Marcelo Barbosa revela motivo da saída de Fábio Lione do Angra: “Talvez eu não vá fazer tal show”

A maneira como Fábio Lione deixou o Angra causou estranhamento em parte dos fãs. Não apenas pela saída do vocalista italiano depois de tantos anos à frente da banda, mas principalmente pela sequência de acontecimentos que antecedeu o anúncio oficial e deu margem para inúmeras teorias.

Primeiro, o Angra comunicou que entraria em hiato. Depois, surgiram notícias em sequência: a participação no Bangers Open Air com a formação da era Nova Era, o anúncio de Alírio Netto como novo vocalista e, por fim, a confirmação de que Fábio Lione não seguiria com o grupo. Para quem acompanhava tudo de fora, a impressão era de que cada movimento já fazia parte de um planejamento definido anteriormente.

As especulações cresceram justamente porque, naquele momento, os músicos deram poucos detalhes sobre o que acontecia nos bastidores. Agora, porém, Felipe Andreoli e Marcelo Barbosa resolveram colocar luz sobre essa história e explicaram que o afastamento de Lione resultou de um desgaste que vinha se acumulando havia algum tempo.

Felipe Andreoli já queria Alírio Netto no Angra há 13 anos

Em participação no podcast Lado A, Felipe Andreoli revelou que sua admiração por Alírio Netto como possível vocalista do Angra está longe de ser recente. Segundo o baixista, ele já considerava o cantor uma excelente opção para a banda há aproximadamente 13 anos.

“Eu teria colocado o Alírio na banda há 13 anos atrás, entendeu? Eu acho que o Alírio, não só ele é um brother, né, que, enfim, todo mundo sabe que eu sou padrinho de casamento dele, o Marcelo também, o Rafa também, ele é padrinho do Marcelo, assim como eu, assim como o Rafa. Então, a gente tem uma relação que vai muito além dos palcos. Isso é muito importante, porque isso dita a longevidade da banda, o com quem você se dá.”

Entretanto, Andreoli deixou claro que a amizade entre eles não determinou a escolha. Para o baixista, Alírio Netto reúne características técnicas e musicais que permitem ao cantor transitar pelas diferentes fases da carreira do Angra.

“Mas, tirando essa parte, ele não entrou porque ele é meu amigo, que eu tenho um monte de amigo que canta. Entendeu? Ele entrou porque ele é um cantor capaz de cantar com maestria as três fases do Angra: André, Edu e Fábio, entendeu? Ele é um cara muito profissional, ele toca piano, ele conhece música brasileira, entendeu? Ele conhece o Angra de trás pra frente, de cabo a rabo. Ele é muito fã dessa banda e ele tinha esse sonho de cantar no Angra.”

Mais recentemente, em entrevista à Rolling Stone Brasil, Andreoli retomou o assunto e afirmou que o passar dos anos tornou Alírio ainda mais preparado para assumir a função.

“Eu acho que ele é ainda mais preparado hoje do que ele era naquela época. Ele tem uma bagagem que ele acumulou ao longo dos anos, de Queen Extravaganza, de musicais que ele fez. Ele é ainda mais preparado hoje, mas ele já era muito preparado lá atrás. Para mim, continuava sendo, mesmo há 13 anos atrás, uma excelente escolha. Mas eu não decido sozinho, né?”

O hiato também envolvia problemas internos

Outro ponto que alimentou dúvidas entre os fãs envolveu o anúncio do hiato. Para uma parcela do público, a pausa poderia ter servido apenas como uma maneira de reorganizar a formação e preparar a saída de Fábio Lione. Felipe Andreoli, porém, contesta diretamente essa interpretação.

Segundo o baixista, a decisão de interromper temporariamente as atividades nasceu de uma necessidade real de descanso e reorganização. Entre os assuntos que precisavam ser resolvidos estava justamente a relação interna do grupo com Lione, que já atravessava um momento delicado.

“E a gente, assim, a gente tava na turnê do Temple of Shadows, a gente acabou marcando uma continuação da turnê porque a turnê tava sendo muito bem aceita e, enfim, a gente tinha essa demanda, todo mundo topou fazer, entendeu? A intenção do hiato, ela era muito genuína, sabe? De um descanso, de um tempo para reorganizações e etc.”

O músico acrescentou que a banda sequer conseguiu interromper suas atividades pelo período necessário para resolver todas as pendências. Ao contrário da teoria de que o Angra criou o hiato para dispensar Fábio, Andreoli afirma que uma das intenções era justamente tentar reconstruir a relação com o vocalista.

“Muitas dessas coisas acabaram ficando ainda pendentes porque a gente, enfim, não parou o tanto que precisava para resolver determinadas coisas. E eu devo dizer que um dos motivos desse hiato era olhar para essa relação interna da banda, que, assim, já não tava muito legal, especialmente com o Fábio.”

“Então, muita gente acha que a gente inventou um hiato para tirar o Fábio, quando a verdade é o contrário. Um dos motivos desse hiato era conversar e tentar chegar num ponto comum para seguir com o Fábio. As coisas, o futuro quis que as coisas não fossem assim, entendeu?”

Marcelo Barbosa revela desgaste e momentos de incerteza

Se Felipe Andreoli explicou a intenção por trás do hiato, Marcelo Barbosa avançou ainda mais ao falar sobre o que vinha acontecendo nos bastidores. Em entrevista concedida ao Além da Ciência – Sérgio Sacani, o guitarrista afirmou que a separação não aconteceu repentinamente e comparou o processo ao fim de um relacionamento.

“A saída do Fábio não aconteceu de maneira do além, né? Ela é que nem o término de um relacionamento, né? Começa a terminar muito antes de terminar de fato, né?”

Segundo Barbosa, houve ocasiões em que Lione levantou a possibilidade de não cumprir determinados compromissos. O guitarrista recorda claramente de pelo menos dois episódios em que o cantor teria colocado sua participação em shows em dúvida.

“E ele, algumas vezes — eu lembro claramente de duas, mas talvez tenha tido até mais —, houve uma coisa meio assim: ‘Ó, talvez eu não vá fazer tal show, não vou entrar no avião.’ Foram essas as palavras, né?”

Essas situações criaram um problema prático para o restante do Angra. Não se tratava apenas de administrar o desgaste pessoal entre os integrantes, mas também de garantir que a banda tivesse condições de cumprir compromissos importantes caso uma ausência realmente acontecesse.

“E a gente ficava: ‘Cara, e se o cara realmente não… se acontece realmente?’, né?”

Foi nesse cenário que o nome de Alírio Netto ganhou ainda mais força. Além da amizade e da confiança já existentes entre os músicos, ele representava uma alternativa capaz de se preparar rapidamente caso o Angra precisasse recorrer a outro vocalista.

“E o Neto era o cara que a gente tinha certo de que poderia, num curto período de tempo, estar pronto pra fazer um show com o Angra e de quem a gente já confia, já tem um convívio bom, né? E tudo.”

O Bangers virou o ponto decisivo

De acordo com Marcelo Barbosa, um dos momentos mais delicados aconteceu justamente às vésperas do Bangers Open Air. A importância daquela apresentação aumentava a preocupação dos músicos diante de qualquer possibilidade de ausência.

“Então, assim, quando isso aconteceu pela última vez, de haver esse tipo de ameaça, de conjectura, que foi com relação ao Bangers, inclusive… A gente estava prestes a fazer um show que talvez seja um dos mais importantes da história da banda.”

Ainda assim, Barbosa fez questão de reconhecer a importância de Fábio Lione para a trajetória recente do Angra. O guitarrista descreveu o italiano como um amigo querido e alguém extremamente importante para o grupo, mas admitiu que a relação já apresentava sinais evidentes de desgaste.

“A gente tem o cara que foi extremamente importante pra banda por muito tempo, um amigo querido, mas que tava já com a relação meio desgastada nesses sentidos, né?”

Foi justamente nesse período que o convite a Alírio Netto começou a tomar forma.

“Então foi ali. Por isso que surgiu o convite pro Alírio nessa época já.”

Segundo Marcelo, o próprio Bangers Open Air acabou funcionando como uma espécie de despedida de Fábio Lione. Na percepção do guitarrista, o vocalista também demonstrava vontade de seguir outro caminho.

“E ali no Bangers mesmo a gente fez a despedida do Fábio, né? Porque acho que ele também tava querendo já seguir um outro caminho, né?”

No fim, em vez de uma ruptura inesperada ou de uma troca arquitetada às escondidas durante o hiato, os relatos de Felipe Andreoli e Marcelo Barbosa apontam para uma relação profissional que vinha se deteriorando antes mesmo dos anúncios públicos. As tentativas de encontrar um ponto comum não avançaram, enquanto a necessidade de preparar uma alternativa tornou-se mais urgente diante das incertezas envolvendo compromissos da banda.

Marcelo Barbosa resume o desfecho de maneira bastante simples:

“E, no final das contas, ficou conversado que era melhor haver essa separação.”

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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