Resenha: Khemmis – Khemmis (2026)

Khemmis retorna com seu álbum mais completo: riffs gigantes, melodias épicas e Doom Metal em perfeita sintonia.

Toda lagarta carrega consigo o potencial de se transformar em algo completamente diferente. Primeiro, ela nasce, alimenta-se e cresce, acumulando energia para uma mudança que, embora faça parte de sua natureza, exige um processo complexo. Depois, chega o momento de se recolher em seu casulo, onde passa por uma transformação profunda até finalmente emergir como uma borboleta. O mais interessante é que, apesar de sua aparência e comportamento mudarem drasticamente, sua essência continua presente. No Heavy Metal, algumas bandas percorrem caminhos semelhantes, e o Khemmis parece compreender muito bem essa dinâmica.

Desde o lançamento de Absolution (2015), o quarteto de Denver, nos Estados Unidos, construiu uma identidade marcada pelo Doom Metal, com riffs densos, melodias grandiosas e uma carga emocional que sempre esteve entre seus principais atributos. Ao longo dos anos, porém, a banda ampliou suas possibilidades, incorporando elementos do Heavy Metal tradicional, passagens mais aceleradas e até mesmo nuances extremas. Cada álbum representou uma etapa desse desenvolvimento, sem que o grupo precisasse abandonar aquilo que o tornou reconhecível.

Agora, com seu quinto álbum de estúdio, simplesmente intitulado Khemmis (2026), o grupo parece ter saído do casulo. Não se trata de uma ruptura completa ou de uma tentativa desesperada de reinventar a própria sonoridade, mas de uma manifestação mais madura de tudo o que a banda desenvolveu até aqui. O resultado é uma obra que equilibra peso, velocidade, melodia e emoção com uma naturalidade impressionante. E, assim como a borboleta não deixa de carregar em sua estrutura a história da lagarta, o Khemmis demonstra que evoluir também significa reconhecer as próprias raízes — e descobrir até onde elas podem levar.

Khemmis e a busca pelo riff perfeito

Khemmis é uma banda que sempre entendeu uma coisa que parece simples, mas está cada vez mais difícil de encontrar: peso não significa necessariamente lentidão. Desde Absolution, o grupo de Denver construiu uma identidade baseada no encontro entre Doom Metal, Heavy Metal tradicional, melodias grandiosas e uma dose calculada de agressividade. Agora, cinco anos depois de Deceiver, os americanos retornam com seu quinto álbum de estúdio. E escolher simplesmente o próprio nome para batizá-lo não parece uma decisão casual.

Um disco homônimo costuma carregar uma responsabilidade diferente.

É como se a banda dissesse: “É isso. Este é o Khemmis”.

Foto oficial

Só que existe uma diferença importante entre resumir uma carreira e simplesmente voltar ao passado. O novo Khemmis não soa como uma tentativa desesperada de recuperar Hunted ou Absolution. Pelo contrário. Ele parece reunir as diferentes fases da banda e colocá-las dentro de uma mesma panela, deixando que cada ingrediente apareça na medida certa.

E talvez seja justamente por isso que o álbum funcione tão bem.

A volta para o começo?

Não exatamente.

O Khemmis nunca foi uma banda presa a uma única definição de Doom Metal. Desde o início, o grupo utilizou o gênero como ponto de partida para explorar Heavy Metal, Stoner, Sludge, Death Metal e até elementos mais próximos do Metal tradicional.

Em seus primeiros trabalhos, o Doom aparecia como uma espécie de fundação. As músicas eram longas, pesadas e atmosféricas, mas existiam melodias que pareciam pertencer a outro universo.

Com o passar dos anos, essa mistura ficou cada vez mais natural.

Deceiver, de 2021, já apresentava uma banda bastante confortável com essa expansão. Agora, Khemmis parece dar um passo adiante: pega tudo que funcionou anteriormente e elimina boa parte daquilo que poderia parecer excesso.

Não é exatamente um retorno às origens. É uma destilação. Se antes o Khemmis precisava mostrar quantas possibilidades existiam dentro de sua música, agora parece muito mais interessado em escolher as melhores.

“Invocation of the Dreamer” abre as portas

O álbum começa com “Invocation of the Dreamer”, e a escolha não poderia ser mais apropriada.

A faixa apresenta uma atmosfera sombria antes de colocar o peso em movimento. O riff possui aquela característica típica do Khemmis: é gigantesco, mas não depende apenas da lentidão para parecer pesado.

Existe movimento. Existe melodia. E existe aquela sensação de que estamos diante de algo muito maior do que simplesmente uma música de Doom. Os vocais também ajudam bastante.

A banda continua trabalhando com o contraste entre os vocais limpos e as intervenções mais agressivas, utilizando o segundo recurso como uma espécie de tempero. Quando o gutural aparece, ele não destrói a melodia. Ele aumenta o peso.

Essa diferença parece pequena, mas é uma das razões pelas quais o Khemmis consegue conversar tanto com fãs de Doom quanto com ouvintes que normalmente preferem Heavy Metal tradicional.

“Corpsebloom Garden” mostra onde o Khemmis quer chegar

Se a abertura apresenta a proposta, “Corpsebloom Garden” começa a revelar o tamanho da ambição. A faixa possui um daqueles riffs que parecem simples na primeira audição, mas ganham força conforme a música avança.

É o tipo de composição que não precisa de cinquenta mudanças para prender atenção. Um bom riff resolve muita coisa. E o Khemmis sabe disso.

A presença do baixo de David Small também merece destaque. Depois de entrar na formação em 2022, o músico participa pela primeira vez de um álbum de estúdio da banda, e sua presença é bastante perceptível na construção da base rítmica.

O baixo não fica escondido atrás das guitarras. Ele ajuda a empurrar as músicas. Em “Corpsebloom Garden”, isso fica especialmente evidente. Além disso, a faixa apresenta uma das melhores utilizações dos vocais extremos no disco. O contraste entre a melodia épica e o gutural cria exatamente aquele tipo de tensão que faz o Khemmis ser reconhecível em poucos segundos.

A melancolia de “Grief’s Reverie”

“Grief’s Reverie” é a música mais contemplativa e trabalha uma atmosfera melancólica que parece estar presente em praticamente todo o álbum. Aqui, a banda mostra que não precisa transformar cada composição em um hino de arena. Tem espaço para tristeza, melancolia, silêncio.

E existe espaço para deixar o riff respirar. Essa é uma das faixas em que a influência do Doom aparece com mais força, mas mesmo assim a banda não abandona suas raízes no Heavy Metal. A construção melódica continua bastante acessível.

Khemmis ao vivo por @brock.snaps – Foto: Instagram

E esse talvez seja um dos grandes trunfos do álbum. O Khemmis consegue fazer uma música sobre luto e melancolia soar pesada sem transformá-la em algo completamente opressor. É triste, mas não é depressiva. É pesada, mas não é sufocante.

“Beneath the Scythe” e o Khemmis mais épico

Se existe uma faixa que representa o lado mais grandioso do disco, “Beneath the Scythe” está entre as principais candidatas. Aqui, o Khemmis acelera um pouco a marcha e deixa o Heavy Metal tradicional assumir o volante. As guitarras ganham uma característica quase heroica.

Os riffs possuem movimento. Os vocais limpos ficam mais evidentes. E a bateria de Zach Coleman mantém tudo funcionando sem exagerar nos floreios. Essa combinação faz a faixa parecer uma espécie de ponte entre o Doom e o Heavy Metal clássico. É fácil imaginar uma guitarra dupla conduzindo um público inteiro em um festival.

E isso não significa que o Khemmis tenha ficado comercial. Muito pelo contrário. A música apenas demonstra que um riff pesado não precisa caminhar em câmera lenta para continuar sendo pesado. É aqui que a banda mostra maturidade.

O peso de “Gilded Chambers”

Depois da explosão melódica de “Beneath the Scythe”, “Gilded Chambers” traz uma abordagem mais agressiva. A música possui uma energia diferente. O Khemmis começa a brincar mais com o lado extremo de sua personalidade, incluindo uma condução rítmica que foge um pouco da estrutura mais tradicional do Doom.

E isso é muito bom! Porque um dos riscos de um disco como esse seria justamente cair em uma sequência de riffs épicos, refrões melódicos e passagens lentas. A banda evita isso. Existe variação suficiente para manter o ouvinte atento.

Os vocais agressivos também aparecem de maneira muito mais orgânica. Não parecem estar ali simplesmente para lembrar que o Khemmis também sabe fazer Metal extremo. Eles fazem sentido dentro da composição. Esse é um detalhe que o grupo aprendeu a dominar muito bem.

“Tomb of Roses” é a pausa necessária

Depois de tanta informação, “Tomb of Roses” funciona quase como uma pausa. A introdução acústica prepara o terreno para uma música que cresce gradualmente. E esse crescimento é importante.

O Khemmis entende que peso depende de contraste. Se tudo começa pesado, nada parece tão pesado assim depois de algum tempo. Por isso, quando as guitarras entram com mais força, o impacto é maior. É uma técnica antiga.

Mas funciona. Na verdade, essa é uma das grandes virtudes de Khemmis: a banda não tenta reinventar todos os mecanismos do Heavy Metal. Ela simplesmente os utiliza muito bem. E, em tempos nos quais tantas bandas confundem complexidade com qualidade, isso é quase um ato de resistência.

“Carrion King” leva o álbum ao extremo

Então chegamos a “Carrion King”, uma das composições mais agressivas do disco. Aqui, o Khemmis deixa algumas das influências extremas falarem mais alto. A bateria ganha velocidade.

Os riffs ficam mais cortantes. Os vocais agressivos aparecem com maior frequência. É quase como se o grupo decidisse abrir uma janela para deixar entrar um pouco de Death Metal e Black Metal. Mas a identidade não desaparece.

Esse é um dos maiores méritos do grupo. Mesmo quando muda de direção, a banda continua soando como ela mesma. Não existe aquela sensação de “agora vamos colocar um blast beat porque precisamos parecer extremos”. Tudo está encaixado. E ainda existe presença de momentos mais agressivos no disco também serve para valorizar as partes mais melódicas.

Novamente, contraste. Sempre ele.

A benção de “Benediction Tones”

Se “Carrion King” representa o lado mais agressivo, “Benediction Tones” funciona como uma espécie de conclusão emocional. A faixa encerra o álbum com uma construção grandiosa e um refrão que fica na cabeça. É uma composição que parece ter sido pensada para fechar uma história. Isso faz sentido.

O próprio conceito do álbum foi construído como uma espécie de ritual. A narrativa acompanha um personagem em uma busca pela música perfeita e, no fim, essa procura acaba levando à aceitação de que a perfeição absoluta é uma ilusão.

É uma ideia interessante porque conversa diretamente com o próprio processo criativo. O músico procura o riff perfeito. A banda procura o álbum perfeito. O ouvinte procura a música perfeita. Mas talvez a própria busca seja o que importa.

E, no final, o Khemmis parece dizer que aceitar as imperfeições é justamente o que permite continuar criando. É uma conclusão bonita. E, principalmente, coerente com o álbum.

O novo baixo mudou o Khemmis?

David Small merece uma atenção especial. Sua chegada à banda não é exatamente recente, mas Khemmis representa sua estreia em um álbum de estúdio do grupo. E o baixo ganhou mais espaço.

Isso ajuda bastante porque o Khemmis trabalha com guitarras muito encorpadas. Quando o baixo consegue ocupar seu próprio espaço, a música ganha profundidade. Não é simplesmente mais grave.

É mais tridimensional. A relação entre baixo, bateria e guitarra também deixa os riffs mais físicos. Você não apenas ouve, você sente.

Esse tipo de trabalho é especialmente importante no Doom Metal, um gênero que depende muito da sensação de peso. Uma guitarra distorcida pode ser pesada. Duas guitarras podem ser ainda mais. Mas quando o baixo entra no lugar certo, a parede sonora ganha chão.

Dave Small – foto: Instagram/@brock.snaps

As guitarras são o verdadeiro coração

Se existe algo que faz Khemmis funcionar do começo ao fim, são as guitarras. Ben Hutcherson e Phil Pendergast trabalham com uma abordagem que combina riffs tradicionais, harmonias, solos e melodias extremamente fáceis de reconhecer.

Não existe necessidade de transformar cada solo em uma demonstração de velocidade. A prioridade está na música. E isso aparece principalmente nos momentos em que as guitarras criam harmonias duplas. É impossível não lembrar da tradição do Heavy Metal britânico.

Porém, o Khemmis adiciona uma camada de peso e melancolia que muda completamente o resultado. É como pegar uma receita conhecida e trocar alguns ingredientes. Você ainda reconhece o prato. Mas sabe que alguma coisa mudou.

Vocais limpos e agressivos na medida certa

Outro ponto forte está nos vocais. O Khemmis utiliza a voz limpa como parte fundamental de suas melodias, mas não abandona os vocais extremos.

A diferença é que agora eles parecem ainda mais integrados. Em muitos momentos do Metal contemporâneo, o gutural aparece quase como uma obrigação. Aqui não. Quando entra, tem função.

Quando desaparece, deixa espaço para os vocais limpos carregarem a música. Esse equilíbrio é uma das razões pelas quais o Khemmis consegue alcançar ouvintes que talvez não tenham tanta familiaridade com Doom Metal. Existe agressividade suficiente para manter o peso. Mas existe melodia suficiente para criar conexão.

Khemmis contra a própria sombra

Talvez o maior desafio desse álbum fosse justamente a história da própria banda. Khemmis chega depois de Absolution, Hunted, Desolation e Deceiver.

Não é pouco. Principalmente porque Hunted estabeleceu uma reputação enorme para o grupo. Então surge aquela pergunta inevitável:

Como superar aquilo que já funcionou?

A resposta é: não tentando superar.

O Khemmis parece ter entendido que competir com o próprio passado seria uma armadilha. Em vez disso, a banda procurou condensar sua identidade. O resultado é um disco que possui o peso de Absolution, a melodia de Hunted, a variedade de Desolation e parte da agressividade de Deceiver, mas sem funcionar como uma cópia de nenhum deles.

Isso é evolução. Não necessariamente porque o som ficou “mais pesado” ou “mais técnico”. Mas porque a banda parece ter entendido melhor aquilo que quer ser.

O Doom Metal ainda pode ser grandioso

Existe uma tendência de associar Doom Metal exclusivamente à lentidão. E o Khemmis é uma prova de que essa definição é pequena demais. O Doom pode ser melódico, épico, agressivo, rápido (em determinados momentos) e também pode flertar com Death Metal e Black Metal sem perder sua essência.

Khemmis ao vivo por @brock.snaps – foto: Instagram

O segredo está no peso emocional. E isso é algo que Khemmis possui em abundância. A banda não utiliza o Doom apenas como uma fórmula musical. Utiliza como atmosfera. Por isso, mesmo quando acelera, ainda existe aquela sensação de gravidade. Como se cada riff carregasse algum tipo de história.

O que torna “Khemmis” diferente?

O grande diferencial do disco está justamente no equilíbrio. É fácil fazer um álbum pesado. Também é fácil fazer um álbum melódico. O difícil é fazer os dois ao mesmo tempo sem que um destrua o outro.

Khemmis consegue. As melodias não diminuem o peso. O peso não destrói as melodias. Os vocais extremos não anulam os refrões. Os solos não parecem exercícios de ego. E a duração das músicas não se transforma em desculpa para repetir ideias. Tudo possui uma função.

Talvez por isso o álbum seja tão fácil de ouvir novamente. Você entende a música na primeira audição. Mas percebe detalhes nas seguintes. Esse é um excelente sinal.

O ponto que pode dividir opiniões

Apesar de todos os elogios, Khemmis não é perfeito. A produção é extremamente limpa e poderosa, mas quem prefere a sonoridade mais orgânica dos primeiros discos pode sentir falta de uma certa aspereza. Existe também uma redução daquela grandiosidade épica que fazia algumas músicas antigas parecerem verdadeiras jornadas.

Aqui, a banda é mais direta. Mais objetiva. Mais interessada em fazer uma música memorável do que em construir uma viagem de dez minutos. Para alguns fãs, isso pode representar uma perda. Para mim, funciona justamente porque dá ao disco uma identidade própria.

A banda não precisa repetir Hunted para provar que sabe fazer Doom. Ela já fez isso. Agora está interessada em outra coisa.

O Khemmis encontrou sua própria definição

No fim das contas, o maior mérito de Khemmis está em sua segurança.

A banda não parece preocupada em provar nada. Ela simplesmente pega aquilo que sabe fazer e aperfeiçoa. E talvez o título homônimo seja justamente a melhor representação disso.

Este é o Khemmis. O riff pesado. A melodia grandiosa. O vocal limpo. O gutural. A guitarra harmonizada. O baixo preenchendo os espaços. A bateria conduzindo tudo. E aquela sensação de que existe algo antigo dentro de uma banda completamente moderna.

Quando o peso encontra seu ponto de equilíbrio

Khemmis é um disco que entende que maturidade não significa abandonar aquilo que trouxe uma banda até aqui.

Significa saber o que manter.

O álbum reúne diferentes momentos da trajetória do grupo sem parecer uma coletânea de ideias antigas. “Invocation of the Dreamer” abre a porta para essa nova fase, enquanto “Corpsebloom Garden”, “Grief’s Reverie” e “Beneath the Scythe” mostram diferentes lados da mesma identidade.

Na segunda metade, “Gilded Chambers”, “Tomb of Roses” e “Carrion King” aumentam a variedade, antes de “Benediction Tones” fechar o ritual com uma das conclusões mais memoráveis da carreira. Não é um álbum que vai agradar exclusivamente quem procura Doom tradicional. E essa é justamente a graça.

O Khemmis continua sendo pesado, mas não está preso ao peso. Continua sendo melódico, mas não ficou acessível demais. Continua sendo épico, mas não precisa exagerar.

É uma banda que finalmente parece ter encontrado o ponto exato entre tudo aquilo que sempre quis ser. E quando uma banda chega nesse estágio, o resultado deixa de ser apenas um bom disco. Vira identidade.

Para quem ainda não conhece o grupo, Khemmis é uma excelente porta de entrada. Para quem acompanha a banda desde Absolution, é a confirmação de que aqueles riffs ainda têm muita lenha para queimar.

Nota: 9,0/10

Integrantes

  • Ben Hutcherson – vocais e guitarra
  • Phil Pendergast – vocais e guitarra
  • David Small – baixo
  • Zach Coleman – bateria

Faixas

  1. “Invocation of the Dreamer”
  2. “Corpsebloom Garden” 
  3. “Grief’s Reverie” 
  4. “Beneath the Scythe” 
  5. “Gilded Chambers” 
  6. “Tomb of Roses”
  7. “Carrion King” 
  8. “Benediction Tones”
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