Iron Maiden: Dennis Stratton critica tratamento dado a Blaze e lamenta pouco espaço para os primeiros discos no documentário Burning Ambition

Photo: Dario De Marco

O documentário “Burning Ambition”, lançado nos cinemas em maio, chegou com a proposta de apresentar a trajetória do Iron Maiden principalmente para o público mais jovem. Ao revisitar os 50 anos da banda britânica, o longa rapidamente passou a dividir opiniões entre os fãs mais antigos e também entre jornalistas especializados.

Enquanto parte do público elogiou a produção pela abordagem dinâmica e pelo material de arquivo raro, outra parcela apontou ausências importantes e decisões questionáveis na montagem final. Entre as críticas mais recorrentes estão a falta de informações sobre discos fundamentais da carreira do grupo, como “Piece Of Mind”, “Somewhere In Time”, “Seventh Son Of A Seventh Son” e outros trabalhos considerados essenciais para entender a evolução musical da banda.

Ausências importantes incomodaram fãs antigos

Além disso, muitos espectadores sentiram falta de uma participação de Derek Riggs, artista responsável por eternizar o mascote Eddie através de capas históricas que ajudaram a consolidar a identidade visual do Iron Maiden. Outro nome lembrado constantemente nas críticas foi o do produtor Martin Birch, peça central na construção da sonoridade clássica do grupo. Birch foi o grande responsável pela produção de praticamente todos os álbuns mais celebrados da discografia.

Ainda assim, é evidente que condensar cinco décadas de história em apenas 1 hora e 45 minutos não representa uma tarefa simples. Diante de uma carreira tão extensa, qualquer seleção inevitavelmente deixaria de fora momentos, personagens e discos considerados importantes por diferentes parcelas da base de fãs.

Dennis Stratton comenta o documentário

Em entrevista recente ao canal Paulieflix, o ex-guitarrista Dennis Stratton comentou suas impressões sobre o documentário. Ele fez algumas observações críticas, especialmente relacionadas à forma como Blaze Bayley apareceu no filme e ao pouco espaço dado aos primeiros discos da banda.

Segundo Stratton:

“Achei que o documentário foi muito bom, mas senti que poderiam ter dado mais atenção aos primeiros álbuns. Aquela fase foi extremamente importante para construir tudo o que o Iron Maiden se tornou depois.”

O músico também lamentou o tratamento dado ao período em que Blaze Bayley assumiu os vocais após a saída de Bruce Dickinson nos anos 90.

“Também achei uma pena a maneira como trataram o Blaze. Ele passou por momentos difíceis naquela época, mas fez o melhor que podia. Blaze é um cara fantástico e merece muito mais respeito pelo trabalho que realizou com a banda.”

Stratton defende reconhecimento maior para Blaze Bayley

Durante a conversa, Dennis Stratton destacou que muitos fãs acabaram ignorando as dificuldades enfrentadas pelo vocalista naquele período específico da carreira do grupo.

“As pessoas esquecem que o Maiden estava atravessando uma fase complicada. Não era fácil substituir Bruce Dickinson. Ninguém teria uma tarefa simples naquela situação. Mesmo assim, Blaze entrou, trabalhou duro e gravou bons discos.”

O ex-guitarrista também afirmou que gostaria de ter visto uma abordagem mais equilibrada sobre toda a trajetória da banda. Para ele, o filme concentra muito foco apenas em determinadas eras, mas esquecidas de outras.

“Entendo que você não consegue colocar tudo em menos de duas horas. Mas acho que alguns capítulos importantes da história mereciam mais tempo.”

Mesmo cercado de críticas pontuais, “Burning Ambition” segue despertando debates intensos entre os admiradores do Iron Maiden, especialmente porque a produção mexe diretamente com uma das discografias mais importantes da história do heavy metal.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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