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Live Review: Viper + Shaman fazem tributo desastroso a André Matos no Summer Breeze 2023

Confesso que refleti bastante se deveria realmente escrever esta matéria e relatar tudo o que infelizmente ocorreu neste show específico realizado no último dia 29 de abril, na primeira edição do Summer Breeze Brasil. No final das contas, cheguei a conclusão que não dá para ver tudo o que eu vi e simplesmente fingir que nada aconteceu.

   

O Viper, o Shaman e o Angra possuem uma base de fãs muito grande, apaixonada e fiel, talvez por esses motivos, muitos veículos decidiram se calar. Nós não vamos fazer isso!

Como um grande fã do maestro André Matos desde minha adolescência, quando resolvi que iria comparecer ao Summer Breeze Brasil, no auge da minha ingenuidade, acreditei que o tributo a André seria um momento de grande emoção voltado a homenagens mais do que justas a um dos nossos grandes ícones da música pesada. Estariam ali o Viper, o Shaman e alguns integrantes do Angra, traduzindo, caras que em sua maioria trabalharam com André em vida e fizeram música junto dele. Obviamente, boa parte daquelas composições mais marcantes da carreira do cantor seriam tocadas e, não tinha erro, seria jogo ganho. Todos iríamos cantar junto e nos emocionar com as homenagens…

Bem, isso é o que deveria ter acontecido, mas na realidade, os presentes no Memorial da América Latina que se amontuaram na frente do Ice Stage esperaram por uma coisa e o que receberam foi outra totalmente diferente.

Vamos falar um pouco sobre o show em si e depois partiremos para mais algumas análises complementares.

Os muitos problemas do show

Partindo para o ponto de vista da apresentação em si, algumas palavras definem: desastrosa, frustrante, mal organizada, cheia de problemas técnicos, sem sal e quase nada de tributo. Sim, o show foi vendido a todos como uma homenagem a André Matos e o que vimos foi muito pouco ou quase nada disso. Posso afirmar sem qualquer medo que esta foi uma das performances mais bizarras e brochantes ao qual já assisti.

É claro que algumas pessoas partiram para o oba oba, resolveram colocar uma venda nos olhos e simplesmente acreditaram que estava tudo ótimo, mas isso não é uma realidade. Para alguns, somente a presença de músicos tão renomados e respeitados de nosso Metal já é sinônimo de festa, mas o que foi entregue foi muito abaixo do aceitável. Começo minhas críticas falando da qualidade do som: horrível desde o primeiro minuto. Poderíamos até dar um desconto caso este fosse o único ponto de demérito, mas não foi. Aliás, este foi o único show de todo o festival em que o som começou ruim e terminou ruim. O Benediction havia tocado no mesmo palco minutos antes e estava tudo excelente, o Sepultura tocou minutos depois e estava tudo excelente, os problemas foram exclusivos desse show e, portanto, isento de culpa a organização do evento.

Estava marcado que o Viper subiria no palco e iniciaria sua apresentação às 14:10, e é preciso mencionar que a pontualidade reinou durante os dois dias de Summer Breeze. Todas as bandas foram pontuais, menos o Viper, que foi o responsável pelo único atraso ocorrido nos mais de 30 shows do fest. Subiram ao palco cerca de 10 a 15 minutos atrasados e iniciaram a performance inexplicavelmente com “Under The Sun”. Nada contra esta música, muito pelo contrário, acho a canção excelente, mas pelo que me lembre este seria um tributo a André Matos

Enfim, a apresentação começou do avesso com uma música que é um single de um vindouro disco do Viper que estava marcado para ser lançado no último dia 13 de julho de 2022 (dia mundial do Rock do ano passado). Como todos sabemos, o lançamento não aconteceu e nenhuma explicação foi dada de forma oficial nem pela banda, nem pela gravadora, nem por sua assessoria (se é que eles tem uma). Os fãs simplesmente aguardaram o álbum e ele não chegou, nada foi dito e ficou por isso mesmo. Em “Under The Sun”, o microfone de Leandro Caçoilo estava simplesmente mudo. Não ouvimos uma palavra sequer cantada pelo vocalista. Outros instrumentos que falharam foram as guitarras, em alguns momentos a de Felipe Machado, em outros a de Kiko Shred. Somente nos últimos momentos da música o microfone de Caçoilo funcionou, mas estava intermitente.

VIPER / VIPER + SHAMAN NO SUMMER BREEZE BRASIL 2023 / PHOTO BY: Rafael E O Ribeiro

Enquanto os técnicos de palco tentavam ajustar a bagunça, Leandro Caçoilo explicou que somente naquele momento, depois de “Under The Sun”, iria ser iniciado o tributo a André Matos. E esta foi a única menção que o Viper fez ao “homenageado”. O clássico “A Cry from the Edge” veio na sequência e pensei, “agora vai”, mas não foi… o som continuava embolado, as guitarras falhando a todo momento e o microfone de Caçoilo bastante irregular. “Living For The Night” foi a próxima e já estava claro que não iam conseguir arrumar nada. Bingo! Não arrumaram mesmo e um dos maiores clássicos de todo o Metal nacional foi tocado de forma bem morna e sem energia. A “homenagem” do Viper se resumiu a isso, a banda deixou o palco e foram chamados o guitarrista Hugo Mariutti e o vocalista Alírio Neto (do Shaman), o guitarrista Rafael Bittencourt e o baixista Felipe Andreolli (do Angra) e o baterista Rodrigo Oliveira (do Korzus), que substituiu Ricardo Confessori por motivos óbvios.

“Lisbon” começou a ser tocada e confesso que demorei alguns momentos para reconhecê-la, já que o teclado marcante da introdução simplesmente estava inaudível. A guitarra de Rafael também não era ouvida e o show seguiu com o botão do “Deus nos acuda” ligado. Nesta parte percebi algo imperdoável. O Summer Breeze proporcionou a cada banda uma estrutura de festival gringo e havia um enorme telão no centro do palco que poderia ser utilizado pelas bandas. Todas elas usaram o telão, mas no tributo a André Matos o telão só foi utilizado em duas ocasiões, a primeira para exibir o logo do Viper na primeira parte do show e pouco depois para exibir o logo do Shaman. Neste momento em que estavam os dois integrantes do Angra no palco, o telão exibia o logo do Summer Breeze rodando e, acredite se quiser, não foi exposta uma única imagem de André Matos durante todo o show. Na platéia, o público ostentou uma bandeira belíssima em homenagem ao maestro, mas no palco se preocuparam mesmo em colocar os logos de suas respectivas bandas em evidência.

Falha ou descaso? Tire suas próprias conclusões.

   

Enfim, seguiram com “Make Believe” e, tirando a performance de Alírio Neto, que foi muito boa, todo o resto continuava medonho. Rafael e Felipe saíram e foram chamados ao palco o baixista Luis Mariutti e o tecladista Fabio Ribeiro para representar a formação do Shaman. E foi somente nesta hora do show que, finalmente, conseguimos ter alguns momentos interessantes. O som estava nitidamente melhor e a impressão era que os únicos instrumentos que estavam corretamente equalizados e ajustados eram os desses músicos. Portanto, as execuções de “Turn Away”, “For Tomorrow” e da balada “Fairy Tale” acabaram soando como um oásis no deserto. Alírio Neto parecia ser o único a se lembrar que aquele show era um tributo e foi dele as poucas menções feitas a André Matos. Quando ele foi ao microfone e começou a dizer algumas palavras sobre André, confesso que já estava angustiado achando que nem isso iria ser feito.

No final, foram chamados novamente Rafael Bittencourt, Felipe Andreolli e o guitarrista do Viper, Felipe Machado, para tocar “Carry On”. Esqueçam o momento aceitável do Shaman, pois em “Carry On”, com todos esses músicos no palco e todos os problemas anteriores com os instrumentos, de novo, tivemos um tremendo emboleiro no som e, por incrível que pareça, tinha instrumento afinado em tom diferente dos demais (creio que era a guitarra de Felipe Machado). Mas tocaram o barco assim mesmo e, nesta hora, só queria que aquele circo terminasse logo.

SHAMAN / VIPER + SHAMAN NO SUMMER BREEZE BRASIL 2023 / Photo By: Rafael E O Ribeiro

Parte dos músicos justificaram os problemas dizendo que praticamente não conseguiram ensaiar, mas a realidade é que o show foi marcado com meses de antecedência. Creio que tempo suficiente para, no mínimo, conversar sobre coisas óbvias como: “quais fotos ou vídeos de André Matos vamos colocar no telão?”, “Já que vou fazer uma jam com vocês, em qual afinação vocês tocam?”, “Pessoal, é um tributo a André Matos então vamos tocar somente músicas que ele gravou, ok?”.

O ego desses caras é tão grande ao ponto de sequer conversar antes de fazer um show juntos? E caso este seja o caso, por que diabos aceitaram o convite?

É muito triste saber que todos estes músicos são tarimbados e poderiam ter feito uma homenagem extremamente bonita e marcante a André Matos, na frente de milhares de pessoas e em um evento tão bem sucedido como foi a primeira edição brasileira do Summer Breeze, mas simplesmente não tiveram o entendimento adequado da situação e nos apresentaram qualquer coisa.

Sabemos que o Viper vem se arrastando por aí há muitos anos e, hoje, é mais uma ex-banda em atividade do que qualquer outra coisa. Pit Passarell há tempos não consegue se apresentar de forma minimamente aceitável, parece estar sempre bêbado ou sob o efeito de sabe-se lá o que. Vendo imagens de outras apresentações, é evidente que não respeita os músicos atuais da banda e se limita a ser um mero palhaço animador de platéia com suas dancinhas ridículas e discursos ininteligíveis. Traduzindo: está literalmente jogando o nome da banda na lata do lixo enquanto meia dúzia de fãs abobalhados o tratam como uma lenda. Já os músicos do Shaman são o oposto dessa galhofice, são extremamente profissionais e creio que ter participado de uma apresentação tão abaixo do esperado deve ter sido algo muito incomum e dolorido para eles. Principalmente, se este foi realmente o último show da banda. Neste caso, certamente, mereciam mais, mas acaba que a falta de empenho para organizar um show realmente profissional (por que este não foi) somada a inabilidade no planejamento dos atos cobraram seu preço.

Como resumo de tudo, uma banda aparentemente se afundando em seus próprios problemas internos e outra que já havia anunciado o fim das atividades meses antes do evento foram as grandes responsáveis por um tributo pessimamente executado a nada menos que um dos maiores nomes do nosso Metal nacional (senão o maior!).

André Matos merecia muito mais do que isso.

Setlist

  • Under The Sun
  • A Cry From The Edge
  • Living For The Night
  • Lisbon
  • Make Believe
  • Turn Away
  • For Tomorrow
  • Fairy Tale
  • Unfinished Allegro/ Carry On

Redigido por Fabio Reis

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Comentários

  1. Sem comentários, essa é a verdade!!!! fica apenas uma estória e uma história sobre Andre matos: Era uma vez um grande e talvez o melhor vocalista de metal melódico do Brazil com Z e que hoje não teve uma homenagem póstuma decente, teve alguns lembretes, algumas músicas tocadas em alguns shows e ficou apenas nisso…triste essa realidade!!!! Shaman depois da saída de Andre Matos não teve rendimento e ficou com cara de projeto, Viper que tentar viver as custas do saudoso Mestre André que cheguei a ver um vídeo deles recentemente metendo o pau nos atuais discos do Iron Maiden, fala sério!!!! A realidade é essa meus caros amigos do metal nacional…fica mesmo tudo na lembraça o que Andre Matos fez e o tributo mesmo é cada um ouvir os clássicos do cara que cantava bem e tinha carisma!!!! Posso estar errado em meus comentários, mas é apenas a minha opinião, valeu!!!!

  2. Cara, concordo com tudo. Principalmente a falta de consideração por parte dos músicos do Shaman em não convidarem Ricardo pro Evento. Uma homenagem ao Matos deveria ter o Ricardo presente, haja vista que o retorno do próprio Shaman, deu-se por um pedido de desculpas de Confessori ao André Matos inicialmente, que veio a puxar todos os outros músicos de volta para uma reunião.
    Com todo respeito ao Alírio, o Shaman morreu com André Matos. O que ocorreu com Ricardo, foi somente um pretexto para anunciar um fim que já era evidente. Não há como substituir André Matos no Shaman. Músicas fracas, letras previsíveis e etc. No Angra isso foi possível porque o Rafael e o Kiko são músicos incríveis (sem desmerecer os demais), e souberam contornar tudo num momento critico. Já no Shaman, um cara castrado pela esposa, o outro recluso do mundo, e um cara de técnica excelente mas que não priorizava a banda devido seus outros projetos, enfim, deu no que deu.
    Eu lamento que um gigante como André Matos seja relembrado em meio a polêmicas e picuinhas entre membros e ex membros. Mas valeu a intenção. Só não identifiquei nada de homenagem ao André Matos ali… Algumas palavras e músicas tocadas, até banda cover faz.
    Enfim. Mera opinião.

  3. Nessa vou ter de concordar com o Régis Tadeu, do fã idiota. Eu gosto de todas essas bandas e muito do Mattos, realmente doeu a perda. Mas também acho que estão santificando o cara além da conta, e essas 3 bandas são superestimadas, ficando restritas como bandas grandes apenas no (pobre) mercado nacional. E hoje nem isso, tão quase underground… E na verdade, não tem nada de errado com isso, o tempo delas já passou e tudo bem, o problema, como eu disse, são os fãs, que enxergam essas bandas em um tamanho e status que não correspondem a realidade delas. Elas estarem no Summer Breeze é quase um favor a elas.

  4. Parabéns por descrever o que muita gente viu, mas poucos comentaram!
    Foi um show de horrores.

    Eu vi alguns vacilos da organização com a qualidade do som. No show do Accept, os agudos sumiram. Então pode ter um dedo da organização aí.

    Mas, voltando ao tributo, me parece que tem mais coisas. Acredito que não houve um ensaio sequer. Talvez pela agenda do Angra. Talvez porque os caras não se entendem mesmo.

    Apenas a título de ilustração, nas músicas do Shaman, o Hugo fez questão de usar sua boa e velha Gibson V preta.
    Nas músicas do Angra, ele usou outra guitarra, de corpo que remete a uma Fender Jaguar (pode ser outra marca/modelo) em uma cor azul bebê.

    Pode não ser nada.
    Mas eu acho que tem uma questão de egos não resolvida aí.

  5. Finalmente alguém com coragem ! Essa foi exatamente a minha impressão! Andre Matos merecia bem mais afinal foi por ele q os caras subiram ao palco nesse dia! Parabéns pela sinceridade!

  6. Foi coerente e mostrou o real …. Infelizmente muita gente querendo aparecer e sem respeito ao grande Maestro, talentosíssimo, ímpar….
    A inveja impera nesse meio e quem não merecia está lá , está na cara de peroba ganhando dinheiro nas costas do nosso eterno André Matos!!
    Triste!!!
    Parabéns Fábio pela verdade…..

  7. Show do Angrafest com Viper, Matanza e Angra em POA teve o mesmo problema de som – no nosso caso, o microfone tava tão que nem se entendia o que os vocalistas estavam falando/cantando.

  8. Eu fiquei bem p da vida quando vi o anúncio, porque esses gold diggers Tao usando o nome do André desde que ele partiu.
    E o pior, não é homenagem coisa alguma, é só pra fazer dinheiro. Acho uma falta de respeito tremenda.
    Deixem o André em paz!!!
    Eu não dou mais 1 real pra nenhuma dessas bandas. Exceto o Lione e os Mariutti que acredito que não encabecem isso.

  9. Excelente materia Fábio. Foi cirurgico com tudo. Estava e o show bem abaixo do aceitável. Como músico do naipe desses caras não ensaiaram e ou não entregaram algo tão profissional? Falta de respeito com os fãs e com a história do André Matos.

  10. André era um cara mega detalhista, seus shows eram shows de verdade. Entendem agora porque ele escolhia qdo faria aparições com ex bandas? Porque se recusava a reunir com outros?
    André jamais aceitaria fazer algo morno, ele respeitava demais o fã pra entregar qualquer coisa.

  11. tbm acho, nojento esse povo depois de 4 anos ainda querendo ganhar dinheiro as custas do Andre. Inclusive o proprio irmão dele é outro aproveitador!!!

  12. GUSTAVO H.
    me conte quais e quem é:Já no Shaman, um cara castrado pela esposa, o outro recluso do mundo, e um cara de técnica excelente mas que não priorizava a banda devido seus outros projetos, enfim, deu no que deu.
    Eu lamento que um gigante como André Matos seja relembrado em meio a polêmicas e picuinhas entre membros e ex membros. isso antes ou depois da morte do andre?

  13. “um cara castrado pela esposa”: Luís
    “o outro recluso do mundo”: Hugo
    “um cara de técnica excelente mas que não priorizava a banda”: Ricardo

  14. Chato por dizer a verdade? Já sei, você é outro que fica abobalhado com qualquer porcaria de show que dizem ser homenagem ao André… Acertei?

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