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Lançamento: Annihilator – “Balistic, Sadistic” (2020)

Gravadora: Silver Lining Music

   

“Sadistic, Balistic”, o décimo sétimo registro de estúdio do Annihilator, traz uma enorme novidade com relação aos seus antecessores: ele repete uma mesma formação. Em se tratando de Annihilator, isso é algo a se festejar, acredite.

A banda de Thrash Metal canadense surgiu em 1984 e debutou com o clássico “Alice In Hell”, em 1989. Na sequência, lançaram outro grande petardo, o também clássico “Never, Neverland”, em 1990. Depois desse início arrasador, o grupo, liderado com mãos de ferro pelo guitarrista Jeff Waters, apresentou uma série de trabalhos que oscilaram muito e dividiram opiniões. Ao bem da verdade é que mesmo com bons momentos aqui e acolá, os caras jamais voltaram a empolgar como em seus dois primeiros discos. A troca de integrantes se tornou algo corriqueiro e, em grande parte dos lançamentos, prejudicou muito a banda. Em 2015, o próprio Jeff Waters assumiu os vocais do Annihilator e gravou o mediano “Suicide Society”. Dois anos mais tarde, em 2017, após trocar praticamente a banda toda novamente, mais um álbum mediano e sem muito brilho foi apresentado, desta vez, “For The Demented”. A banda parecia estar realmente predestinada a passar o resto de sua existência lançando discos pouco inspirados, que alternavam bons momentos com outros totalmente esquecíveis e decepcionantes.

Em 2020, nosso querido Jefferson Águas (para os íntimos) anunciou mais um álbum de estúdio. Como os anteriores não foram lá grande coisa, a maioria dos headbangers e thrashers de plantão não deram muito bola para o famigerado “Sadistic, Balistic”. Mas não é que o cara parece ter acertado a mão e, após diversas audições, posso afirmar sem medo de errar que este é o melhor disco da banda em muito tempo. Finalmente repetindo uma mesma formação, Waters foi buscar inspiração lá em 1990, no ótimo “Never, Neverland”. Obviamente não podemos comparar um trabalho com o outro, porém, aquele Thrash técnico, descompromissado, riffeiro e cheio de melodias ousadas está de volta.

“Armed To The Teeth” abre a audição e é uma faixa tipicamente Annihilator, cheia de riffs cortantes, com um refrão grudento e ritmo empolgante, deixa uma ótima impressão. “The Attittude” possui uma introdução que engana, pois quando você pensa que a faixa descambará para algo mais arrastado, ela explode num Thrash veloz e cheio de viradas. “Psycho Ward” é, com certeza, uma das melhores do disco, com um andamento que chega lembrar a ótima “Stonewall”, presente no já mencionado “Never, Neverland”, a canção soa como uma espécie de volta às raízes ou até mesmo um revival dos bons momentos da banda. Na sequência, temos um Thrash um pouco mais moderno, porém daqueles rápidos e cheios de linhas de guitarra desconcertantes, algo já bem conhecido por todos aqueles que conhecem as habilidades de Jeff. A audição segue com “Out With The Garbage”, outra música rápida e cortante, mostrando que o novo trabalho chegou para trazer de volta o lado mais Thrash Metal da banda e deixar de lado aquelas experimentações meio nonsense que faziam as audições ficarem tediosas.

A metade final de “Sadistic, Balistic” continua com a temperatura alta, “Dressed Up For Evil” traz momentos que nos remetem diretamente ao debut “Alice In Hell” e empolga. “Riot” é dona de um riff matador e, apesar de soar um pouco mais moderna, não decepciona. “One Wrong Move” não diminui a velocidade e tão pouco a intensidade, enquanto “Lip Service” nos faz voltar novamente aquela sonoridade de “Never, Neverland” e também faz referência aquele lado mais despojado e despretensioso presente em “Set The World Afire”, de 1993. Waters até aqui mostra bastante empenho em fazer aflorar todas as principais características presentes em seus melhores álbuns e, para finalizar, temos “The End Of The Lie”, outra composição absolutamente veloz e que flerta com a musicalidade de “Alice In Hell”.

Sinceramente, este é um lançamento que eu não esperava muita coisa, mas que me surpreendeu em todos os quesitos. Ninguém duvida da capacidade técnica e criativa de Jeff Waters, o cara é um baita guitarrista, o problema é que durante muito tempo ele deixou que um lado, exacerbadamente, experimental aparecesse com muito destaque nos discos do Annihilator. As mudanças de formação, querendo ou não, também sempre atrapalharam demais e, neste álbum em específico, ficou claro o intuito de trazer de volta a musicalidade dos períodos realmente relevantes do passado da banda. O resultado não poderia ser outro: excelente registro!

Nota: 8,9


  • Integrantes:
  • Jeff Waters (vocal e guitarra)
  • Rich Hinks (baixo)
  • Aaron Homma (guitarra)
  • Fabio Alessandrini (bateria)
  • Faixas:
  • 1. Armed To The Teeth
  • 2. The Attitude
  • 3. Psycho Ward
  • 4. I Am Warfare
  • 5. Out With The Garbage
  • 6. Dressed Up For Evil
  • 7. Riot
  • 8. One Wrong Move
  • 9. Lip Service
  • 10. The End Of The Lie
  • Redigido por Fabio Reis
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