Mark Morton acha “curioso” que nenhuma banda tenha simplesmente copiado o Lamb Of God

Photo: Tim Mosenfelder/Getty Images

Mark Morton voltou a comentar uma declaração que chamou atenção entre fãs de Metal nos últimos meses: apesar de quase três décadas de carreira e de toda a influência exercida pelo Lamb Of God, o guitarrista considera curioso que nenhuma banda mais nova tenha surgido simplesmente tentando reproduzir o som do grupo.

Em nova entrevista à revista australiana HEAVY, Morton foi questionado sobre uma fala anterior na qual afirmou achar “estranho” que, depois de tantos anos, nenhuma banda tivesse aparecido como uma espécie de cópia direta do Lamb Of God.

O músico manteve sua posição.

“Eu continuo pensando assim. Acho surpreendente”, afirmou. “Você vê bandas como o Killswitch Engage, que fizeram muito sucesso, e depois apareceram 20 bandas que soavam como o Killswitch. Não vejo isso acontecendo conosco.”

“Você ouve referências ao Gojira em todo tipo de banda nova”

Para explicar melhor sua observação, Morton também citou o Gojira.

Segundo ele, é possível perceber claramente elementos associados aos franceses em diversas bandas contemporâneas, algo que não identifica com a mesma facilidade quando o assunto é o Lamb Of God.

“Até o Gojira, que é incrível, você ouve referências ao Gojira em todo tipo de banda nova. E isso não é uma crítica. Na verdade, acho curioso não ouvir pelo menos uma versão bem-sucedida desse tipo de característica do Lamb Of God em bandas mais novas.”

Morton fez questão de deixar claro que não está reclamando da situação nem desejando que apareçam imitadores.

O guitarrista sabe que a banda influenciou músicos mais jovens, inclusive porque muitos deles dizem isso pessoalmente. O que chama sua atenção é a ausência de grupos que tenham simplesmente adotado de forma evidente a fórmula musical construída pelo Lamb Of God.

Reprodução

Comentário original aconteceu durante divulgação de “Into Oblivion”

A declaração começou a circular em maio, depois de uma entrevista concedida por Mark Morton a Sam Dunn, do BangerTV.

Na ocasião, o guitarrista discutia a identidade musical do Lamb Of God e demonstrou satisfação com o fato de o novo álbum, “Into Oblivion”, não tentar seguir tendências.

Foi então que levantou a questão:

“Não é estranho que, depois de 25 anos de carreira, ninguém simplesmente soe como Lamb Of God?”

Morton argumentou que o grupo alcançou um nível significativo de sucesso, vendeu muitos discos e construiu uma identidade reconhecível dentro do Metal moderno. Por isso, esperava que em algum momento surgissem bandas copiando de maneira mais evidente aquela fórmula.

Agora, ele reforçou que a observação não deve ser interpretada como arrogância.

“Não estou decepcionado com isso nem torcendo para que alguém faça. É apenas uma observação que fiz.”

Lamb Of God não pretende correr atrás das tendências atuais

A discussão também levou Morton a falar sobre bandas mais jovens que vêm ganhando espaço, como Knocked Loose e Spiritbox.

O guitarrista afirmou gostar do trabalho desses grupos e considera positivo observar novas gerações levando a música pesada para outras direções. Isso, entretanto, não significa que o Lamb Of God pretenda incorporar essas tendências apenas para acompanhar o mercado.

“Tenho 53 anos. Estamos fazendo isso há quase 30 anos”, explicou.

Photo: Bryan Rolli, Loudwire

Morton destacou que, ao longo da carreira, a banda recebeu sugestões de diferentes setores da indústria para adaptar sua música ao que estava funcionando melhor nas plataformas de streaming ou ao formato considerado mais atual. A resposta do grupo teria sido simplesmente continuar trabalhando de maneira natural.

Para ele, tentar reproduzir aquilo que bandas mais jovens estão fazendo hoje não seria coerente com a identidade do Lamb Of God.

Uma identidade difícil de reproduzir

O comentário de Morton levanta uma questão interessante sobre a influência exercida pelo Lamb Of God.

A banda certamente deixou marcas em gerações posteriores, especialmente através da combinação de riffs sincopados, elementos de Groove Metal, Thrash Metal, Hardcore e uma abordagem rítmica bastante particular. Ainda assim, essa influência aparece muitas vezes diluída dentro de outras propostas, e não na forma de bandas construídas diretamente sobre o mesmo modelo.

Talvez esteja justamente aí a resposta para a curiosidade do guitarrista.

É relativamente fácil identificar quando uma banda tenta reproduzir uma escola específica de Thrash Metal, Power Metal, Death Metal ou Metalcore. No caso do Lamb Of God, boa parte da identidade nasceu certamente da combinação muito particular entre os riffs de Mark Morton e Willie Adler, a bateria de Chris Adler durante grande parte da história do grupo e a presença vocal de Randy Blythe.

O resultado pode ter influenciado muita gente sem necessariamente gerar uma escola de imitadores declarados.

“Into Oblivion”, décimo álbum de estúdio do Lamb Of God, foi lançado em março de 2026 e manteve justamente essa abordagem: em vez de perseguir tendências, a banda preferiu reforçar aquilo que construiu ao longo de quase três décadas.

Photo: Theo Wargo/Getty Images
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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