K.K. Downing e Tim “Ripper” Owens revisitam “Never Satisfied”, clássico do primeiro álbum do Judas Priest

K.K. Downing mergulhou diretamente nos primeiros anos do Judas Priest ao registrar uma nova versão de “Never Satisfied”. A composição foi lançada originalmente em “Rocka Rolla”, álbum de estreia da banda britânica, de 1974.

A releitura conta com Tim “Ripper” Owens, atual companheiro de Downing no KK’s Priest e vocalista do Judas Priest entre 1996 e 2003. A gravação foi disponibilizada em junho de 2025 pela Exciter Records, em parceria com o selo Hellfire Thunderbolt Records, do próprio guitarrista.

A história de “Never Satisfied” começou antes de Rob Halford

Ao contrário de boa parte do repertório que posteriormente consagraria o Judas Priest, “Never Satisfied” nasceu antes mesmo da entrada de Rob Halford.

A composição foi escrita por K.K. Downing ao lado de Al Atkins, vocalista original do grupo. Sendo assim, em entrevista ao UCR Podcast, da Ultimate Classic Rock, Downing relembrou que os músicos ainda estavam experimentando e tentando desenvolver uma identidade própria.

“Nós apenas nos divertíamos em um quarto, tentando criar algo diferente.”

Segundo o guitarrista, a música rapidamente passou a integrar o repertório dos primeiros shows. Mesmo depois da saída de Atkins e da chegada de Rob Halford, “Never Satisfied” continuou sendo executada ao vivo durante os primeiros anos dessa nova formação.

A canção acabaria registrada em “Rocka Rolla”, primeiro disco oficial do Judas Priest, lançado em 1974.

Relançamento de “Rocka Rolla” despertou vontade de regravar a música

Também durante sua participação no UCR Podcast, Downing explicou que a vontade de revisitar “Never Satisfied” surgiu certamente após o relançamento comemorativo dos 50 anos de “Rocka Rolla”.

Ao voltar a tocar algumas daquelas composições em casa, o guitarrista decidiu registrar uma nova base e convidar Tim “Ripper” Owens para acrescentar os vocais.

Downing contou à Ultimate Classic Rock:

“Aconteceu muito rapidamente e foi divertido.”

A regravação nasceu, portanto, sem grandes planos ou uma produção excessivamente calculada. A ideia tinha a ver com recuperar o espírito de uma composição criada quando aquilo que hoje conhecemos como Heavy Metal ainda estava começando a tomar forma.

K.K. Downing queria ouvir Ripper cantando o clássico

Em comunicado divulgado junto ao lançamento, K.K. Downing explicou que a escolha de Ripper não aconteceu por acaso.

O guitarrista declarou:

“Eu estava especialmente interessado em ouvir o poderoso Ripper Owens nos vocais.”

Downing também destacou que procurou não pensar demais na gravação e simplesmente tentou retornar mentalmente ao período em que a música surgiu, mais de cinco décadas antes.

Tim “Ripper” Owens, por sua vez, disse à Ultimate Classic Rock que procurou respeitar as melodias originais, embora tenha acrescentado características de seu próprio estilo vocal, incluindo mais agressividade e alguns agudos.

O cantor também revelou que gostaria de levar a brincadeira ainda mais longe e chegou a sugerir que eles revisitassem outras músicas daquele período, citando “Run Of The Mill” e “Cheater”.

Os primeiros discos do Judas Priest voltaram ao controle de seus criadores

Existe ainda um contexto importante por trás dessa revisitação.

Durante décadas, “Rocka Rolla” e “Sad Wings Of Destiny” permaneceram fora do controle direto do Judas Priest devido ao antigo acordo firmado com a Gull Records.

Em 2022, os masters e direitos editoriais relacionados aos trabalhos foram adquiridos pela Reach Music e pela Exciter Records, em parceria com o próprio Judas Priest. Isso abriu caminho para que o catálogo recebesse novo tratamento.

O produtor Tom Allom, figura histórica na discografia da banda, supervisionou a nova mixagem de “Rocka Rolla”, enquanto um trabalho semelhante também aconteceu com “Sad Wings Of Destiny”.

Para Downing, recuperar esse material representou uma oportunidade de voltar a músicas que ficaram durante décadas presas a uma situação contratual complicada.

Ele comentou à Ultimate Classic Rock que agora sente que aqueles primeiros discos finalmente “voltaram para casa” e admitiu interesse em regravar outras composições daquele período.

Photo: Chipster PR

Uma ponte entre duas fases do Judas Priest

A nova versão de “Never Satisfied” cria ainda uma curiosa conexão entre diferentes momentos da história do Judas Priest.

K.K. Downing participou da construção da banda desde seus primeiros anos e permaneceu no grupo até 2011. Já Tim “Ripper” Owens entrou décadas depois, assumindo os vocais durante a ausência de Rob Halford e gravando “Jugulator” (1997) e “Demolition” (2001).

Os dois acabariam se reencontrando no KK’s Priest, projeto criado por Downing após sua saída do Judas Priest e que já lançou os álbuns “Sermons Of The Sinner” (2021) e “The Sinner Rides Again” (2023).

Com “Never Satisfied”, entretanto, a dupla retornou muito além da própria história do KK’s Priest.

Eles buscaram uma composição criada antes mesmo de Rob Halford entrar para o Judas Priest, quando Heavy Metal ainda nem havia estabelecido completamente suas regras — e K.K. Downing estava ajudando a escrevê-las.

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Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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