Kings Of Thrash lança “Bullets Ready” com Steve “Zetro” Souza, mas resultado fica muito abaixo das expectativas

O Kings Of Thrash surgiu como um projeto curioso dentro do universo do Thrash Metal: reunir ex-integrantes do Megadeth para revisitar um repertório clássico e, ao mesmo tempo, tentar construir uma nova identidade. Formado pelo baixista David Ellefson e pelo guitarrista Jeff Young, o grupo inicialmente apostou em turnês focadas nos três primeiros álbuns da banda liderada por Dave Mustaine, chegando inclusive a contar com participações pontuais do guitarrista Chris Poland.
Ainda assim, apesar do peso histórico envolvido, o projeto sempre soou mais como uma celebração nostálgica do que como uma proposta artística sólida. Na prática, o Kings Of Thrash operava como uma banda tributo de luxo — algo que, por si só, não gerou grande impacto no cenário musical. Em contrapartida, o grupo passou a chamar atenção por declarações polêmicas de Ellefson e Young, que frequentemente provocavam Mustaine em entrevistas, numa insistência que beirava a autopromoção. O silêncio do líder do Megadeth, por outro lado, acabou esvaziando esse tipo de estratégia.
Da nostalgia à tentativa autoral
Com o tempo, o Kings Of Thrash decidiu investir em material próprio. No entanto, o resultado até agora levanta dúvidas sobre a real capacidade criativa do projeto. A faixa “Lockdown”, lançada em 2025, já indicava um caminho pouco empolgante: a música soa como um resgate tardio de ideias descartadas dos anos 80. Não chega a comprometer, mas também não apresenta força suficiente para justificar sua existência.
Agora, com “Bullets Ready”, a banda tenta avançar nessa proposta autoral. A faixa, lançada pela Cleopatra Records, conta com vocais principais de Chaz Leon e Gabriel Connor, este último conhecido por seu trabalho com o Red Devil Vortex. Além disso, a produção ficou nas mãos de Cameron Webb, nome experiente que já trabalhou com Motörhead, Danzig e Godsmack.
Do ponto de vista técnico, “Bullets Ready” apresenta uma estrutura sólida. A música se apoia em riffs inspirados em gravações demo do baterista Nick Menza, o que confere um certo valor histórico à composição. A produção é limpa, os arranjos são bem organizados e há uma tentativa clara de criar dinâmica entre versos e refrões.
No entanto, quando se observa o conjunto, falta identidade. A canção não consegue se destacar dentro do próprio gênero que pretende representar. Para uma banda que se autodenomina “reis do Thrash”, o resultado soa surpreendentemente tímido. A agressividade característica do estilo aparece diluída, enquanto os elementos melódicos não compensam essa ausência.
Participação de Zetro vira detalhe irrelevante
Um dos principais atrativos da faixa seria a participação de Steve “Zetro” Souza, ex-vocalista do Exodus e figura icônica do Thrash Metal. Contudo, o que deveria ser um grande chamariz acaba se tornando quase irrelevante. Em vez de assumir protagonismo, Zetro aparece discretamente em backing vocals, com presença tão sutil que chega a passar despercebida em uma primeira audição.
Esse desperdício de potencial reforça a sensação de que “Bullets Ready” não aproveita plenamente os recursos à sua disposição. A escolha de manter Gabriel Connor como voz principal também contribui para isso, já que sua performance, embora competente, não possui o carisma necessário para elevar a faixa.
Expansão de alcance ou falta de direção?
O Kings Of Thrash afirma que a nova música representa uma expansão de seu escopo musical. De fato, há uma tentativa de explorar novas direções dentro do Metal. Entretanto, essa busca por diversidade acaba revelando uma certa falta de foco. Em vez de consolidar uma identidade própria, a banda parece oscilar entre referências, sem encontrar um caminho consistente.
Ao mesmo tempo, o grupo segue ativo em turnês internacionais, levando sua proposta a públicos na América do Norte e na Europa. Ainda assim, fica a impressão de que o apelo do projeto continua mais ligado ao passado de seus integrantes do que ao presente de sua produção musical.
Em resumo, “Bullets Ready” confirma uma tendência já percebida em lançamentos anteriores: o Kings Of Thrash possui nomes fortes e uma base técnica competente, mas ainda não conseguiu traduzir isso em músicas realmente marcantes. A faixa não é ruim — longe disso —, porém também não oferece motivos suficientes para empolgar.
Para um projeto que carrega tanto peso histórico, o resultado segue, no mínimo, decepcionante. Dica de ouro: mudem esse nome imediatamente!