Kreator: “A letra vem primeiro. Encontrar os riffs representa apenas 10% ou 15% de toda a composição”, diz Mille

Kreator: "A letra vem primeiro. Encontrar os riffs representa apenas 10% ou 15% de toda a composição", diz Mille
reprodução / Facebook / Kreator

O vocalista/guitarrista do Kreator, Mille Petrozza, concedeu uma nova entrevista ao programa “Coffee With Ola”, comandado pelo guitarrista do The Haunted, Ola Englund, para falar sobre o próximo disco do Kreator intitulado “Krushers Of The World”, que chegará às lojas e às plataformas de streaming no dia 16 de janeiro. Para o vindouro registro, a banda contou novamente com o trabalho do renomado produtor Jens Bogren, que já havia trabalhado com o Kreator anteriormente nos álbuns “Phantom Antichrist” (2012) e “Gods Of Violence” (2017).

Sobre o processo de composição de “Krushers Of The World”, Mille comentou:

“A questão é que é como um quebra-cabeça. Você começa a criar todos esses riffs que pensa que talvez estejam um pouco acima do que você consegue tocar, mas se você ensaiar, se praticar e se entrar no clima, talvez consiga fazer isso em algum momento. O que não acontece quando entramos no estúdio. Mas pode acontecer quando fizermos os cinco primeiros shows de uma turnê. E aí tudo começa a fluir.

Na maioria das vezes, a letra vem primeiro. E precisa haver uma ideia. E quando tenho uma ideia para a letra… aí eu crio os riffs. E os riffs, eu não quero me limitar. Quero que sejam um pouco espetaculares ou algo que nem todo mundo consiga tocar de primeira. Mas também, harmonicamente, eles precisam ser bons para a minha voz, para a minha voz de alcance médio, para funcionarem ao vivo… Mas, no fim das contas, na minha experiência, sempre foi bom tocar um pouco acima das suas capacidades. Mas, em algum momento, isso te torna um músico melhor porque você se desafia. Não significa necessariamente que os riffs precisam ser complicados a qualquer custo. Se eles forem legais e muito fáceis de tocar, também rendem ótimas músicas. Então, acho que você sempre tem que encontrar o que é melhor para a música. E acho que encontrar os riffs representa apenas 10% ou 15% de toda a composição. Mas é muito importante, especialmente em metais.”

Ola Englund observou que os riffs constituem “90%” do processo de composição, na sua opinião. Mille comentou:

“Definitivamente existem exceções à regra. Não sei como o Metallica compõe suas músicas. Mas acho que eles também começam pelos riffs. Então, cada banda é diferente. Não existe uma fórmula — não existe uma fórmula certa que funcione para todas as bandas. E acho que, para a minha banda ou para o meu estilo de composição, sempre funcionou muito bem ter um tema lírico ou, às vezes, até mesmo um refrão. Preciso de algo que as pessoas possam cantar junto. Gosto quando as pessoas cantam junto. E gosto quando as pessoas conseguem se lembrar das músicas. Gosto de coisas cativantes. Não sou um fã de ‘prog’. Adoro Rush — não me entendam mal — e adoro Tool, as primeiras músicas, mas também gosto de compor. E acho que, por exemplo, uma banda como Tool e Rush, elas têm esse meio-termo — elas têm ótimas músicas, mas têm ritmos estranhos. E isso faz com que… Para mim, como ouvinte, isso torna a experiência agradável. Mas se for complicado demais só por ser complicado, não me agrada.”

Mille também contou como as músicas do novo disco foram criadas:

“Eu componho gravando demos. Tenho um amigo [Andy Posdziech] que tem um ótimo estúdio. Ele toca numa banda chamada Any Given Day. Eles são uma banda muito boa. E dessa vez, quando gravei as demos, elas quase soaram como o álbum, porque eram muito detalhadas. A bateria soava ótima. E a forma como gravamos os riffs, a qualidade sonora das demos estava realmente boa. Então, eu gostei de ouvi-las. Ouvi as demos por uns dois meses, na verdade, antes mesmo de mostrá-las para alguém. Isso me ajudou a perceber se eu gostava ou não das músicas. E convivi com elas por uns seis meses e depois fui para o estúdio do Jens. Fui lá com as demos, e ele fazia uma pré-produção da pré-produção, tipo, desenvolvendo as ideias dele.

Cada um é diferente, mas acho que pode ajudar bastante se você fizer uma gravação adequada da música que tem em mente, com bateria eletrônica e todos os recursos digitais, gravando mais ou menos como ela vai soar no final. Depois, enquanto você está — sei lá — lavando a louça, limpando o apartamento ou qualquer outra coisa, você vai ouvindo a gravação de fundo e, se gostar, pode ser uma boa música. Como eu disse, é só o meu jeito de fazer as coisas, mas me ajuda.”

Assista a entrevista completa abaixo:

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