João Gordo: “Parar de beber é essencial para deixar de usar drogas pesadas. O álcool é a porta de entrada para tudo”

Em uma entrevista recente ao podcast Desprogramados, o vocalista do Ratos de Porão, João Gordo, falou sobre suas experiências com as drogas e o momento em que percebeu teria parar com o uso dessas substâncias se quisesse continuar vivendo. Perguntado se ele decidiu parar por motivos de saúde, sanidade ou algum outro motivo, ele respondeu:
“Eu parei porque eu quase morri. Primeiro eu tive um derrame pleural. Quebrei a costela e a costela furou meu pulmão. Aí eu fiquei sem arrumar, louco, com costela quebrada por meses. E o bagulhando cutucando. Quando deu um tranco foi como se tivesse dado uma facada na pleura, no pulmão. Quase morri, eu fiquei meses no hospital. Isso aconteceu em 2000. Depois saí, ‘não, parei de fumar, tô legal, tô legal’ — saí em turnê, turnê na Europa, Estados Unidos, C.B.G.B., a maior doideira. Enfiei o pé na jaca e quase morri. Vim para cá e tive uma overdose, foi em dezembro de 2000. Uma overdose de heroína com pó que se chama Speedball. Um monte de gente gosta, e é horrível. Era para eu ter morrido.”
João Gordo conta que conheceu sua atual esposa, Vivi Torrico e como, a partir daí, ele começou aos poucos a mudar os seus hábitos destrutivos:
“Olha só como o mundo é louco, nesse caso dessa overdose, que a minha mulher, a Vivi Torrico e que está comigo há 25 anos — ela falou: ‘eu preciso dizer para esse cara que eu gosto dele, antes que ele morra.’ Por que eu estava no modo foda-se, eu só andava com modelinho sapata, louco, louco, louco. E aí ela resolveu falar que gostava de mim, e eu: ‘ah, eu não quero namorar, eu só quero ficar com as modelos sapatas’, essas coisas assim, tá ligado? E aí, foi, foi, foi, e é a mulher da minha vida. Estou há 25 anos com ela, com dois filhos, família. A vida mudou bastante, gradualmente; de um cara completamente alucinado para um cara menos alucinado. Não completamente, eu ainda sou um pouco alucinado, mas se eu eu cheguei até aqui e não morri, então eu tenho que cuidar desses últimos dez anos que me restam, estou com 62. Então a primeira coisa que eu fiz foi parar de beber.”
O músico continua lutando contra o vício, e revelou que teve algumas quedas em 2025. Segundo Gordo, o álcool é a porta de entrada para todas as outras drogas:
“Esse ano [2025] eu tive umas quedas? Tive. Mas se for contar no ano as vezes que eu tive queda, eu tive três quedas em 365 dias. Muitas mais vitórias. Na Rússia os caras falam que ‘bate a nave’, né? Bati a nave. Mas eu estou firme e forte. Parar de beber é essencial para emagrecer, para deixar de usar drogas pesadas. O álcool para mim é a porta de entrada para tudo. Agora é só cervejinha sem álcool e olhe lá.”

Integridade é tudo para mim. Não morrerei envergonhado. Viverei no meu leito de morte sabendo que dei o meu melhor e que todo o resto não tem importância para mim.” Lemmy Kilmister