Kanonenfieber: “As bandas dependem da venda de mercadorias. Recusamos apoiar esse tipo de prática por parte dos locais de evento”

O Kanonenfieber é um dos nomes de maior destaque as bandas da nova geração do metal extremo. Oriunda de Bamberg, Bavaria, na Alemanha, esta one man band é comandada pelo vocalista/multi-instrumentista que atende pela alcunha de “Noise”. O projeto fundado em 2020 conta com dois discos de estúdio até agora: “Menschenmühle” (2021) e “Die Urkatastrophe” (2024).
Mesmo se apresentando sempre com casas lotadas, o Kanonenfieber também passa por dificuldades para sobreviver no underground e, recentemente, a banda relatou uma situação que aconteceu na noite do último dia 13 de março (sexta-feira), quando a banda se apresentou no Alcatraz, em Milão, na Itália.
“Declaração sobre o espetáculo em Milão
Não somos uma banda que reclama facilmente. Ao longo dos anos, vimos praticamente tudo o que uma banda em turnê pode encontrar: locais menores que um armário de vassouras, palcos equipados com tecnologia dos anos 70 e áreas de bastidores que não passavam de um banheiro atrás da cozinha. Nos adaptamos e seguimos em frente sem reclamar.
O que presenciamos ontem em Milão, no entanto, ultrapassa um limite que não pode ficar sem resposta.
Merchandise:
Não houve venda de produtos oficiais no show de ontem. A casa de shows cobra uma comissão de 25% mais 22% de imposto, o que significa que quase metade da receita teria que ser repassada para a operadora. Nossos amigos da banda Mental Cruelty também nos informaram que, em seu último show em Milão, tiveram que pagar 16% adicionais para a equipe de vendas, elevando o custo total para 63%.
Nossas camisetas custam €25, um preço bem abaixo dos praticados nos últimos anos. Produção, transporte, equipe e infraestrutura geram custos significativos. Se quase metade da receita tiver que ser repassada para a casa de shows, sobrará muito pouco para a banda. No caso dos discos de vinil — comprados a alto custo da Sony Music — estaríamos, na verdade, perdendo dinheiro em cada unidade vendida nessas condições.
Para piorar a situação, produtos falsificados do Kanonenfieber estavam sendo vendidos bem em frente ao nosso ônibus noturno. Isso aparentemente era tolerado pelo organizador, que ao mesmo tempo esperava que entregássemos quase metade da receita dos produtos oficiais.
Leia mais nos comentários.”
Em um post nos stories do Kanonenfieber, a seguinte declaração foi compartilhada:
“Devido à concessão exorbitante exigida pela casa de shows, não vendemos nenhuma mercadoria em Milão hoje. Recusamos apoiar esse tipo de prática por parte dos locais de evento.
As bandas dependem da venda de mercadorias, pois elas constituem uma fonte de renda planejada que ajuda a cobrir os custos associados às turnês.
Essa tentativa descarada por parte das casas de shows de tirar o último centavo possível dos artistas é algo que não apoiaremos.
No entanto, não queremos negar aos nossos fiéis ouvintes na Itália a oportunidade de levar para casa uma lembrança na forma de uma camiseta da turnê. Por esse motivo, ela agora está disponível em nossa loja online.
Obrigado por uma ótima noite.”
