Kai Hansen é realmente o pai do Power Metal?

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Particularmente, nunca achei verdadeiro afirmar que determinadas bandas ou artistas são “pais de tal estilo”. Muita gente menciona o Black Sabbath como o “pai” do Heavy Metal, mas simplesmente se esquecem do Judas Priest e do Motorhead, que tiveram parcelas tão importantes quanto as dadas por Iommi, Ozzy e sua trupe. Alguns chamam o Metallica de “pai” do Thrash por ter lançado seu álbum primeiro, mas todos se esquecem do Exodus, do Slayer, de Dave Mustaine e das bandas alemãs, todos esses nomes juntos moldaram o Thrash como conhecemos hoje. O mesmo acontece no Death Metal com a briguinha dos fãs para saber quem entre Possessed, Celtic Frost ou o Death de Chuck Schuldiner, foi o grande responsável pela “criação” do gênero.

É claro que no Power Metal isso não seria diferente e uma figura em específico recebe essa alcunha, porém, desta vez (e somente neste caso), acredito que o título “pai” de determinado estilo esteja realmente correto. É claro que estamos nos referindo ao gênio Kai Hansen.

Se vocês me perguntarem por que apenas neste caso teríamos uma figura centralizadora na criação de um gênero, eu poderia te responder apenas mencionando alguns álbuns essenciais gravados por Kai, mas obviamente irei muito além disso. Kai Hansen é membro fundador do Helloween e, basicamente, moldou a sonoridade da banda, devo frisar que falamos aqui do nome mais relevante do Power mundial. Ele também fundou o Gamma Ray, que talvez seja a segunda ou terceira mais relevante em termos gerais. Com o Helloween, o músico se destacou amplamente no início de carreira arrasador. Com o lançamento do mítico EP autointitulado e o primeiro full lenght, o sensacional “Walls Of Jericho”, Kai cantou e tocou guitarra, compondo sozinho clássicos do porte de “Victim Of Fate”, “Ride The Sky” e “Metal Invaders”, e assinando em parceria com Michael Weikath, faixas como “Starlight”, “Gorgar” e “Heavy Metal (Is The Law)”.

Nos trabalhos seguintes, veio o sucesso comercial. Kai, sem a menor dúvida, foi a peça chave para que tal sucesso acontecesse. Sentindo que não teria condições físicas ideais para seguir cantando e tocando durante diversos shows consecutivos e, tendo o exato feeling que a banda poderia crescer exponencialmente, o baixinho resolveu se dedicar somente à guitarra e às composições. Primeiro, tentou trazer Ralph Scheepers para cantar na banda, mas como o vocalista estava ocupado no momento, encontrou Michael Kiske. Como todos sabem, Kiske se tornou um dos maiores cantores de Power Metal de todos os tempos e os dois “Keepers Of The Seven Keys” são os principais álbuns do gênero até hoje. Kai escreveu “Future World”, “I’m Alive”, “Twilight Of The Gods”, “Save Us”, “I Want Out”, “March Of Time” e os dois épicos “Halloween” e “Keeper Of The Seven Keys”. “Só isso”…

Percebendo que o caldo do Helloween iria começar a entornar, estrategicamente, Kai pula fora do barco no auge do sucesso e monta o Gamma Ray, desta vez, atingindo o objetivo de contar com Ralph Scheepers como vocalista da banda. O Gamma Ray grava com Ralph seus três primeiros discos, “Heading For Tomorrow”, “Sigh No More” e o pesadão “Insanity And Genius”. A banda ia de vento em popa mas foi neste momento que Ralph recebeu a notícia que provavelmente substituiria Rob Halford no Judas Priest, obviamente, Kai Hansen apoia o amigo e resolve assumir os vocais do Gamma Ray, lançando uma sequência invejável de clássicos do estilo. Caros amigos, estamos falando aqui de nada menos que “Land Of The Free”, “Somewhere Out In Space”, “Power Plant” e “No World Order”. Como todos sabem, Ralph acabou não assumindo o posto no Judas Priest e Glenn Tipton acabou escolhendo Tim Owens aos 45 do segundo tempo, mas isso é assunto para uma outra ocasião. Mas segurem a onda por que Kai não deixaria seu amigo Ralph na mão, como veremos adiante.

Voltando ao tema inicial, se analisarmos a influência de Kai Hansen em outras bandas gigantes do estilo, iremos nos surpreender de verdade. No caso do Blind Guardian, por exemplo, a ajuda direta de Kai em composições e participações especiais foram um tremendo empurrão tanto nas vendagens dos álbuns em questão, como em termos de status para os bardos. Hansen ouviu o disco de estréia dos seus compatriotas, o ótimo “Batallions Of Fear”, e adorou o petardo. Logo, procurou conhecer os músicos e acabou participando do segundo registro, “Follow The Blind”, tocando guitarra em “Hall Of The King” e cantando no clássico “Valhalla”. Depois disso, ainda se juntou ao Blind mais duas vezes, no terceiro álbum (“Tales From The Twilight World”) tocando guitarra em “The Last Candle” e fazendo um dueto vocal insano com Hansi Kursh no hino “Lost In The Twilight Hall”. Eu juro pra você, essa é uma das músicas mais perfeitas do Power Metal! Á propósito, a outra vez em que Kai tocou junto com o Blind Guardian foi no trabalho seguinte, “Somewhere Far Beyond”, onde toca guitarra em “The Quest For Tanelorn”.

O ótimo Iron Savior é conhecido hoje como uma das bandas de maior retidão em sua discografia, daquelas que nunca te decepciona e sempre mantém sua proposta inicial intacta. O que muitos não sabem é que a banda nasceu como um projeto de colaboração entre Kai Hansen, Piet Sielck e o baterista do Blind Guardian Thomen Stauch. Thomen gravou apenas o autointitulado “Iron Savior”, de 1997, já Kai, permaneceu e ajudou a criar mais uma das ótimas bandas do estilo, gravando além do debut, os obrigatórios “Unification”, “Interlude” (EP) e “Dark Assault”.

Partindo para mais um gigante, os brasileiros do Angra foram gravar seu disco de estréia na Alemanha em 1992 e, vamos ver se vocês adivinham, é claro, gravaram no estúdio de Kai Hansen. Alguém tem dúvida que o baixinho, juntamente com o produtor Charlie Bouerfeind, foram decisivos na guinada da musicalidade de “Angels Cry” e fazendo os brasileiros soarem, basicamente, como um Helloween com tempero latino? Lembra que eu mencionei que Ralph Scheepers ainda receberia uma força do brother Hansen? Pois é, segundo reza a lenda, Ralph estava muito mal por ter ficado de fora do Judas e Kai deu aquele empurrão necessário para que o amigo não desistisse da música. Quando Ralph reencontrou com Matt Sinner (o primeiro encontro havia sido antes do cantor ingressar no Gamma Ray) ambos resolveram formar uma banda e lá estava Kai Hansen, que prontamente, gravou algumas faixas no debut de 1997 e, dessa forma, ajudou a dar aquele empurrãozinho necessário para que a banda decolasse.

Se pararmos para pensar de forma mais abrangente, Kai Hansen participou de diversos álbuns de bandas novatas dando certa visibilidade para as mesmas (Stormwarrior, Heavenly, Rampage, Headhunter, Heavenwood e diversas outras), mas mesmo as bandas em que o músico jamais teve qualquer contato, tiveram influência direta de seus discos e composições. O Stratovarius é um exemplo clássico, os finlandeses cresceram e apareceram na década de 90, justamente, quando apostaram em uma guinada que fazia com que sua musicalidade remetesse diretamente ao Helloween da fase “Keeper Of The Seven Keys”. O Edguy idem, o Hammerfall mais discretamente, mas, mesmo assim, com influência clara do Helloween. O gigantesco projeto de Tobias Sammet, o Avantasia, além de beber na fonte de Kai e do Helloween, ainda trouxe o próprio Kai para participar das duas “Metal Opera” junto com o ex-parceiro Michael Kiske. Se olharmos para bandas que surgiram mais tarde no gênero, Sabaton, Bloodbound, Brainstorm, Paragon e outras, lá está a influência de quem? Dele mesmo, Kai Hansen…

Definitivamente, o cara moldou o som de praticamente todas as bandas mais importantes do Power Metal e, por isso, podemos afirmar que o baixinho, é sim, o pai do estilo. Mais do que isso, Kai é uma figura absolutamente agregadora. Mesmo com milhares de ocupações, se prontificou a tocar com Michael Kiske no Unisonic e, quase ao mesmo tempo, fazia turnês abrindo para o Helloween com seu Gamma Ray. Manteve bom relacionamento com todos com quem já tocou e, certamente, foi o cara por trás da reconciliação entre Kiske e Weikath. Se hoje temos um Helloween turbinado com quase todos os seus integrantes clássicos e originais (com exceção do falecido Ingo), isso se deve muito as ações de Kai Hansen.

Tenho certeza que você já entendeu tudo o que precisava sobre este lendário músico, então, que tal ouvir uma playlist feita no capricho com músicas de bandas em que Kai participou como membro ou mesmo como um mero convidado? Aperta o play e boa viagem!

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