Jairo Guedz rebate ataques políticos: “Meu voto é privado. Minha história, não”

O guitarrista Jairo Guedz, líder e fundador do The Troops Of Doom e ex-integrante do Sepultura, voltou a utilizar suas redes sociais para comentar a polarização política e as cobranças por posicionamentos públicos dentro do Heavy Metal brasileiro. Desta vez, o músico revelou que vem recebendo ataques tanto de pessoas identificadas com a direita quanto com a esquerda, além de críticas por nunca ter declarado publicamente suas preferências eleitorais.
A nova manifestação aconteceu poucos dias depois de Jairo publicar uma mensagem bastante direta em seus stories do Instagram. A primeira mensagem veio em meio às discussões políticas que vêm envolvendo músicos e fãs brasileiros:
“Vai lá e vota em quem você quiser. Povo chato do caralho.”
Agora, o guitarrista resolveu aprofundar o assunto, explicando que pessoas com posições políticas opostas tentam enquadrá-lo em campos ideológicos diferentes, enquanto outras o acusam de omissão por não revelar seu voto.
“Meu voto é privado. Minha história, não”
Em sua nova publicação, Jairo Guedz escreveu:
“Tenho sofrido ataques de gente da direita que me considera de esquerda e de gente da esquerda que me acusa de ser fascista de direita. Ao mesmo tempo, os dois lados me chamam de ‘isentão’ porque nunca declarei publicamente meu voto em nenhuma eleição.
Meu voto é privado. Minha história, não.
Aos que confundem discrição com falta de posicionamento, proponho uma viagem no tempo: voltem 42 anos e montem uma banda de Death/Thrash Metal no Brasil, ainda sob a ditadura militar.
Depois, me chamem para conversar.”

A referência aos 42 anos remete às origens do Sepultura, fundado em Belo Horizonte, em 1984, quando o Brasil ainda vivia os últimos momentos da ditadura militar.
Jairo integrou a primeira fase da banda e participou das gravações do EP “Bestial Devastation” (1985) e do álbum “Morbid Visions” (1986), dois trabalhos fundamentais para o surgimento e a consolidação da cena de Metal extremo brasileiro.
Naquela época, desenvolver um projeto de Death/Thrash Metal no país significava enfrentar dificuldades que iam muito além da ausência de estrutura profissional. O estilo ainda era praticamente desconhecido do grande público, e seus músicos precisavam lidar com preconceitos e um mercado fonográfico pouco receptivo à música extrema.
Posicionamento político precisa ser uma obrigação?
A declaração de Jairo Guedz chega em um momento de intensas discussões sobre política no cenário nacional. Nos últimos dias, músicos ligados a bandas de Rock e Metal manifestaram publicamente suas preferências eleitorais, provocando reações de apoio e rejeição entre os fãs.
O que chama a atenção é uma questão diferente que ganhou espaço nessas discussões: a cobrança para que artistas revelem suas posições. É como se a participação em determinado movimento musical exigisse uma declaração pública de preferência partidária, o que de forma alguma ganha respaldo na realidade.
A história do Rock e do Heavy Metal possui inúmeros exemplos de contestação política, críticas ao poder e questionamentos sociais. Isso, porém, não significa apoiar publicamente um partido ou candidato. Para o guitarrista, a decisão de preservar o sigilo de seu voto só diz respeito a ele. E, sendo assim, isso não possui ligação com as escolhas que fez ao participar da construção de uma cena musical em um período tão particular da história.
Ao contrário de sua publicação anterior, marcada pelo desabafo bem-humorado, desta vez Jairo Guedz decidiu recorrer à própria história para responder às cobranças. E é ótimo ver que ainda existem artistas que não seguem a manada. Músicos como Jairo Guedz não dependem de trends em redes sociais para ter seu minuto de fama.

