Jairo Guedz (The Troops Of Doom) opina sobre bandas meme: “As redes sociais não dão palco para quem tem valor”

O guitarrista do The Troops Of Doom, Jairo Guedz, concedeu uma nova entrevista ao canal Rock Doido do Argoth e falou sobre uma das polêmicas do momento. Argoth fez uma observação sobre a baixa visibilidade ou pouca atenção que as bandas grandes, sérias e/ou importantes recebem. Enquanto isso, as bandas “meme” estão tendo muita exposição e ganham muito dinheiro.
Argoth questionou Jairo sobre o que ele pensa sobre isso, e o guitarrista respondeu:
“Isso é um fenômeno que não é só do nosso meio de bandas. É um fenômeno do meio da comédia, dos humoristas, das artes, de várias coisas, das artes cênicas e da música, infelizmente. Veio com esse fenômeno da internet, com esse fenômeno das redes sociais. As redes sociais não dão palco para quem tem valor, para quem tem o que mostrar. Elas dão palco para o que é hype, para o que chama atenção, para o que causa polêmica em todos os sentidos. E, na maioria das vezes, infelizmente, são polêmicas negativas, no sentido ruim, da baixaria, da arte empobrecida, da falta dessa empatia com a realidade, com as pessoas etc. Então eu não tenho o menor prazer em ver essas coisas, eu não tenho o menor tesão por isso, eu não apoio. Eu acho que nós, brasileiros — e eu posso falar porque eu sou brasileiro; se fosse um argentino falando eu não deixava, mas como nós somos brasileiros, nós podemos meter o pau no nosso país. [Risos].
Nós que somos brasileiros temos uma mania. Nós desenvolvemos uma mania muito feia de dar palco, de dar atenção para essa galera — uma galera vazia, que faz uma gracinha, que sai pelado, correndo, xingando, e não sei o quê mais. Sei lá, o que valha. Mas, assim, nós temos essa mania de dar palco para isso… A grande mídia brasileira, uma grande fatia da população brasileira que dá apoio, que acha graça, que acha legal. É claro que é uma coisa que não vai deixar legado nenhum. Esse tipo de artista, esse tipo de postura vazia e pobre não vai deixar legado. Será esquecido e vai virar um cocozinho de uma vaca no meio da estrada, como tem vários. E você vai passar por isso, vai desviar e vai embora. Agora, você só vai parar para dar atenção àquilo que tem valor, que você consegue entender e com que existe uma sintonia ali e que você diz: ‘Isso está me valorizando de alguma forma, está me trazendo algo novo, algo para ser construído. Algo que eu posso apoiar e receber apoio, pergunta e resposta.’ Não é aquela coisa vazia, boba e idiota. Então, infelizmente, isso é uma realidade, é uma realidade das redes sociais, a coisa explodiu e hoje está incontrolável.
Eu trabalho, eu faço meu trabalho com Troops Of Doom, e nós somos muito sérios… Não no sentido ranzinza, mas no sentido de seriedade, no sentido de profissionalismo com as nossas coisas, nós procuramos fazer o melhor dentro do nosso estilo, e oferecer isso às pessoas. E eu vejo gente fazendo merda e passando na frente muito rápido. Hoje em dia, a coisa está tão séria — você vê gravadoras de fora, eu conversei outro dia com um pessoal que já são amigos, mas estão nessas gravadoras gringas grandes, e o pessoal fala: ‘Cara, hoje em dia a gente está olhando o artista e ele não precisa me mandar uma demo, ele não precisa me mandar um CD dele, ele tem que me mandar a rede social dele para eu ver quantos seguidores ele tem.’ Então é isso, hoje em dia muitas companhias assinam contrato com quem tem muitos seguidores. Mas ter muitos seguidores, como eu citei lá atrás, o Adolf Hitler tinha, e agora eu vou citar de novo, não significa muita coisa. Não significa que você é bom, não significa que você está fazendo algo de bom para a população ou para você, ou para sua arte. Você está fazendo merda. Então é isso.”
Mais adiante na entrevista, Argoth perguntou a opinião de Jairo Guedz sobre a possibilidade de uma reunião do Sepultura para o show de despedida da banda que acontecerá no final de 2026:
“Eu vou ser muito sincero, eu não vejo muito sentido não. Eu falo da reunião, nessa reunião toda com os caras e tudo. Eu não vejo muito sentido porque eu tenho contato e amizade com todos eles, nunca deixei de ter. Eu não acho que eles têm vontade de fazer isso e se não tem vontade, vão fazer só se for pelos outros; ou pelo dinheiro, ou pelo público. Se for olhar pelo lado do público que gostaria disso, eu acho que é legal para satisfazer uma parcela do público e tudo. Mas, para mim, não é uma coisa honesta com eles mesmos. Eles não estão afim de fazer isso. Se fizerem, vai ser forçar a barra, eu não acho que seja necessário. Eu acho que há muitos anos já são duas coisas muito diferentes, né? O Sepultura é o Sepultura, o Max é o Max, e ele e o Iggor têm o Cavalera que é muito bom. E o Max tem o Soulfly que é muito bom, e tem as outras bandas dele com os filhos dele; e profissionais também, estão sempre fazendo turnês e muita coisa bacana, gravando. E o Sepultura é o Sepultura. Eles seguiram o caminho deles — o Andreas, o Paulo, e os outros. Então assim, seria forçar a barra. Agora, para alegria da galera, tudo bem. Mas se eles acharem que é legal se juntar, vai nessa, eu dou a maior força. O Andreas já convidou, já citou meu nome em algumas entrevistas, que quer eu participe também, tudo o mais. Para mim, será um prazer, se eu estiver no Brasil na época. Parece que esse show vai ser em São Paulo, e eu estarei em turnê em julho e agosto desse ano, mas seu estiver no Brasil na mesma época do show, será um prazer.”
O The Troops Of Doom lançou seu disco mais recente, “A Mass to the Grotesque” em maio de 2024.