Johnny Middleton revela detalhes sobre próximo álbum do Savatage: “Se misturasse todos os discos da banda, esse seria o resultado”

Créditos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Em entrevista para o canal MetalKaoz, o baixista Johnny Lee Middleton comentou sobre os planos do Savatage para registrar o show marcado para o próximo dia 27 de julho no Anfiteatro de Pompeia, na Itália. Além disso, divulgou novas informações sobre o tão aguardado próximo disco de estúdio da banda.

Segundo o músico, o espetáculo no histórico local romano será tratado como um evento único na carreira do grupo.

“Quando me falaram sobre Pompeia, eu apenas pensei que era a cidade. Eu não sabia que era o anfiteatro. Então decidimos fazer algo especial, porque é um lugar muito especial. Provavelmente será a única vez que poderemos tocar lá.”

Criamos um set inteiro com orquestrações. Fazendo a Trans-Siberian Orchestra, o Al Pitrelli é um grande diretor musical, realmente muito bom com teoria e todas essas coisas. Então ele e o Jon montaram esse repertório orquestrado. Vamos levar uma orquestra, gravar tudo e isso sairá em DVD. Será uma noite especial e estamos muito ansiosos.”

O baixista também revelou que o concerto contará com diversas reformulações em músicas clássicas do repertório.

“Será um show bem longo. Temos arranjos que nunca fizemos antes. Reorganizamos muitas músicas. Vai passar de uma hora e meia, provavelmente se aproximando das duas horas de duração. Há muitas coisas legais que faremos.”

Além da apresentação em Pompeia, o assunto que mais chama atenção entre os admiradores do Savatage continua sendo um possível novo álbum. De acordo com Middleton, existe uma grande quantidade de composições aguardando o momento ideal para serem lançadas.

“Ah, sim. Temos um monte de material guardado neste momento. O Jon possui uma pilha inteira de músicas. Eu mesmo tenho coisas há alguns anos.”

Temos material muito forte. É apenas uma questão de quando queremos lançar isso e quando o momento será o correto. Afinal, isso também é um negócio e você precisa tomar decisões inteligentes sobre sua música, porque o que temos é limitado. Temos muitas canções. Então a questão é escolher as músicas certas para o momento certo.”

Questionado sobre o que influenciará essa decisão, o músico admitiu:

“Eu não sei. Talvez o timing, quando o clima estiver certo e o mercado também. Ainda estamos ocupados com a Trans-Siberian Orchestra, então, quando terminarmos isso, precisaremos voltar ao trabalho com ela.”

Middleton também admitiu que o fato da banda ainda estar em turnê, aliado à composição de novas canções, eventualmente escritas por Jon Oliva, também são outros motivos.

“Também vamos excursionar novamente no próximo ano com o Savatage aqui na Europa. Então é apenas uma questão de decidir quando lançar. Existe muito material para analisar. E o Jon continua escrevendo mais coisas. Quando você acha que já tem uma música excelente, ele aparece com algo ainda melhor. Estamos apenas deixando isso crescer. É como uma planta. Deixe a árvore crescer e, quando o fruto estiver maduro, nós o colheremos.”

Ao abordar a direção musical do futuro trabalho, Middleton logo explicou. O álbum deverá funcionar como uma grande síntese de todas as fases da carreira do grupo.

“É uma mistura de tudo, na verdade. Há algumas coisas realmente pesadas. Também existem músicas com uma pegada mais próxima de ‘Edge Of Thorns’.”

Questionado sobre quem desempenhará os vocais do novo álbum, Middleton disse:

“Metade das músicas será cantada pelo Zak Stevens e a outra metade pelo Jon. “Então você terá uma mistura completa de tudo o que o Savatage já fez, basicamente, jogado em um grande monte.

Há coisas realmente pesadas. O Jon escreveu algumas músicas muito pesadas, mas também há outras que não são tão pesadas. Se você pegasse todos os álbuns e colocasse tudo em um liquidificador, isso seria basicamente o que você vai ouvir.”

O baixista, inclusive, comentou sobre a possibilidade de novas apresentações na América do Norte. De igual modo, explicou por que a banda sempre encontrou maior receptividade na Europa.

“Talvez aconteça no próximo ano. Recebemos algumas propostas interessantes nos Estados Unidos e estamos tentando organizar tudo para que seja financeiramente viável. Nós sempre tivemos dificuldades para colocar muitas pessoas nos locais nos Estados Unidos, enquanto na Europa isso nunca aconteceu. Mesmo nos anos 1990, estávamos ganhando três ou quatro vezes mais dinheiro na Europa. Quando você precisa pagar contas e vive disso, você vai para onde o dinheiro está.”

Créditos: Annie Atlamsan / BraveWords

Entretanto, Johnny complementou:

“Adoraríamos tocar nos Estados Unidos. Gostaríamos de conseguir uma posição de abertura para alguma banda, onde não precisássemos arcar com todos os custos de produção.”

Sobre a forte conexão do grupo com o público europeu, ele disse:

“Acho que os europeus apreciam mais a música. Os americanos têm muitas distrações. Existem tantas coisas que aparecem instantaneamente. Eles possuem uma capacidade de atenção menor. Os europeus parecem gostar mais de música pesada e permanecem fiéis ao que gostam. Mesmo na minha idade, você ainda vê pessoas caminhando com seus coletes cheios de patches.”

Por fim, Johnny, ao falar sobre o público mais jovem, acrescentou um fato curioso:

“Também temos muitos fãs jovens, e isso é algo surpreendente. Conheci um garoto na Suécia que me disse: ‘Tenho 17 anos e vocês são a única banda que escuto’. E eu respondi: ‘Cara, eu tenho idade para ser seu avô, mas muito obrigado’.”

Material inédito reacende expectativas dos fãs

As declarações chegam em um período particularmente movimentado para o Savatage, que retornou recentemente aos palcos com a turnê “Prelude To Madness”. Em junho, o grupo realizou apresentações em festivais na Suécia e na França, contando temporariamente com o baterista Blas Elias, substituindo Jeff Plate, afastado por questões médicas. Atualmente, a formação reúne Zak Stevens, Al Pitrelli, Chris Caffery, Johnny Lee Middleton e Jeff Plate.

Desse modo, com a divulgação de material inédito já pronto, contudo sem data prevista para lançamento, o Savatage acaba reforçando o momento de revitalização de um dos nomes mais reverenciados da história do Heavy Metal e do Metal Progressivo.

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