Marty Friedman revela por que deixou o Megadeth e relembra sua reinvenção no Japão

O guitarrista Marty Friedman voltou a comentar os motivos que o levaram a deixar o Megadeth após a turnê do polêmico álbum “Risk”, de 1999. Em recente entrevista, o músico afirmou que sua decisão aconteceu quando percebeu que já não havia troca criativa dentro da banda. Segundo ele, “não tinha mais nada a oferecer e eles não tinham mais nada para mim”, um sentimento que marcou o fim de uma das formações mais celebradas do thrash metal. Essa clareza sobre seu esgotamento artístico abriu caminho para a guinada que mudaria sua vida.

Logo após sua saída definitiva em 2000, Friedman começou a refletir sobre o tipo de música que realmente desejava criar. Vivendo no Arizona, ele descreveu a rotina como “uma calmaria que virava deserto criativo” quando estava fora de turnê. Nesse período, mergulhou cada vez mais na sonoridade da J-Pop, ouvindo artistas japoneses praticamente 24 horas por dia. A fascinação pela estética musical do Japão o levou a concluir que só conseguiria evoluir nesse caminho se estivesse imerso na cena local. E isso o impulsionou a se mudar para Tóquio em 2003.

Ao chegar ao Japão, Friedman encarou o desafio de recomeçar do zero, apesar de ter passado uma década lançando álbuns de platina com o Megadeth. Ele fez questão de se afastar do circuito internacional e se dedicar exclusivamente ao cenário doméstico japonês. E é importante destacar que tal cenário funciona com outras regras, outros públicos e outras conexões. Sem contatos, traçou um caminho lento, mas firme, até conquistar oportunidades — a primeira delas ao trabalhar com a cantora Aikawa Nanase, de quem era fã ainda nos tempos de estrada pelos EUA e Europa.

Uma reinvenção artística que moldou os últimos 20 anos

Essa reconstrução pessoal e profissional transformou Friedman em uma figura única na música japonesa. Ao longo das duas últimas décadas, ele consolidou sua reputação como um artista multifacetado, combinando elementos orientais e ocidentais de forma singular. Seus 15 álbuns solo — incluindo “Wall of Sound” (2017), que traz a faixa “Miracle”, e o mais recente “Drama” (2024) — reforçam sua busca por novos horizontes musicais, sempre marcada por improvisações “Marty-esque” e fusões ousadas.

Paralelamente à carreira fonográfica, o guitarrista se tornou um verdadeiro fenômeno midiático no Japão. Ele acumulou aparições em mais de 700 programas de TV, atuou em filmes, estrelou campanhas publicitárias e tocou em alguns dos maiores palcos do país, como o Tokyo Dome e o Budokan. A projeção cultural foi tamanha que, em 2016, o governo japonês o nomeou “Embaixador do Patrimônio Japonês”, reconhecimento raro para um artista estrangeiro.

Em 2023, Friedman lançou sua autobiografia “Dreaming Japanese”, escrita ao lado do jornalista Jon Wiederhorn. O livro revelou os bastidores de sua história — desde o impacto inicial com o Cacophony, passando pelos anos decisivos ao lado de Dave Mustaine no Megadeth, até sua transformação em um ícone da cultura pop japonesa. A obra estreou em primeiro lugar na Amazon na categoria Heavy Metal e recebeu elogios de veículos como Rolling Stone, Guitar World e Decibel. Hoje, olhando para trás, Friedman reforça que deixar o Megadeth não foi uma ruptura, mas o primeiro passo para viver a fase mais criativa e inesperada de sua carreira.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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