Mantas e Abaddon se reencontram no Japão em show que celebra o legado do Venom

O reencontro de Jeff “Mantas” Dunn e Antony “Abaddon” Bray no palco japonês reacendeu a chama de uma das formações mais influentes da história do metal extremo. O show aconteceu em 30 de novembro, no Shinjuku Antiknock, em Tóquio, e marcou a primeira apresentação dos dois integrantes originais do Venom em anos. E tudo isso aconteceu diante de um público atento não apenas à música, mas também ao simbolismo desse retorno.
A apresentação ganhou ainda mais força com a participação de músicos respeitados da cena japonesa, como Masaki “Gezol” Tachi (Sabbat), Mirai Kawashima (Sigh), Shinji “Samm” Tachi (Metalucifer) e Noboru “Jero” Sakuma (Abigail). Juntos, eles deram vida a clássicos que ajudaram a moldar o black metal e todo o espectro do metal mais agressivo.
Além disso, a divulgação de vídeos completos do concerto ampliou o alcance do evento e consolidou o impacto do reencontro. Mais do que nostalgia, o show se apresentou como uma celebração viva de músicas que seguem relevantes décadas após seu lançamento inicial.
Quatro décadas de “Welcome To Hell” como ponto de partida
A motivação dessa união gira em torno dos 40 anos de “Welcome To Hell”, álbum lançado em 1981 e considerado um marco do metal extremo. Segundo Mantas, a ideia sempre foi olhar para esse repertório como um patrimônio coletivo, criado em uma época em que a banda funcionava mais como um grupo de jovens empolgados do que como uma empresa musical estruturada.
Em entrevistas recentes, o guitarrista destacou que, naquele início, composições, letras e artes gráficas surgiam de forma quase orgânica, sem disputas internas. Ele ressaltou que, com o passar do tempo, questões comerciais acabaram criando fissuras irreversíveis, mas que isso não apaga a força criativa daqueles primeiros anos nem o impacto cultural das canções.
Esse contexto explica por que Mantas e Abaddon optam por um projeto comemorativo, e não por uma retomada completa da banda original. Para eles, o foco está em honrar o que foi criado, e não em reescrever a própria história.
Relação com Cronos e feridas que não cicatrizaram
Ao falar sobre a possibilidade de Conrad “Cronos” Lant participar das comemorações futuras, Mantas foi direto. Embora o convite tenha existido, a resposta negativa deixou claro que antigas tensões continuam presentes. O músico comparou a relação com Cronos a uma experiência tóxica, algo que ele não pretende reintroduzir em sua vida neste momento.
O guitarrista também comentou o recente embate judicial envolvendo direitos autorais e merchandising, reforçando sua visão de que uma banda deve ser definida pela música, não por logotipos ou camisetas. Para ele, o valor real do Venom sempre esteve nas composições, capazes de atravessar gerações independentemente de disputas legais.
Ainda assim, Mantas fez questão de reconhecer publicamente as contribuições de Cronos, especialmente em letras marcantes como “Manitou” e “Nightmare”, demonstrando que o respeito artístico pode coexistir com o afastamento pessoal.
Novo material ou apenas celebração?
Quando questionado sobre a criação de músicas inéditas, Mantas mostrou cautela. Ele afirmou não ter certeza se o mundo realmente precisa de um novo álbum do Venom, defendendo que o público continua buscando as canções clássicas que definiram a banda. Para ele, a força de faixas como as de “Welcome To Hell” e “Black Metal” permanece insuperável.
Ainda assim, o músico não descartou totalmente a ideia de compor algo novo, desde que faça sentido artístico e emocional. Segundo Mantas, qualquer passo nesse sentido precisaria respeitar o espírito original da banda e a expectativa dos fãs, evitando transformações artificiais.
Enquanto isso, o cenário atual mostra três frentes distintas ligadas ao legado do Venom: a banda liderada por Cronos, o Venom Inc. comandado por Tony “Demolition Man” Dolan, e agora a colaboração direta entre Mantas e Abaddon. Cada uma segue seu caminho, mas todas orbitam em torno de um mesmo núcleo histórico.
O reencontro no Japão, portanto, não representa apenas um show isolado. Ele simboliza a permanência de uma obra que ajudou a definir o metal extremo, atravessou conflitos internos e segue inspirando músicos e fãs ao redor do mundo.