Matanza Ritual: “O mundo está definitivamente burro. Eu nunca vi pessoas torcendo para lados em uma guerra”

O vocalista do Matanza Ritual e Jimmy & Rats, Jimmy London, refletiu sobre a polarização política no Rock e Metal e as consequências do Fla-Flu ideológico que se instalou já há alguns anos não só no Brasil mas no mundo inteiro. Na opinião de Jimmy London, as pessoas estão emburrecendo cada vez mais. Durante uma recente participação no Olha Só Podcast, apresentado por Bruno Azevedo, o jornalista comentou sobre um episódio recente em que os Titãs foram hostilizados pela plateia em alguns shows recentes após fazerem um trocadilho com um nome de um político em uma de suas músicas ao vivo. Veja o que disse Jimmy London:
“Os Titãs têm aquele que é na minha opinião, o maior disco da história do Rock brasileiro, Cabeça Dinossauro, e nesse disco eles cantam Igreja e Polícia, e tem mais umas duas ou três músicas ali que eu acho que estão no mesmo nível — tanto de revolta, quanto de iconoclastia, de mandar a merda inteira para o caralho. Parece que alguém perdeu um pedaço do discurso, isso é um fato, não há menor dúvida … [Risos].
Primeiro ponto, segundo ponto. É óbvio que a gente vive uma gigantesca… não posso dizer manipulação porque parece que manipulação é uma coisa que foi pensada e criada. Mas são pessoas que aproveitam muito dessa polarização política do mundo inteiro, de ter dois lados, como se alguém estivesse totalmente certo e alguém estivesse totalmente errado.
Tudo o que gera essa ideia de ter um mal e um bem, um certo e um errado, comprovado por qualquer pessoa que tenha visto qualquer nível de estudo de lógica ou de biologia, ou de história, geografia, ou de qualquer coisa no cosmo que não existe totais absolutos nem para um lado nem para o outro. Mas, caiu como uma luva para as pessoas que se aproveitam de cada um desses dois lados e, o mundo caminha à passos largos para a sua provável destruição nesse sentido. Eu não tenho a menor dúvida, porque o mundo está definitivamente burro. Eu nunca vi pessoas torcerem para guerras como se fossem jogos de futebol … Torcerem para lados em uma guerra! Cara, torcer para lados em uma guerra — a não ser que você esteja falando de ser uma guerra contra os nazistas — torcer, se alegrar com uma guerra já é uma coisa horrorosa; e serem clínicas com a arte, por exemplo, né? Que é uma parada muito doida. O cara quer ser clínico com a arte, ele quer ver um show mas ele fala: ‘Hum, mas eu não gostei daquele lance ali.’ Ou seja …
Mas aqui era para você estar com seu time de futebol, com a sua arte era para você estar sendo passional, emotivo, e na hora de analisar uma questão política ou qualquer outra coisa social ou econômica você deveria estar sendo clínico, frio e racional. Mas não é o que acontece, é o contrário. Isso só comprova uma maluquice tão grande, mas tão grande, que as coisas ficam todas muito difíceis para o artista, para todo mundo. O que a gente faz? Não fala de porra nenhuma? E o que a gente pensa? O cara que vira para mim e fala: ‘Você não deveria…’ Você já imaginou alguém entrar no açougue e falar para o açougueiro: ‘Você deveria cortar mais assim, porque quando você corta para esse lado… ‘ Mano, vai tomar no seu cú! O que você acha que você á para dar ideia no trabalho do outro? Ou falam: ‘Atenha-se a sua música, não pode falar de política.’ Tá maluco, velho? Imagina se os taxistas do Brasil não pudessem falar de política eles iam fazer o que naquele carro? ‘O senhor atenha-se a dirigir.’ O taxista antes de mais nada é um narrador político, depois é que ele é o motorista, né? Então assim, essas maluquices que estão acontecendo com esse fenômeno bizarro com o qual muita gente está ganhando dinheiro e o resto do mundo inteiro está comendo cocô, litaralmente. E não percebe! É tristão. Só vejo isso.”