As mais de quatro décadas de “Back In Black”

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Recentemente um dos discos mais emblemáticos da história do Hard Rock, ou Hard n’ Heavy (se preferir) completou 41 anos de vida.

Colecionando sucesso e ultrapassando a marca dos 51 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, o disco tornou-se referência e influências para bandas e músicos ao redor do mundo, principalmente para as bandas com sonoridade voltada ao Hard Rock.

A banda em questão:Os australianos do AC/DC.

O disco em questão: “Back In Black”, sétimo  registro do quinteto lançado oficialmente no dia 25 de julho de 1980.

Mais que um registro na extensa discografia do grupo, “Back In Black” marca um novo capítulo na história do quinteto que em 19 de fevereiro de 1980 recebia a fátidica noticia de que seu vocalista Ronald Belford Scott (Bon Scott) havia falecido. Segundo laudos médicos, a causa de sua morte foi atribuída a “intoxicação alcoólica aguda”.

Após o funeral de Bon Scott, os músicos cogitaram encerrar as atividades já que a perda de seu vocalista deixou-os devastados. Porém, amigos e familiares incentivou-os a continuar, dizendo-lhes que “era preciso seguir em frente”. Então a banda resolveu que continuar era de fato necessário.

Após a (sábia) decisão de dar continuidade ao grupo, começaram os testes para a nova voz do AC/DC. Foi então que o produtor Robert John “Mutt” Lange, sugeriu que a banda deveria chamar Brian Johnson, na época vocalista do Geordie, para um teste cujo resultado impressionou de imediato os músicos.

Créditos: Reprodução/Site Oficial

Mesmo após o resultado positivo com Brian, os testes continuaram por alguns dias com com os demais candidatos à vaga. Porém, Brian voltou para um segundo ensaio e em 29 de março daquele ano, Malcolm Young ligou para o cantor para oferecer-lhe o “trabalho” para sua “empresa” (leia-se, banda).

Após a resposta positiva de Brian para Malcolm, o grupo finalmente estava pronto para entrar em estúdio e gravar um novo trabalho, o sétimo da carreira e evidentemente, o álbum de estréia com seu novo vocalista.

Os trabalhos começaram em abril, e terminaram em maio do mesmo ano, resultando em breves sete semanas, tendo inclusive a participação de Brian Johnson dividindo as composições ao lado dos irmãos Angus e Malcolm Young, sob a produção de Robert  “Mutt” Lange, que havia trabalhado com a banda no disco anterior, “Highway To Hell” de 1979.

Os primeiros ensaios foram logo agendados e inicialmente aconteceriam em Londres, Inglaterra, porém a falta de estúdios disponíveis naquele momento levaram o grupo ao Compass Point Studio, localizado em Nassau, Bahamas.

Ao chegar ao novo local de gravação, a banda enfrentou sérios problemas já que a área estava sendo atingida por tempestades tropicais que causariam estragos na eletricidade que abastecia o estúdio. Brian (Johnson), lembrou que “Não era nenhum tipo de estúdio, estávamos nessas pequenas celas de concreto, onde você tinha uma cama e uma cadeira. E uma velha senhora negra comandava todo o lugar. Oh, ela era assustadora, ela governou aquele lugar com uma barra de ferro. Tivemos que trancar as portas à noite porque ela nos avisou sobre esses haitianos que vinham à noite e roubavam o lugar. Então ela comprou para nós todas aquelas lanças de pesca de um metro e oitenta para mantermos na porra da porta”.

Créditos: Wikimedia Commons

Voltando ao disco: “Back In Black” foi gravado em um curto período de tempo, entre abril e maio de 1980, causando uma enorme pressão sobre Brian Johnson, já que o produtor  Mutt Lange, exigia a perfeição em cada verso cantado, focando sua atenção particularmente nos vocais.

Segundo Brian, ele (Mutt Lange) dizia algo como:

“De novo, Brian, de novo! Espere um pouco, você cantou aquela nota por muito tempo, então não há espaço para respirar”.

Segundo Brian Johnson:

“Ele (Mutt Lange) não deixaria nada passar. Ele tinha essa coisa de não querer que as pessoas ouvissem o álbum no futuro e dissessem que não havia jeito de alguém cantar aquilo. Até mesmo a respiração tinha que estar no lugar certo. E você não pode bater em um homem por isso, mas ele me deixou louco”.

Apesar de toda pressão e exigências por parte de Mutt Lange, tudo permaneceu bem entre banda e produtor e segundo os músicos a vibe no estúdio era de muito otimismo.

Créditos: Wikimedia Commons

Por sua vez, o engenheiro Tony Platt ficou consternado ao descobrir que as salas do estúdio não eram sonoramente complementares ao som do grupo, que foi projetado para ser o que eles denominavam “muito seco e compacto”.

Se aproximando do processo final de gravação, a banda ligou para seu empresário Ian Jeffrey, para que ele conseguisse um “sino” para incluir em uma das músicas presentes no disco. A música em questão era “Hells Bells”, cujo início traz o som de baladas de sinos.

Jeffery, localizou uma fundição para produzir o sino, porém após sete semanas, ele sugeriu que Platt (Tony) usasse gravações de sinos de alguma igreja próxima e isso foi tentado (sem êxito).

As gravações não deram muito certo já que a cada toque dos sinos, uma rajada de pássaros voando gerava sons estridentes.

Nasceu então a ideia de produzir e gravar os sons dos sinos em estúdio e assim o fizeram.  A fundição antecipou a produção do sino, que ficou perfeitamente afinado, e foi gravado no Ronnie Lane’s Mobile Studio, também conhecido como “LMS”, estúdio móvel que pertenceu ao músico britânico Ronnie Lane (The Small Faces, The Faces).

No dia 25 de julho de 1980 “Back In Black” foi lançado em primeira mão nos Estados Unidos da América. No Reino Unido e na Europa o lançamento ocorreu em 31 de julho, e somente em 11 de agosto daquele ano o mesmo fora lançado na Austrália.

Os resultados vieram imediatamente e o disco foi sucesso comercial estreando na 1a posição da parada de álbuns britânica, enquanto na parada americana o mesmo despontava na 4a posição.

O bom desempenho do álbum, imediatamente chamou a atenção da revista Rolling Stones que o chamou de “uma exibição excepcional para um álbum de heavy metal”.

O disco liderou as paradas britânicas por duas semanas e permaneceu no top 10 da parada americana por mais de cinco meses. Na Austrália, alcançou o número 2 na chamada paradas Aria Charts.

Após o lançamento de “Black in Black”, os discos anteriores, “Highway To Hell”, “If You Want Blood You Got It” e “Let There Be Rock”, também retornaram às  paradas britânicas, o que os tornou a primeira banda desde os Beatles a ter quatro álbuns no Top 100 britânico simultaneamente.

De volta ao sucesso americano, a Atlantic, gravadora americana da banda, lançou “Dirty Deeds Done Dirty Cheap” (1976), pela primeira vez no mercado americano em maio de 1981. A excelente aceitação do referido álbum ultrapassaria o pomposo “Back in Black” nas paradas americanas alcançado o terceiro lugar.

para promover o novo trabalho, foram gravados videoclipes para as faixas “You Shook Me All Night Long”, “Hells Bells”, “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”, “Let Me Put My Love Into You”, “What Do You Do For Money Honey”, além da faixa título.

Com exceção de “Let Me Put My Love Into You”, “What Do You Do For Money Honey”, as demais faixas foram lançadas como singles. Nos Estados Unidos, os singles, “You Shook Me All Night Long” e “Have a Drink on Me”, tornaram-se hits, figurando no Top 40 da parada americana, ocupando a 35a posição.

  • Percorrendo seu caminho de estrondoso sucesso, o álbum está incluso em inúmeras listas dos “melhores” e “importantes”.

No ano de 1989, foi classificado como o 26º na lista dos “100 Melhores Álbuns dos Anos 80” da revista Rolling Stone.

A faixa-título foi classificada na 190º posição das “500 Melhores Canções de Todos os Tempos”, também pela Rolling Stones.

Em 2001, o canal VH1 classificou “Back in Black” (o disco) na 82º posição em sua lista de “100 Top Albums”. O mesmo canal também colocou a faixa-título em 2º lugar de sua lista das “100 melhores Canções de Hard Rock”.

Em 2003, o álbum foi classificado como No. 73 na lista dos “500 Melhores Discos de Todos os Tempos” pela revista Rolling Stones.

Em 2012 a mesma Rolling Stones, colocou o disco na 77a posição numa lista revisada e em 2020 a 84º posição da mesma lista revisada.

Créditos: Atlantic Records

Em 2006, a revista “Q”, classificou o disco em 9º lugar em sua lista dos “40 Melhores Álbuns dos Anos 80”. Nesse mesmo ano (2006), “Back In Black”, foi incluído pela Time em sua lista dos “100 Melhores Álbuns de Todos os Tempos”, em 2010 ele foi listado em 2º lugar no livro “100 Best Australian Albums” e incluído no livro “1001 Albums You Must Hear Before You Die” (1001 discos que você precisa ouvir antes de morrer) na edição de 2005.

Nomes importantes e relevantes ligados a música como David Frickle, Christian Hoard, Barry Walters (Rolling Stones), Red Star (Smash Hits), Kitty Empire (The Observer), Tim Jonze (The Guardian), Paul Brannigan (Metal Hammer), Joe S. Harrington (Jornalista) e publicações como NME (New Musical Express) e Daily Telegraph, não economizaram elogios ao disco e banda.

Dentre efusivos e merecidos elogios, alguns se sobressaem ao apontar o disco como “um dos dez álbuns que ajudaram a restabelecer a popularidade global do gênero em 1980, tornando-o, o melhor ano para o heavy metal”, seguido de “o primeiro LP desde “Led Zeppelin II” que captura todo o sangue, suor e arrogância do gênero”, ou ainda “delicado equilíbrio de poder e finesse” da produção definiram o lado comercial da música pesada por anos após seu lançamento”.

Em crescente ascensão, o álbum conquistou 55 discos de platina (entre simples, duplos e triplos),algumas dezenas de discos de ouro e tambem de diamante.

Em países como Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, e Suécia, “Black In Black” figurou em posições expressivas e  importantes nos rankings de vendas e de execuções.

Desde seu lançamento até os dias atuais, “Back In Black” figurou por inúmeras vezes na parada da Billboard americana sempre em posições relevantes, bem como nas listas dos discos mais vendidos de todos os tempos em países como , Austrália, Canadá, França e Reino Unido.

Sua estreia na US Billboard 200 aconteceu em 1981, ao atingir a 7a posição da parada. O feito se repetiria nos anos de 2015 a 2020.

Na Austrália, Canadá, França e Reino Unido, atingiu a primeira posição das paradas musicais, enquanto em países como Dinamarca, Suíça, Nova Zelândia, Finlândia, Noruega, Espanha, Países Baixos e Áustria, o mesmo figurou em posições não menos relevantes.

Crédito: Reprodução

Algumas curiosidades importantes sobre o furacão “Back In Black”:

  • Oficialmente “Back in Black” ultrapassou a marca de 51 milhões de cópias vendidas, classificado como álbum de rock mais comercializado de todos os tempos. Na lista de mais vendidos mundialmente, ficou em 2º lugar, atrás apenas de “Thriller”, de Michael Jackson.
  • Inicialmente gravado nas Bahamas, o álbum foi finalizado em Nova York. O término ads gravações aconteceram no já citado Electric Lady Studios, fundado por Jimi Hendrix. Por lá, passaram nomes como Led Zeppelin, Kiss, Rolling Stones, David Bowie, U2, Stevie Wonder, Guns ‘n Roses e outros.
  • Segundo conta a história, quando a banda começou a escrever as letras do que seria o sucessor de “Highway to Hell”, Bon Scott, que começou sua carreira como baterista com The Spektors, gravou  as parte de bateria de “Let Me Put My Love Into You” e “Have A Drink On Me”. Anos mais tarde Angus Young confirmou que o vocalista na verdade tocou bateria em “Hell ‘s Bells” e “Have A Drink On Me”. Estas versões foram gravadas apenas em fitas demos.
  • Apesar de compor algumas letras para o disco, nenhuma das composições foram usadas no processo final de “Back In Black”. O motivo segundo a banda era que isso poderia aparentar algo como “lucrar” com a morte de Scott, e isso definitivamente não passava pela cabeça dos músicos.
  • Em outubro de 2004, a banda americana de Death Metal, Six Feet Under, lançou “Graveyard Classics 2”, uma homenagem aos australianos e claro, ao clássico “Back In Black” que aqui ganhou uma versão mais “agressiva e urrada”.
  • A produção de “Back In Black” também obteve grande sucesso na indústria musical. Os trabalhos de Robert “Mutt” Lange serviram como “guia” para os produtores de Hard Rock, que usam o disco como base de como um disco de Hard Rock deve soar.
  • Anos após seu lançamento, alguns estúdios em Nashville o usariam para verificar a acústica de uma sala, enquanto o Motörhead o usaria para afinar seu sistema de som.
  • Na lista de discos mais vendidos nos Estados Unidos,”Back In Black” ocupa a 6a posição. No Canadá, Alemanha e França, o disco também figura na lista dos discos mais vendidos de todos os tempos.
  • Os números exorbitantes e incalculáveis de vendas mundo afora, fez com que jornalista da New Music Express, Mark Beaumont, o classificasse como:” O álbum de hard rock mais vendido já feito”.Por sua vez, o historiador do Rock, Brock Helander disse que “possivelmente este é o álbum de Heavy Metal mais vendido na história da música pesada”.
  • Para celebrar os 41 anos de lançamento do disco que foi o maior sucesso comercial de sua carreira, a banda lançou no dia 25 de julho deste ano “The Story Of Back In Black”, documentário contendo clipes de entrevista de toda o processo de gravação do álbum, além de Brian Johnson, Angus Young, Malcolm Young, Cliff Williams e Phil Rudd relembram coletivamente a encruzilhada em que a banda estava após a trágica morte de Bon Scott em fevereiro de 1980. Os músicos também relembram outras anedotas históricas, caso de “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”, sendo escrita em apenas 15 minutos para satisfazer o requisito do disco que precisava de mais uma faixa.
  • De acordo com Angus Young, a capa preta do álbum foi um “sinal de luto” para Scott. Na época de seu lançamento, a Atlantic Records (gravadora do grupo na ocasião) discordou da capa, mas aceitou que a banda colocasse um contorno cinza ao redor do logotipo.

Integrantes:

  • Brian Johnson: Vocais
  • Angus Young: Guitarras
  • Malcolm Young: Guitarras, Backing vocals
  • Cliff Williams: Baixo, Backing vocals
  • Phil Rudd: Bateria

Faixas:

  1. Hells Bells
  2. Shoot to Thrill
  3. What Do You Do for Money Honey
  4. Givin the Dog A Bone
  5. Let Me Put My Love Into You
  6. Back In Black
  7. You Shook Me All Night Long
  8. Have A Drink On Me
  9. Shake A Leg
  10. Rock And Roll Ain’t Noise Pollution

Ficha Técnica:

  • Robert John (Mutt) Lange: Produtor
  • Benji Armbrister: Assistente de engenharia
  • Bob Defrin: Direção de arte
  • Robert Ellis: Fotografia
  • Ted Jensen: Remasterização
  • Tony Platt: Engenheiro
  • Brad Samuelsohn: Mixagem
  • Jack Newber: Assistente de engenharia

Redigido por Geovani “Gigio” Vieira

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