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Lançamento: God Dethroned – “Illuminati” (2020)

Gravadora: Metal Blade Records

   

O momento para lançar novos discos está propício e grandes nomes do Metal estão contribuindo, e muito, para que este mesmo perdure até a chegada do ano seguinte. Uma dessas bandas que não hesitaram em lançar é o God Dethroned. Quem é adepto da sonoridade dos holandeses sabe que se trata de uma banda com diversas idas e vindas, e que desde 2017 com o lançamento do ótimo “The World Ablaze”, os fãs mais ávidos vinham mantendo uma alta expectativa quanto ao próximo álbum. Três anos se passaram e, finalmente, temos a honra de apreciar mais uma obra destes seres endiabrados, sedentos pelo aclamado Blackened Death Metal pútrido e voraz. A Holanda é muito forte nesse quesito, apoiada por nomes como Sinister, Pestilence, Asphyx, além do próprio “Dethronão da massa”. Só não cito mais bandas para a resenha não ficar pesada a ponto de rasgar a tela.

“Illuminati” é o décimo primeiro álbum dos representantes dos Países Baixos, e que apesar das várias paradas, possuem dois dígitos de full-lengths. Coisa que muita banda boa e de longa data ainda não conseguiu. “Illuminati” foi lançado no dia 7 de fevereiro via Metal Blade, no qual foram produzidos três videoclipes para as faixas “Illuminati”, “Book Of Lies”, e “Spirit Of Beelzebub”, respectivamente. Depois de terminar a trilogia da Primeira Guerra Mundial, era hora de voltar ao lado sombrio com músicas sobre religião, maçonaria e ocultismo, segundo Henri Sattler. A excelente capa ficou a cargo do artista polonês Michal “Xaay” Loranc (Nile, Evocation). Agora bora conferir a quão qualificada e brilhante é esta nova joia infernal entregue pela horda de Beilen, Drenthe.

Logo de cara os holandeses jogam a bigorna do topo do vulcão abaixo, que nada mais é que a faixa título, ou seja, “Illuminati”. O início cadenciado com todo aquele ar característico e misterioso se propaga logo nos primeiros segundos da canção, me remetendo a bandas como Entombed, Obituary, e também Brujeria. Como sendo uma das três faixas que recebeu um videoclipe, podemos ver nas imagens uma congregação catequizando seus novos fiéis, já ligando isso ao título da música e nome do álbum. Acompanhando o vídeo, logo surgem as evidências sobre a pedofilia dentro da igreja. Retomando mais ao som, as melodias densas trazem algo de Hate para compor essa esfera do caos. Até que os primeiros versos são blasfemados vigorosamente e todo o conjunto mostra do que é capaz. A parte orquestral que contorna a canção a engrandece a ponto de torná-la um dos destaques do disco e do ano. O ritmo mais acelerado traz consigo pequenas frações de Deicide e Dismember, sem cair em contradição. Aqui estão presentes riffs cortantes e valiosos somados aos solos inspirados em Rhandy Roads e Marty Friedman, porém, mais densos. “Proibido pela igreja, controlamos sem dominação / Fidelidade para conspirar, controlar o destino do mundo”.

Na sequência temos as faixas “Broken Halo” e “Book Of Lies”. A primeira remete aos pecados no jardim do Éden e traz mais uma estonteante sequência de riffs e melodias macabras que variam entre o que bandas do porte de Hate, novamente citado, e Behemoth costumam fazer com maestria. “No jardim do prazer divino / Vermes caem da árvore da vida / O clero lascivo sucumbe à tentação / Demônios se alimentam das almas da corrupção”. A segunda recebeu um videoclipe e traz consigo uma similaridade com a faixa “City Of God” do álbum homônimo do Sodom de 2006. “Quem você achou que estava enganando / Um reino baseado em palavras vazias / Seu Santo Graal foi roubado / Seu pastor morto pelo lobo” – letra e video andando juntos contrários aos manuscritos da igreja e trazendo aquele velho clichê da Bíblia pegando fogo. Isso me faz lembrar que eu vi de perto duas Bíblias queimarem. Uma foi queimada pelo meu pai que era bem antiga de capa preta e páginas amarelas, e a outra aquela pequena que só contém o Novo Testamento mais reduzido que folha salarial de cargo comum, queimada por um amigo durante um evento de bandas cristãs.

A quarta execução de seres inadequados para este tipo de som atende pelo nome de “Spirit Of Beelzebub”, a qual também possui um videoclipe. “Oh Belzebu, senhor da fornicação / Você traz a escuridão, sua força é pura / Lança uma sombra sobre este mundo / Prevaleça no caos / Eles pensaram que você estava morto” – talvez a faixa mais demoníaca do disco com coros infernais e melodias insanas, somada ao vídeo que mostra a perseguição e sacrifício de Belzebu, lembrando e muito a série Supernatural (Sobrenatural aqui no Brasil), e seu retorno através de rituais satânicos. Novamente um clipe bacana para uma canção exuberantemente fenomenal. O quinto tiro de misericórdia na luz possui a nomenclatura de “Satan Spawn”. Esta “múzga” apresenta um Death Metal mais direto, descendo masmorra abaixo até o último calabouço no subsolo do outro mundo. Os solos são um massacre agudo aos ouvidos desavisados. “Na grelha do Hades / Ou no nono anel do inferno / Eu peguei sua coroa, eu sou Satanás / Deidade banida dos céus / Sem santidade, eu vou te caçar”.

Mais duas faixas, “Gabriel” e “Eye Of Horus”, para incendiar o seu aparelho de som. “Gabriel” possui uma passagem inicial que coloca um pouco de tempero agridoce sabor meio Sympho, meio Gothic, mas sem exagerar na dose e logo unindo ao melhor do Metal extremo que sabem executar como ninguém. “Lembre-se da primeira guerra, / o jeito que o céu queimava / Rostos de anjos destruídos / e criação do inferno / Eu fiquei com meus irmãos / E assisti Lúcifer cair” – mostrando o ar sarcástico e maquiavélico do anjo Gabriel. “Eyes Of Horus” já entrega pelo nome e parece uma canção dos gregos do Rotting Christ, tanto pela letra, quanto pelo ritmo, lembrando e muito inclusive o penúltimo álbum deles, o “Rituals” de 2016. “Eu sou o deus do sol Ra / Eu sou o deus da lua Thoth / Osíris, deus da vida após a morte / Afogado no rio Nilo / Oh pai, não consigo encontrar seu túmulo / Meu pai, você pode ter morrido em vão / Que os olhos de Horus saiam do deus / E brilhem fora de sua boca” – bem parecida com a faixa “In Nomine Dei Nostri” do disco citado.

Faltando poucos minutos para finalizar a partida no inferno, God Dethroned entrega aos seus adeptos uma faixa instrumental bem curta intitulada “Dominus Muscarum”, que serve de abertura para a última canção, devastadora de lares ortodoxos, batizada de “Blood Moon Eclipse”, faixa esta com andamentos bastante extremos, intercalados com momentos mais densos e muito bem trabalhados como todas as anteriores. O mais novo full-length dos holandeses é encerrado de forma coesa e com amplo brilhantismo, mostrando que a banda está sim e deverá permanecer por muito tempo no topo da cadeia sonora. “Em um baralho de cartas você é o coringa / Seu espírito está solto, sua mente está livre / Você é desejado entre todos os homens / Você é uma criatura da noite”.

Assim como foi citado no início do manuscrito, God Dethroned sempre sofreu com idas e vindas, mas mesmo com esses problemas se mantêm firme em sua proposta musical. Desde que retomaram a dianteira em meados de 2014, Sattler, Van Der Plicht e Pomper buscaram elevar o patamar da banda, conseguindo êxito em 2017, e consolidando esse retorno definitivo com a contribuição de Meester, que integra o time desde 2019, com todos estando mais do que de parabéns por esse feito. E se o caríssimo leitor aprecia o bom e destruidor Death Metal, este é um trabalho repleto de destruição sonora em massa para ser apreciado sem moderação o dia inteiro! God Dethroned reina sob a carcaça imunda dos “metalzinhos” chinfrins de plantão!

Nota: 9,2


  • Formação:
  • Henri Sattler (guitarra, vocal)
  • Michiel Van Der Plicht (bateria)
  • Jeroen Pomper (baixo, vocal)
  • Dave Meester (guitarra)
  • Faixas:
  • 1. Illuminati
  • 2. Broken Halo
  • 3. Book Of Lies
  • 4. Spirit Of Beelzebub
  • 5. Satan Spawn
  • 6. Gabriel
  • 7. Eye Of Horus
  • 8. Dominus Muscarum
  • 9. Blood Moon Eclipse
  • Redigido por: Stephan Giuliano
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