Max Cavalera revela o segredo para uma carreira duradoura: “A música ajuda o mundo, mas é preciso manter os pés no chão”

O vocalista e guitarrista Max Cavalera, líder do Soulfly e ex-integrante do Sepultura, refletiu sobre os fatores que transformam um artista em uma verdadeira lenda durante entrevista concedida à Irina Marinescu, da Rock FM România. Além de destacar a importância da longevidade e das experiências vividas ao longo da carreira, o músico afirmou que faz questão de evitar a postura de uma “grande estrela do rock”. Assim valorizando a humildade acima de tudo.
Questionado sobre a principal diferença entre um artista lendário e outro que apenas “passa pela cena”, Max Cavalera explicou que não existe uma resposta simples. Contudo, acredita que a combinação entre tempo de estrada, superação e equilíbrio pessoal faz toda a diferença.
“Essa é uma boa pergunta. A longevidade tem muito a ver com isso. A quantidade de anos que você dedica a isso ajuda. Mas também é um pouco de tudo. Nunca foi tudo fácil. Houve muitas dificuldades, muitos corações partidos e até tragédias, como perder pessoas muito próximas, o que teve um enorme impacto na minha carreira. Você não consegue separar as coisas ruins das boas; elas vêm juntas e você precisa lidar com isso. Acho que é isso que faz as pessoas olharem para mim de uma determinada maneira. Mas uma coisa que considero muito importante é não ter aquela atitude arrogante de uma grande estrela do rock. Eu não gosto disso. Gosto de manter os pés no chão. E é ótimo ter nossa equipe, meu filho e minha esposa na banda, porque, no momento em que eu começo a ficar convencido demais, eles me dão um puxão de orelha e eu volto imediatamente para a realidade. Eu adoro isso.”

Na sequência, o músico reconheceu que existem profissões com impacto muito maior para a sociedade. Entretanto, defendeu que a música também exerce um papel importante ao oferecer conforto e inspiração para quem a escuta.
“Neste meio, é muito fácil pensar que o que você faz é a coisa mais importante do mundo, e não é. Existem pessoas curando o câncer, por exemplo, ou atuando em guerras; isso é muito mais importante. Mas também gosto de acreditar que a música é mágica e que ajudamos as pessoas por meio dela. Então, o que fazemos também é muito importante. Fazemos isso do nosso jeito, ajudando o mundo através do metal e da música. E isso é maravilhoso.”
Soulfly segue em atividade após “Chama”
Enquanto compartilha essas reflexões, o Soulfly se prepara para uma nova turnê pelos Estados Unidos. Turnê esta que contará, sobretudo, com apresentações do Nailbomb, projeto clássico de Max Cavalera ao lado de Alex Newport, além da banda Incite, liderada por Richie Cavalera.
A banda vive um período de divulgação de “Chama”, seu décimo terceiro álbum de estúdio, lançado em outubro de 2025 pela Nuclear Blast Records. O trabalho foi gravado no Platinum Underground Studio, no Arizona. Coproduzido por Zyon Cavalera e Arthur Rizk, o lançamento marcou mais um capítulo da colaboração entre Max e seu filho. Agora, resta acompanhar os próximos passos do grupo após mais uma intensa agenda de shows.