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Resenha: Sumerlands – “Dreamkiller” (2022)

É o que dizem, quem está vivo uma hora aparece. Após meses, esse que vos escreve finalmente parece que reencontrou a inspiração para escrever novamente e tentar passar um pouco de seu pequeno repertório como resenhista e membro da Mundo Metal. Mas chega de falar sobre mim e vamos falar sobre o “esporte sonoro” que tanto amamos (parafraseando meu querido amigo Stephan).

Isolado, esquecido em meio a uma imensidão esbranquiçada de areias e dunas infindáveis, apenas seus pensamentos acompanham a sua estadia nessa paisagem desértica. Você se sente só, melancólico, seguido por pensamentos intrusivos e as vezes dolorosos. Porém, você também sente liberdade, uma felicidade única. O medo não é mais seu companheiro. Com o passar do tempo, os céus começam a mudar sua tonalidade azulada para um roxo, anunciando o anoitecer próximo. Mas, novamente, o medo não é mais seu companheiro. Nostalgia, melancolia, alegria, aceitação, sentimentos distintos, mas que fazem parte da mesma moeda, são inerentes da natureza humana. Sentimentos esses que conseguem nos aproximar ou afastar de nossa parte mais primal e brutal. Infelizmente, muitos de nós esquecemos de dar vazão a esses sentimentos e nos tornamos quase que como máquinas, sem nenhuma chama de vida, que realmente nos motive a viver e ser únicos.

Certo, onde quero chegar com essa pequena visão pessoal de um cenário interior que cada um de nós temos? E ainda lhe pergunto, o que isso tem haver com a resenha? Aos caros leitores que conhecem a minha forma de enxergar um disco, sabem que eu gosto de analisar a parte lírica de um lançamento, afinal, mesmo não sendo algo que conte em uma analise SONORA, o lirismo consegue nos conectar com o escritor da obra e isso acaba por abrilhantar ainda mais a nossa experiência. Dito isso, posso afirmar que o novo disco dos americanos do Sumerlands possui um lirismo fenomenal. Mas não é apenas o lirismo que chama a atenção. Mais trabalhado que seu sucessor, “Dreamkiller” é a amalgama quase perfeita entre os estilos mais oitentistas. Conseguimos ouvir um Heavy Metal clássico e tradicional, mas também temos canções que bebem da fonte do Hard Rock e, claro, ouvimos aqui uma grande influencia de Doom a la Pagan Altar.

   

Após 6 anos, os americanos realmente conseguiram estruturar bem a sua própria marca e essência. Mas quem são os integrantes da banda?

Arthur Rizk – Reprodução / Facebook

Arthur Rizk e John Powers são companheiros de guitarra do Eternal Idol (banda já conhecida por muitos aqui) e que decidiram formar sua própria banda com seu DNA. E para isso, se juntaram ao baterista Justin DeTore e em 2013 nasceu o Sumerlands. A banda chamou o excelente vocalista Phil Swanson (Briton Rites, Seamount, Lords of Triumph) para seus primeiro disco, o homônimo “Sumerlands”, lançado em 2016. Para os amantes de Heavy Metal com influencias de Doom Metal, o disco mencionado é um prato cheio. Guitarras encorpadas, riffs soturnos, vocais reverberados e atmosfera densa se mesclam a uma excelente aula de composição coesa e inspiradora. Destaco do debut as faixas: “The Sevent Seal”, “Blind”, “Haunted Forever” e “Spiral Infinite”. Porém, a banda fica em um silencio criativo por cerca de 6 anos, e desde de 2018 sem fazer shows. Nesse meio tempo, Phil sai da banda. O que poderia parecer o fim para muitos, mostrou ser a chance de se renovar e mostrar que o Sumerlands ainda pode fazer muito mais.

Dia 14 de abril, abruptamente Sumerlands anuncia um novo EP, contendo uma nova composição, um line-up novo e um cover de “I’m So Afraid” do Fleetwood Mac. Para a nova empreita dos 3 amigos, o baixista Brad Raub (Eternal Champion e War Hungry) e o vocalista Brendan Radigan (ex-Magic Circle, Stone Dagger, Torture Chain) foram convidados a participar e fechar esse time de peso. Cinco meses depois, “Dreamkiller” ganha o seu lançamento abaixo do selo Relapse Records. E se me pedissem para resumir em 2 características esse disco, eu escolheria “viciante” e “surpreendente’” Para começar, Brad é um excelente baixista e combinou muito bem com a proposta, mas o que mais chama a atenção é a nova cara que Brendan dá a banda. Um vocalista experiente e que cantou em um grupo relativamente conhecido da nova safra de Heavy/Doom (alguns já devem ter se deparado com a capa de “Journey Blind” da banda Magic Circle em algum site ou página), Brendan agora consegue apresentar uma identidade única em uma sonoridade criativa e que não se escora nos moldes black sabbathianos de fazer música densa e soturna. Sua voz alguns tons mais aguda combina de uma forma bem única com as distorções e timbres das cordas. Mas vamos começar a falar do disco pela sua artwork. “Dreamkiller” aborda temas convergentes, de perda, tristeza, alegria e auto-descoberta. A arte vai diretamente tratar desses assuntos, como aquela pequena visão introspectiva que mencionei antes, todos os sentimentos retratados pelas canções estão ali. Uma representação minimalista, mas cheia de significados.

Sumerlands – Reprodução / Relapse Records

A tracklist do disco é composta por 8 belas canções que estão tão bem selecionadas, que em nenhum momento você sentirá cansaço na audição. Para começar, o disco abre com a rápida e enérgica “Twilight Points the Way”, uma bela união de riffs e cavalgadas dosadas a uma bateria rítmica, um pré-refrão e refrão grudento compõe uma faixa excelente de abertura para o disco. Falando da parte lírica, essa música é um prato cheio de significado e dotada de um poesia densa e bem escrita, versos como:

“Em bater asas todas veladas em vermelho / Livre do isolamento / Sobre nosso domínio de desvanecimento / Respirando o vento da terra tão desdenhoso / Sabendo que nossa linha em breve está acabando”,

Enriquecem ainda mais a composição.

A próxima música fez parte do single lançado em abril e trata-se da simples e leve “Heavens Above”. As linhas retilíneas e uniformes da composição combinam perfeitamente com a atmosfera introspectiva da canção, dando ao ouvinte aquela estranha sensação de mudança e continuidade. Inclusive, a própria letra fala sobre isso.

“Levante-se à vista / Das mesmas ruínas em volta / Ainda há tempo para reconstruir / Minha realidade? / Acorde no meu túmulo / E eu olho para trás nos velhos hábitos”.

Na 3º faixa, chegamos a música que mais me conquistou. A faixa que leva o título do disco. “Dreamkiller” fez por onde merecer a ilustre missão de carregar o nome do álbum. Uma faixa simplesmente irrepreensível. Do começo ao fim, a composição dela é repleta de nuances, velocidade e um vocal de arrepiar os cabelos. O refrão fácil, preciso, nocauteia o ouvinte e fica preso no subconsciente, nos fazendo canta-lo quando menos esperamos. Novamente, um show a parte de lirismo, destaco aqui uma pequena parte dessa poesia.

“Tanta tristeza e dor / Tanta vida perdida tudo em vão / Eles estão rasgando as lágrimas / Direto de seus olhos, oh o… / Assassino dos sonhos / Ladrão de tempo”.

“Night Ride” é um verdadeiro representante de 2022 para as power ballads que tanto fazem falta nos discos mais novos. Suave, imponente, e reconfortante, a composição serve como um oásis em meio ao deserto, um local para se descansar e recuperar suas forças. Trazendo liricamente questionamentos sobre a perda, a faixa tem versos com questionamentos comuns a cada um de nós, como “Nunca parei de perguntar por que / Eu ganhei pouco e perdi tanto.”.

Em “Edge of the Night” temos um clássico Heavy Metal tradicional com riffs simples mas cativantes, atmosfera digna de nomes clássicos da NWOBHM, a música é acompanhada de um solo penetrante e que da mais profundidade ao que ouvimos ali. Liricamente falando, talvez essa seja a faixa com a letra mais simples de todas, mas com mensagens realmente genuínas e direta, como “Então carregue sua própria cruz / É seu para ouvir agora.. / Evite os bastardos e suas mentiras.”

Apresentando uma composição que parece ser uma mistura direta de algo como alguma faixa do “Point of Entry” com algo do “Defenders of The Faith”. Instrumental impecável, atmosfera penetrante, vocais dosados da melhor forma possível. Os riffs bases da música são incrivelmente bem pensados e formam uma linha continua que liga cada segmento de nota dos outros instrumentos. Fora, que não posso esquecer de mencionar como Arthur Rizk conseguiu colocar um teclado tão simples e que preencha qualquer possibilidade de espaços em branco. Junto a essa obra instrumental, já começamos com os versos reflexivos:

“Esquecido e negligenciado / Lançado na briga / Como vou sobreviver? / Todo o abrigo perdido/ Através de incontáveis dias / Deixado para a tempestade que chega.”.

Na reta final da audição, encontramos a faixa “The Savior’s Lie”. Mais uma power ballad? Pode-se dizer que sim. Leve e suave, essa composição não possui muitas nuances diferentes, mas apresenta muito bem o lado mais melódico que a banda tem. Novamente os questionamentos são bem retratados aqui. O poema escrito pela banda levanta muitos pontos sobre o “comportamento de manada” da sociedade em geral. Versos como “Nós adoramos seu poder / Como deus que julgará todos os nossos pecados / Conduza-nos / Vendo através dos olhos do mundo / Levando os lobos para o rebanho” nos fazem pensar se estamos aceitando ser levados a esse comportamento moralmente inaceitável.

Por fim, o disco encerra com a boa e tradicional “Death To Mercy”. Com padrões clássicos, a faixa se estende por quase 5 minutos de maneira cativante e dando um encerramento digno para um lançamento tão coeso. Por fim, o poema da composição do novo álbum se encerra magnífico como toda sua construção.

“Em direção à desolação / Liderados por máquinas de guerra / Morte à misericórdia.”.

Em conclusão, “Dreamkiller” foi um exímio sucessor do debut do grupo americano de Heavy Metal. Esse disco possui as nuances do seu predecessor, mescladas a novas e bem incorporadas características singulares de cada membro. Isso deu a esse lançamento um local de prestígio em meio aos novos discos das novas bandas e trouxe ao ouvinte a sensação de que o Sumerlands pode e vai fazer muito mais.

Esperamos que não demorem mais 6 anos para lançar outro bom disco.

Nota: 9,3

Integrantes:

  • Brad Raub (baixo)
  • Brendan Radigan (vocal)
  • Justin DeTore (bateria)
  • John Powers (guitarra)
  • Arthur Rizk (guitarra e teclado)

Faixas:

  1. Twilight Points the Way
  2. Heavens Above
  3. Dreamkiller
  4. Night Ride
  5. Edge of the Knife
  6. Force of a Storm
  7. The Savior’s Lie
  8. Death to Mercy

Redigido por Yurian ‘Dollynho’ Paiva

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