Kiss: apesar dos EUA inventarem o Rock, Gene diz, “quando você lista as, sei lá, 10 melhores bandas de todos os tempos, todas eram inglesas”

Gene Simmons, provavelmente, é um dos músicos mais polêmicos do Rock e quiçá da música em geral. Sabe aquele tipo de pessoa que fala sobre absolutamente tudo sem papas na língua e com opiniões tão sinceras que poucos teriam coragem de externar? Este é ele, sempre autêntico, do tipo ame ou odeie, mas certamente um dos músicos mais bem sucedidos de toda história.
Aos trancos e barrancos, como em uma montanha russa, a carreira do Kiss chegou a mais de 5 décadas e deixou uma infinidade de álbuns icônicos, além de um número generoso de sucessos, hits radiofônicos e hinos do Rock And Roll.
Depois de tanto tempo dentro da indústria da música, como será que Gene enxerga o primeiro disco do Kiss, lançado em fevereiro de 1974? O álbum foi lançado pela Casablanca Records, com gravação na cidade de Nova Iorque e foi escrito basicamente por Paul Stanley e Gene Simmons.
Apesar da produção um pouco precária e da pouca experiência da banda, estamos falando de um registro que certamente trouxe ao mundo faixas como “Strutter”, “Nothin’ to Lose”, “Cold Gin”, “Deuce” e “Black Diamond”.

Em uma nova entrevista a Terrie Carr, da rádio WDHA-FM 105.5, Gene falou sobre estes primeiros momentos do Kiss. O músico também explicou qual era a ideia da banda e passou um panorama do Rock And Roll naquela época. Veja:
“Acho que provavelmente é o disco mais honesto que já fizemos. Não precisa ser o melhor, mas pintores e artistas falam sobre a honestidade da inocência antes de aprendermos a fazer as coisas. Como jovens — a arte mais honesta é quando uma criança pequena mergulha na lama ou no cocô da banheira e começa a criar imagens e coisas assim. Essa é a expressão mais honesta da arte antes de você conhecer forma, função e qualquer coisa do tipo. Então, não sabíamos nada sobre o processo de gravação. Mal sabíamos afinar os instrumentos e meio que podíamos compor músicas, com base em nosso amor por isso… Éramos anglófilos. Adorávamos a versão em inglês do que os americanos inventaram, que era Rock And Roll e blues, e isso depois se tornou rap e tudo mais.
Tudo começou aqui nos EUA, mas, vamos lá, os ingleses nos deram os Beatles e o Led Zeppelin e outras coisas, e nós demos a eles o Grateful Dead. São apenas léguas à parte. Nada americano jamais chegou a esse nível com pessoas que tocam guitarra. Nada — nem perto disso. E quando você lista as — sei lá — 10 melhores bandas de todos os tempos, todas eram inglesas ou irlandesas. Os Beatles e os Rolling Stones e a invasão inglesa e coisas assim — e assim por diante. Músicas incríveis. E então começamos a escrever músicas assim, sem copiar nem nada, mas dentro dessa linha. E foi fácil. Paul e eu fomos por muito tempo estudantes de composição e das bandas inglesas e tudo mais. The Kinks — meu Deus, aqueles primeiros anos. ‘Waterloo Sunset’ era tão, tão simples, despojada até mesmo de produção.
A ideia por trás dessas músicas do primeiro álbum era que queríamos reunir uma banda que nunca tínhamos visto no palco. Então, por um lado, tínhamos uma espécie de amor pela música anglófila e por aquelas bandas inglesas, mas também havia a semelhança de que, se você não soubesse muito, não conseguiria distinguir entre The Kinks, Rolling Stones ou Beatles e tudo mais. Todos tinham basicamente o mesmo tipo de penteado, a mesma idade — exceto os Beatles, todos cantavam, todos eram estrelas. Essa era uma diferença enorme. E então olhamos para os Beatles como um modelo. Não seria ótimo se todos cantassem e fossem a voz principal? Foi tipo, ‘Espere um minuto’. Nos Stones, era Mick Jagger. Nos Kinks, era Ray Davies — e assim por diante. No Aerosmith, é Steven Tyler — ninguém mais canta. Mas no Kiss, todo mundo canta. E isso era algo que nos atraía.
Agora, juntando tudo isso, você tem que passar por audições, e eventualmente encontramos a mistura certa, aqueles caras originais. Dito isso, infelizmente, nem todo mundo é projetado em seu DNA para correr maratonas. Algumas pessoas são apenas estrelas cadentes — elas só correm por um tempinho. E Ace Frehley e Peter Criss eram tão perfeitos para a formação original, mas eles simplesmente não foram projetados para durar 50 anos. Então eles entraram e saíram da banda três vezes diferentes.”