Integrantes do Iron Maiden recusaram participação em documentário sobre Paul Di’Anno, revela diretor

Após o enorme destaque conquistado pelo documentário “Burning Ambition”, lançado recentemente pelo Iron Maiden, outro filme ligado à história da banda chegará ao público nas próximas semanas — desta vez focado em seu primeiro vocalista, Paul Di’Anno, falecido em novembro de 2024. Intitulado “Di’Anno: Iron Maiden’s Lost Singer”, o longa estreia oficialmente no dia 9 de junho nos formatos digital, DVD e Blu-ray, além de receber exibições especiais em cinemas do Reino Unido e dos Estados Unidos.

A produção, comandada pelo diretor Wes Orshoski — conhecido pelos documentários sobre Lemmy Kilmister, do Motörhead, e sobre o The Damned — acompanha os últimos anos da vida de Di’Anno em uma abordagem crua e intimista. O filme mostra a luta do cantor contra graves problemas de saúde e seu período vivendo na Croácia. Também é retratado as tentativas de reconstruir sua carreira enquanto enfrentava limitações físicas severas.

Documentário reúne grandes nomes do metal

Embora o longa tenha como foco principal o ex-vocalista do Iron Maiden, a obra também conta com participações de figuras importantes do Heavy Metal. Entre os nomes confirmados aparecem James Hetfield, do Metallica, Gene Simmons, do Kiss, além de músicos ligados a bandas como Slayer, Megadeth, Exodus, Overkill e Sepultura.

Além disso, o documentário detalha como dois fãs da banda ajudaram Paul Di’Anno durante um dos momentos mais difíceis de sua vida. O material registra desde campanhas de arrecadação até o tratamento médico realizado na Croácia, país onde o cantor conseguiu melhorar temporariamente sua condição de saúde antes de retornar aos palcos.

Nenhum integrante atual do Iron Maiden quis participar

No entanto, um detalhe chamou bastante atenção dos fãs. Apesar da importância histórica de Paul Di’Anno para os primeiros anos do Iron Maiden, nenhum integrante atual da banda aceitou participar do documentário com depoimentos inéditos. Nem mesmo o empresário Rod Smallwood gravou entrevistas para a produção.

A revelação veio durante entrevista de Wes Orshoski à Billboard. Segundo o diretor, o contato com a equipe da banda aconteceu logo no início do projeto, mas a resposta não foi a esperada.

“A primeira coisa que fiz depois de assinar contrato com a Cleopatra foi ligar para o gerenciamento do Iron Maiden”, contou o diretor. “O empresário Rod Smallwood foi muito gentil, mas imediatamente me disse que nem ele nem qualquer integrante atual da banda participariam.”

Na sequência, Orshoski admitiu a frustração com a decisão:

“Obviamente, foi uma enorme decepção, mas não exatamente inesperada.”

Photo: Michael Tran/FilmMagic

Mesmo ausentes, membros da banda aparecem em imagens de arquivo

Apesar da recusa em conceder entrevistas inéditas, o diretor explicou que o filme ainda traz imagens dos músicos do Iron Maiden através de registros históricos.

“No fim das contas, fico feliz em dizer que Steve Harris e o restante dos caras aparecem no filme.”

A ausência de novos depoimentos certamente surpreendeu parte do público, principalmente porque Paul Di’Anno sempre foi reconhecido como peça fundamental na consolidação do grupo durante a explosão da New Wave Of British Heavy Metal no fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980. Afinal, foi sua voz que marcou clássicos absolutos como “Iron Maiden” e “Killers”.

A relação turbulenta de Paul Di’Anno com sua própria história

Ao longo da produção, Wes Orshoski também registrou momentos intensos envolvendo o cantor. Em entrevista, o diretor comentou que conviveu com diferentes lados da personalidade de Di’Anno durante as filmagens realizadas entre 2017 e 2023.

“Paul podia ser um homem extremamente doce e adorável, mas também podia ser um verdadeiro demônio”, afirmou. “Quando estava bem-humorado, era divertidíssimo e sem ego algum. Mas quando seu lado Mr. Hyde aparecia, a situação ficava feia para todos ao redor.”

Ainda assim, o cineasta destacou que o comportamento explosivo do vocalista vinha acompanhado de arrependimento quase imediato em diversas ocasiões. Isso acontecia especialmente diante das dores físicas e do desgaste emocional causados pelos anos de problemas de saúde.

Antes de sua morte, ocorrida em outubro de 2024 aos 66 anos, Paul Di’Anno chegou a comentar sobre o documentário em entrevista ao KNAC.COM. Na ocasião, ele afirmou confiar plenamente no trabalho de Orshoski e revelou que o filme mostraria tanto sua determinação quanto seus momentos de desespero.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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