Max Cavalera sobre a era do streaming: “eles criaram esse monstro e não sabem como consertá-lo”

Em uma recente conversa com a Chaoszine, Max Cavalera, ex-vocalista do Sepultura e atualmente à frente do Soulfly, Go Ahead and Die, Cavalera Conspiracy e Nailbomb, discutiu os desafios que a música enfrenta na era do streaming. Ele apontou que a queda nas vendas de discos tem dificultado cada vez mais o estabelecimento de novas bandas e sua conquista de espaço na cena musical. Segundo Max Cavalera, os tempos em que era possível vender milhares de cópias ficaram para trás. Hoje em dia, uma banda não consegue se sustentar apenas com vendas de mídias físicas; é preciso muito mais, incluindo turnês, merchandising e, além disso, dominar a autopromoção nas redes sociais:
“É difícil, cara. É muito difícil. As vendas de discos hoje em dia, comparadas com o que eram há 25 anos… Quando o Soulfly surgiu, o primeiro álbum da banda foi disco de ouro nos Estados Unidos. ‘Roots’, do Sepultura, e ‘Primitive’, do Soulfly, também foram discos de ouro e venderam milhares de cópias. Isso não acontece mais. Você tem que fazer tudo agora. Tem que usar as redes sociais. Tem que sair em turnê. Tem que vender camisetas. Tem que ser criativo. É difícil.
Acho que para uma banda jovem começando agora, é muito difícil. Muito mais difícil [do que costumava ser]. Mas é o que é. Eles criaram esse monstro e não sabem como consertá-lo. E é uma pena que os músicos acabem pagando o preço por isso. Fico feliz que pelo menos ainda estejamos gravando álbuns. E existem fãs que amam vinil — amam a cópia física. E ainda existe uma paixão por essa música, e eu adoro isso. E é por isso que continuarei gravando discos, porque acredito no álbum, acredito no poder de um disco. Acredito no poder de um álbum. É algo mágico. É algo legal. É algo incrível. Eu ouço meus discos antigos, ouço discos novos. Estou sempre inspirado por álbuns. Acho isso incrível.”
O Soulfly lançou seu novo álbum “Chama” em 24 de outubro pela Nuclear Blast Records.
