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Lançamento: Lana Lane – “Neptune Blue” (2022)

Dez anos após seu último lançamento, o excelente “El Dorado Hotel” (2012), eis que temos a volta de uma das mais belas vozes do Hard/Prog/Rock de todos os tempos, Lana Lane. Antes de mergulhar nas harmonias de “Neptune Blue”, novo e recém lançado trabalho de inéditas, é necessário falar um pouco da carreira discográfica de Lana Lane.

   

Sua primeira investida aconteceu com “Love Is An Illusion”, excelente álbum de estreia lançado em 1995. Após excelente repercussão, o sucesso veio imediatamente do Japão, país onde a cantora é reverenciada e conta com uma boa base de fãs. Trazendo em sua sonoridade um misto de estilos que vai do Hard Rock, passeando pelo Soft Rock, Prog Rock, Neo-Prog e Symphonic Rock (não confundir com Symphonic Metal), auxiliado por sua voz brilhante e poderosa, Lana mostra que fora privilegiada com um belo timbre, lembrando vozes como Ann Wilson (Heart), Stevie Nicks (Fleetwood Mac), Patti Smith, Joan Baez, Melissa Etheridge,Signe Toly Anderson (Jefferson Airplane), dentre outras.

De lá pra cá foram 13 discos lançados (incluindo o mais recente) e uma história que musicalmente surpreende não apenas por seu talento e voz, mas principalmente por serem discos de qualidade musical inquestionável.

Uma característica na carreira da artista é que além de suas composições, ela interpreta brilhantemente canções de artistas como Scorpions, Queen, Giant,Elton John, Kansas, Uriah Heep, Led Zeppelin, entre outros. Duvida? Então permita-se ouvir “Cover Colelction”, álbum lançado em 2003 apresentando 11 canções de artistas renomados, e que aqui ganharam um toque doce e sutil na voz aveludada de Lana Lane. Fica a dica.

De volta ao novo trabalho: Produzido por Erik Norlander (tecladista e também seu esposo), oficialmente, o disco foi lançado no dia 28 de janeiro deste ano via Frontiers Records e apresenta 11 novas faixas divididas em aproximadamente 58 minutos de duração.

No cardápio, uma excelente combinação de estilos que certamente irá agradar os antigos fãs (sou um deles) e também aqueles que terão seu primeiro contato com a obra da artista através desse registro.

Para um disco excepcional nada mais justo que uma banda a altura e nesse quesito, a cantora jamais decepcionou, visto que seus músicos de apoio sempre foram exímios e aqui não seria diferente. Atualmente o line up é composto por Erik Norlander (teclados, backing vocals), Jeff Kollman(guitarras), Mark McCrite (baixo, backing vocals), Don Schiff ( NS/Stick), Greg Ellis (bateria), John Payne (backing vocals) e claro, Lana Lane comandando o espetáculo com sua voz distinta e elegante.

Reprodução / Facebook / LANA LANE

Sem mais…Hora de conferir as maravilhas sonoras de “Neptune Blue”.

Vem comigo!

A abertura acontece com “Remember Me”, single que antecedeu o disco, ganhou videoclipe e de cara uma certeza: Lana continua cantando muito! Musicalmente temos uma canção bem construída, trazendo elementos de Neo-Prog, vocais precisos e linhas de teclados que nos remete aos trabalhos excepcionais de Arjen Anthony Lucassen e seu Ayreon, banda onde Erik (Norlander) e Lana contribuíram num passado não muito distante.

O encontro entre o Hard, Progressivo e sutis elementos de Jazz estão presentes em “Under The Big Sky”, canção que traça um equilíbrio entre os estilos citados destacando além dos backing vocals, os trabalhos excepcionais de guitarras que casam perfeitamente com os teclados, oferecendo ao ouvinte mais um momento grandioso. De quebra, mais um single contemplado com um videoclipe.

   

O lado Hard Rock aparece por completo em “Really Actually”, faixa que ao lado de suas antecessoras formam uma tríade perfeita, provocando no ouvinte a devida satisfação.

Navegando por águas mais calmas, a belíssima balada “Come Lift Me Up” traz em suas linhas de guitarras fortes e claras influências de um dos músicos mais “simpáticos” da música mundial, Ritchie Blackmore.

Além da voz privilegiada de Lana e dos trabalhos estupendos de guitarras, é necessário destacar os trabalhos magníficos de violões que aqui soam como a cereja do bolo.

Que música meus amigos.

O longo silêncio não fez a cantora ficar de fora das “novas tendências musicais” e isso fica evidente em “Bring It Home”, canção que apresenta uma linha mais voltada ao Modern Hard Rock, trazendo alguns efeitos em suas harmonias, bem como o uso de Wah-wah. E antes que me perguntem sobre o resultado final, eu vos digo:

Rapaz, não é que isso soou bacana!

E já que falamos de efeitos, eis que eles dão as caras (de novo) em “Don’t Disturb The Occupant”, canção onde a cantora mergulha mais uma vez no lado moderno do Rock e apesar dos efeitos desnecessários usados em sua voz, o resultado final é mais que positivo. A propósito, o entrosamento entre Kollman & Norlander dispensa qualquer comentário.

Divulgação / LANA LANE

Talvez seja exagero de minha parte dizer que o Heavy Metal, o Blues Rock e o Classic Rock estejam presentes em “Lady Mondegreen”, um dos mais belos momentos do disco, numa canção encantadora onde os teclados nos remetem aos britânicos do Uriah Heep da fase Ken Hensley, ao mesmo tempo em que Rick Wakeman (Yes), Keith Emerson (Emerson Lake and Palmer) e John Lord (Deep Purple) nos vêm à mente.

Traçando um paralelo, é possível notar em suas melodias as mesmas de “Easy Living” do Uriah Heep. Ouça atentamente as duas canções, e note que ambas têm certas semelhanças em suas harmonias. Mais uma vez as guitarras a la Ritchie Blackmore, também dão as caras, proporcionando riffs e solos excelentes.

Trazendo a mesma fórmula e melodias de sua antecessora, “Miss California” é mais uma música encantadora onde o instrumental transita nas ondas do Classic Hard.Destaques para a sintonia entre os violões e as guitarras, que mais uma vez dão uma aula de riffs e solos.

Someone Like You” (não confundir com a música de mesmo nome da cantora Adele) é mais um momento “soft” do disco. Apesar de trazer claras referências ao Blues, Lana mergulha também na sonoridade de nomes como Queen, Elton John, Joe Bonamassa, Beth Hart, Ann Wilson (solo), dentre outros.

   

O resultado final é uma canção que mantém o disco em alta, prendendo a atenção do ouvinte que se mantém fiel e satisfeito com tudo apresentado até aqui.

Em sua reta final, chegamos a penúltima faixa do disco e aqui uma viagem até o estupendo “Queen Of The Ocean”, álbum lançado em 1999, e particularmente falando, um dos melhores trabalhos da carreira da artista. Talvez o disco mais Hard Rock de sua discografia.

O que isso tem a ver? Bom, é que “Far From Home” apresenta melodias tão idênticas ao que foi feito no referido trabalho que a impressão é que estamos ouvindo a gloriosa “Nightfalls”, faixa presente no referido “Queen Of The Oceans”, e particularmente falando, uma das melhores música de Lana Lane.

De volta a “Far From Home”: Uma das melhores faixas do disco com uma atmosfera totalmente Hard Rock, que se une as linhas progressivas de teclados formando um híbrido perfeito no que podemos classificar como uma canção Hard Prog, lembrando mais uma vez o Ayreon.

Novamente, os trabalhos estupendos de Jeff Kollman chamam a atenção. O que ele faz com sua guitarra é no mínimo PERFEITO.

*Após a última nota, use a tecla “Repeat” sem moderação.

Fechando o disco, temos “Neptune Blue”, faixa que batiza esta obra prima, e talvez a música mais elaborada do disco.


Transitando entre o Hard/ProgRock e Neo-Prog, suas harmonias apresentam um excelente trabalho instrumental, destacando também a genialidade dos backing vocals que aqui aparecem como um coral de vozes, abrilhantando uma canção que ultrapassa os oito minutos de duração, porém sua construção melódica é tão espetacular que nem percebemos o quão longa ela pode ser. Ao final, a impressão é que não se passaram mais que três ou quatro minutos, e um certo flerte com a sonoridade de bandas como Pink Floyd e Supetramp.

Alguns pontos importantes e relevantes ao ouvir “Neptune Blue”:

  • Como já foi dito anteriormente, as linhas de vozes de Lana permanecem tão geniais quanto em seus primeiros registros. Em um belo domínio, ela consegue entoar notas altas sem usar agudos estridentes daqueles que prejudicam nossos tímpanos. Definitivamente, o ouvinte não tem que lidar com esta preocupação, já que Lana tem o domínio espetacular de sua voz, usando-a de forma educada, contida e precisa. Um verdadeiro afago para nossos ouvidos.
  • Outro ponto que não se pode passar despercebido: A qualidade dos músicos, que integram sua banda de apoio, é algo que dispensa qualquer comentário. Sem exceções, temos aqui uma banda composta por músicos excepcionais, fazendo bonito em seus respectivos instrumentos, ao mesmo tempo que contribuem com as partes de backing vocals que pra variar soam precisos e perfeitos.
  • Ainda temos os videoclipes que também são merecedores de elogios. Aparentemente e pelas tomadas de imagens, trata-se de um ambiente fechado onde a banda aproveitou o local para gravá-los. Algumas (poucas) cenas são externas, porém a simplicidade com o qual foram gravados (bem editados) aliado ao bom gosto das imagens exibidas focadas na maior parte nos músicos, fazem destes, peças que somam e agregam no resultado final do disco.
  • Por último e não menos relevante, é preciso enaltecer o belo trabalho de produção feito por Erik Norlander em um disco primoroso em todos os quesitos e dono de uma produção impecável.

É fato que Lana Lane não carrega um nome de peso como Doro Pesch, Tarja Turunen, Ann Wilson, etc, e talvez o seu começo tenha acontecido numa época onde alguns estilos musicais viveram seus maiores pesadelos. Porém, ainda há tempo de reverter o processo, ler menos sobre assuntos relacionados aos anos 90, principalmente aqueles cujo título diz que “os anos 90 foram terríveis para a música pesada”.

Balela! Apague isso de sua mente.

Os anos noventa tiveram momentos grandiosos e inúmeros discos foram lançados. O grande problema sempre foi a preguiça por parte de alguns e principalmente as (des)informações equivocadas por meia dúzia de “mídias especializadas” que endeusaram estilos ao invés de artistas. Nesse caso em específico, conheça mais e acredite menos.

   

N do R: Lana Lane está de volta com um disco que marca não apenas seu retorno aos palcos, mas o retorno de uma das mais belas vozes da música mundial, quebrando finalmente o silêncio ao presentear seus fãs com um trabalho repleto de belas melodias, belos arranjos, e o melhor, mantendo a essência musical de outrora sem perder a qualidade, característica marcante nos trabalhos versáteis da artista.

Ao final, a impressão é que a cantora fez uma retrospectiva em sua discografia e dela nasceu este novo e brilhante trabalho.

Por essas e outras, valeu a pena a espera!

Nota 9,1

Integrantes:

  • Lana Lane (vocal)
  • Erik Norlander (teclado)
  • Jeff Kollman (guitarra, vocal)
  • Mark McCrite (baixo, vocal)
  • Don Schiff (NF Stick)
  • Greg Ellis (bateria)
  • John Payne (vocal de apoio)

Faixas:

  1. Remember Me
  2. Under The Big Sky
  3. Really Actually
  4. Come Lift Me Up
  5. Bring It on Home
  6. Don’t Disturb the Occupants
  7. Lady Mondegreen (She’s So Misunderstood)
  8. Miss California
  9. Someone like You (Psych Version)
  10. Far From Home
  11. Neptune Blue

Redigido por Geovani “Gigio” Vieira

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