Live Review: Exodus – Carioca Club (São Paulo – 09/10/2025): 40 anos de Bonded By Blood

Há noites que parecem transcender o simples ato de assistir a um show. O que aconteceu no Carioca Club no último dia 09 de outubro de 2025 foi exatamente isso: uma catarse coletiva, um tributo sonoro à brutalidade e à história de uma das bandas mais emblemáticas do Thrash Metal.
O Exodus veio a São Paulo para celebrar os 40 anos de Bonded By Blood (1985), e entregou uma apresentação avassaladora — veloz, precisa e absolutamente insana.
Desde os primeiros segundos, ficou claro que a banda vive um momento de renascimento. Rob Dukes, de volta ao posto de vocalista, mostrou por que é considerado um dos frontmen mais intensos e implacáveis do gênero.
Sua presença de palco foi uma mistura de fúria e carisma: cada grito, cada interação com o público e cada estrofe vociferada pareciam incendiar ainda mais a plateia que lotou o Carioca. O retorno de Dukes trouxe uma nova ferocidade à sonoridade do grupo, que soa hoje mais rápido, mais pesado e mais afiado do que nunca.

40 anos de Bonded By Blood
A abertura não poderia ter sido mais simbólica: “Bonded by Blood”, faixa-título do álbum homenageado, fez o público explodir em um mar de braços erguidos e rodas de mosh instantâneas. Em seguida, “Exodus” manteve o clima de celebração com sua estrutura clássica, transformando o Carioca em um verdadeiro campo de batalha Thrash. Quando “And Then There Were None” começou, o coro ensurdecedor da plateia deixou claro que cada fã ali presente sabia exatamente o que estava testemunhando — uma viagem no tempo à era de ouro do estilo.
A sequência com “A Lesson in Violence” e “Metal Command” reafirmou a força do material do álbum de 1985. Gary Holt e Lee Altus alternaram riffs cortantes e solos devastadores, enquanto Tom Hunting (um dos bateristas mais lendários do gênero) demonstrava uma vitalidade impressionante, detonando o kit com precisão cirúrgica e fúria primitiva.
O momento da fase mais “moderna” da noite veio com “Iconoclasm”, do The Atrocity Exhibition: Exhibit A (2007). E esta foi a única representante da primeira passagem de Rob Dukes pela banda. A música, com seu peso quase sufocante e estrutura mais técnica, funcionou como uma pausa estratégica sem perder intensidade, mostrando que mesmo o Exodus “recente” se mantém absolutamente fiel à brutalidade que o consagrou.

Um passeio pela discografia
Logo depois, o hino “Blacklist”, de Tempo Of The Damned (2004), arrancou gritos de cada canto do salão. Especialmente no refrão que virou um coro uníssono entre banda e público.
A banda então trouxe “Fabulous Disaster”, do álbum homônimo de 1989, levantando mais uma vez o público com seu groove irresistível e refrão pegajoso. Certamente, este é um verdadeiro clássico da fase oitentista e mais divertida do grupo.
O mergulho ao passado continuou com “No Love”, “Deliver Us To Evil” e “Piranha”, em uma sequência demolidora desta verdadeira bíblia do Thrash. O público parecia uma extensão do palco — cada verso era gritado como se fosse um mantra, cada riff transformava o Carioca Club em uma zona de guerra.
“Brain Dead”, de Pleasures Of The Flesh (1987), trouxe uma pegada mais cadenciada, mas igualmente destrutiva, preparando o terreno para uma reta final simplesmente apoteótica. Com “Impaler”, também de Tempo Of The Damned, o Exodus reafirmou sua capacidade de soar tão agressivo hoje quanto há quatro décadas — o peso das guitarras e o timbre cortante de Dukes transformaram a casa em um redemoinho sonoro.

Final apoteótico
E então veio o momento de pura insanidade coletiva: “The Toxic Waltz”, precedida por pequenos trechos de “Raining Blood” (Slayer) e “Motorbreath” (Metallica), que funcionaram como um aquecimento infernal. Quando o riff principal começou, o público se lançou em um mosh gigantesco — uma celebração da destruição em forma da clássica valsa tóxica.
Mas o clímax absoluto da noite veio com “Strike Of The Beast”, para fechar a celebração ao Bonded By Blood. No meio da música, ao primeiro comando de Dukes, formou-se o tradicional Wall of Death, dividindo a pista em dois exércitos prontos para colidir. Quando o riff detonou, o impacto foi certamente brutal — metade da audiência foi literalmente engolida pelo moshpit, em um dos momentos mais intensos já vistos no Carioca Club.
Ao final, não restava dúvida: o Exodus não apenas comemorou quatro décadas de um álbum histórico — eles provaram que continuam no auge da brutalidade, da técnica e da autenticidade. O show foi uma verdadeira aula de Thrash Metal, entregue por uma banda que ainda soa faminta, poderosa e absolutamente devastadora.
Uma noite que ficará marcada na memória de todos que estiveram lá — um pacto de sangue renovado entre o Exodus e seus seguidores brasileiros.

Setlist:
- Bonded by Blood
- Exodus
- And Then There Were None
- A Lesson in Violence
- Metal Command
- Iconoclasm
- Blacklist
- Fabulous Disaster
- No Love
- Deliver Us to Evil
- Piranha
- Brain Dead
- Impaler
- The Toxic Waltz (com “Raining Blood” and “Motorbreath”)
- Strike of the Beast
