John Bush revela confiança no próximo álbum do Armored Saint: “Está matador. É realmente incrível”

Photo: Miikka Skaffari, Getty Images

O vocalista John Bush demonstrou entusiasmo ao falar sobre o novo álbum do Armored Saint, atualmente em fase final de produção e com lançamento previsto ainda este ano. Segundo o cantor, o trabalho representa um passo adiante na trajetória da banda, ao mesmo tempo em que preserva sua identidade. O disco surge como uma evolução natural de Punching the Sky e Win Hands Down, porém apresenta uma atmosfera própria, marcada por novas nuances sonoras e uma produção que ele considera excepcional.

Além disso, Bush destacou o alto nível técnico envolvido nas gravações. O produtor Jay Ruston voltou a comandar a engenharia e a mixagem, entregando, nas palavras do vocalista, um resultado acima das expectativas. Já o baixista Joey Vera assumiu papel central na organização do projeto, coordenando ideias e contribuindo de forma decisiva para a coesão do material. Ainda assim, o cantor fez questão de ressaltar que todos os integrantes participaram ativamente da composição, tanto musical quanto liricamente.

No campo das letras, John Bush explicou que mantém o compromisso de se desafiar constantemente para evitar repetições ao longo de sua carreira. Ele busca inspiração em qualquer tema que desperte interesse no momento, sem se preocupar com limites impostos por rótulos do Heavy Metal ou do Hard Rock. Metáforas, interpretações abertas e colaborações pontuais com músicos como Phil Sandoval fazem parte de um processo criativo que ele considera vivo e em constante transformação.

Photo: Steve Ritchie

Letras abertas e som moderno marcam a nova etapa da banda

Essa liberdade criativa também se reflete na forma como o vocalista pretende apresentar o álbum ao público. Em vez de explicar o significado das músicas, Bush prefere que cada ouvinte construa sua própria leitura. Para ele, provocar reflexão vale mais do que direcionar interpretações. Essa postura reforça a ideia de que as canções podem ganhar novos sentidos com o tempo, inclusive para o próprio autor, algo que ele vê como parte essencial da arte.

Nos últimos anos, o Armored Saint manteve uma agenda intensa de turnês, mesmo após o lançamento de Punching the sky em 2020, enfrentando os impactos da pandemia e conciliando estrada com composição. O grupo também celebrou marcos importantes de sua história, como o aniversário de Delirious Nomad, sem deixar de olhar para frente. Assim, o próximo álbum surge como a síntese desse equilíbrio entre legado e renovação, reafirmando a relevância da banda no cenário atual do Metal.

Abaixo, a declaração completa de John Bush em entrevista ao podcast Thunder Underground:

“O álbum está matador. É realmente, realmente incrível. Tenho muito orgulho dele. De certa forma, ele expande o que fizemos em Punching the sky (2020) e Win hands down (2015), mas também tem um som e uma vibração próprios. Além disso, a produção está simplesmente fora de série. Jay Ruston cuidou da engenharia e da mixagem novamente e fez um trabalho incrível. E o Joey Vera, baixista do Armored Saint, foi o grande orquestrador de tudo e mandou muito bem. Mas todos contribuíram com músicas e algumas letras. Então, é um grande álbum. Estou realmente empolgado com ele e mal posso esperar para que seja lançado.”

Questionado se a inspiração para suas letras mudou ao longo das décadas, John disse: “Quando se trata de escrever letras, eu apenas tento ver o que vem à minha cabeça naquele momento. Isso realmente depende. Meu objetivo é sempre me desafiar como letrista e escrever coisas que… O mais importante para mim é não me repetir. Isso é muito importante, porque já escrevi muitas músicas na minha vida, então a última coisa que eu quero é fazer algo que faça as pessoas dizerem: ‘Já ouvi isso de você’. Esse é o meu maior desafio. Mas, quanto à inspiração, ela pode vir de qualquer lugar. Já escrevi sobre pessoas que dirigem mal pra caramba. Não existe praticamente nenhum tema que eu não encare. Eu não fico pensando: ‘Isso é metal? Está dentro dos parâmetros de uma música de metal?’. Eu não me importo. De verdade, não me importo. Também tento escrever bastante usando metáforas. Às vezes começo a escrever uma música liricamente e, de repente, penso: ‘Espera aí, isso está começando a parecer que significa algo a mais’. Então, não sinto que exista algo que eu não possa fazer. Posso mudar o que for preciso. Vou fazer o que for necessário para sentir que a música ficou da melhor forma possível. O Phil Sandoval, guitarrista do Armored Saint, me deu algumas ideias para letras. Ele criou o título de uma das músicas, e eu pensei: ‘Isso é legal, vou seguir por aí’. Usei algumas linhas dele. Ele me mandou uma lista com algumas frases. Certamente, quando eu e o Joey estamos trabalhando juntos, cantando — gravei todos os vocais na casa dele, como tenho feito nos últimos discos — ele diz: ‘Por que você não tenta isso?’ ou ‘Por que não colocamos essa letra no lugar?’. É um esforço colaborativo, mas a realidade é que a maioria das letras é minha. É algo que eu amo fazer e sinto que ainda sou muito bom nisso. Como eu disse, adoro escrever letras e não sinto que exista algo que eu não possa fazer.”

Bush continuou: “Eu fiz questão de não sair por aí dizendo a todo mundo sobre o que são essas músicas. Eu realmente quero que as pessoas cheguem às próprias conclusões. Então, provavelmente vou ser um pouco menos útil para a gravadora na hora de fazer divulgação. Claro que vou continuar dando entrevistas, eu adoro fazer entrevistas, mas às vezes você faz uma biografia e perguntam: ‘Sobre o que são as músicas?’. E eu penso: não vou dizer sobre o que são as músicas. Quero que as pessoas me digam sobre o que elas acham que as músicas falam. Esse é o meu objetivo. Pode soar estranho, tipo: ‘Hã?’. Mas, para mim, é muito mais empolgante quando as pessoas dizem o que tiraram das letras e das canções. Eu acho que as letras estão realmente muito boas e que existem coisas bem provocativas nelas. É isso que eu quero fazer: quero fazer as pessoas pensarem. Não quero dizer a elas o que pensar. Não estou aqui para falar: ‘Ei, você deveria pensar assim’. Esse não é o meu objetivo. É mais algo como: ‘Quer saber? Isso está me fazendo pensar desse jeito’. E então eu começo a escrever. Mas você pode ouvir e pensar: ‘Tenho um estado de espírito completamente diferente quando escuto isso’. O engraçado é que eu escrevi uma música — não vou mencioná-la ainda, porque ainda estamos aguardando divulgar o nome do álbum e os títulos das faixas — e foi curioso. A música estava pronta, mixada, masterizada, e outro dia eu estava ouvindo e pensei: ‘Uau, essa música agora significa isso para mim’. É um tema completamente diferente. E essa não era a minha intenção quando a escrevi. De repente, eu percebi: agora isso é sobre outra coisa. É por isso que eu não quero mais dizer às pessoas sobre o que as músicas falam, porque, de repente, essa canção passou a significar outra coisa até para mim. Enfim, essa é basicamente a forma como eu encaro isso.”

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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