próprio Ministério das Relações Exteriores talvez signifique que somos os verdadeiros embaixadores do nosso país. Somos nós que criamos um diálogo e um laço de amizade através da música.”

N do R: A escalada musical do Orphaned land e seu crescimento como banda mostram que diferente do que se fala (ou falava) sobre o Heavy Metal é totalmente desconexo e numa linha de raciocínio inteligente, é notório que o estilo traz consciência refletida através de suas letras que no caso do Orphaned Land, pregam a paz, a igualdade e a abolição da ignorância, principalmente religiosa que ainda perpetua em alguns países, atrasando e privando as pessoas de pensarem e agirem por conta própria.

O grupo segue criativo, inovador e dono de uma sonoridade única que une pessoas de etnias e religiões diferentes, graças a sua música que destila verdades, sentimentos e principalmente, inteligência cultural, emanados através de seus acordes e melodias cativantes.

Integrantes:

Redigido por: Geovani Vieira

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